domingo, janeiro 06, 2013
terça-feira, janeiro 01, 2013
segunda-feira, dezembro 24, 2012
Feliz Natal
E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios
Que largam do cais arrastando nas águas por sombra
Os vultos ao sol daquelas árvores antigas...
O porto que sonho é sombrio e pálido
E esta paisagem é cheia de sol deste lado...
Mas no meu espírito o sol deste dia é porto sombrio
E os navios que saem do porto são estas árvores ao sol...
Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo...
O vulto do cais é a estrada nítida e calma
Que se levanta e se ergue como um muro,
E os navios passam por dentro dos troncos das árvores
Com uma horizontalidade vertical,
E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro...
Não sei quem me sonho...
Súbito toda a água do mar do porto é transparente
e vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada,
Esta paisagem toda, renque de árvore, estrada a arder em aquele porto,
E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa
Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem
E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro,
E passa para o outro lado da minha alma...
(Chuva Obliqua - Fernando Pessoa)
sábado, dezembro 31, 2011
domingo, dezembro 25, 2011
terça-feira, novembro 01, 2011
Que tempo é o nosso? Há quem diga que é um tempo a que falta amor.

Monstros e homens lado a lado,
Não à margem, mas na própria vida.
Absurdos monstros que circulam
Quase honestamente.
Homens atormentados, divididos, fracos.
Homens fortes, unidos, temperados.
Para a Sónia, caminhemos pois uma certeza temos, ainda vem por ai mais um Inverno e não vai ser o último…
Querida Sónia,
Saramago disse um dia “se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia”. Vivo esse pensamento a cada dia que passa e a cada minuto que a vida retrata ao andar para trás. Presumo que retirou de mim a veleidade de não querer percorrer as estradas fracas que outrora me brindaram de fingidos artifícios. Mas tudo isso fez como que de mim uma caçadora. Com isso, para ser completa dessa ambiguidade, sabendo que as derrotas não são definitivas, tenho, embora com menos frequência, de retroceder. Lá disse o mestre atrás citado “Nada é para sempre, dizemos, mas há momentos que parecem ficar suspensos, pairando sobre o fluir inexorável do tempo”. O caçador aprende, no acto que o denomina de matador, com o desacerto da sua arte, em anos passados. Descobriu que deve atacar o inimigo que se encontra em desordem. "A guerra é baseada na simulação. Quando se tem capacidade de atacar, simular incapacidade. Quando longe, simular que se está perto."* Muitas vezes, é como ficar nua diante dos meus fantasmas, que já não me tocam, sou feliz e isso amotina-lhes os sentimentos, aprisionando-os nos seus corpos, desordena-os. É mais fácil ser caçadora sorrindo de verdade!
Sabemos de antemão, e pelas atitudes presentes e diárias do ser humano, que a mente humana tem a capacidade da inconsciência quase que permanente. É na inconsciência que se conduzem as vidas, sempre em busca de passadeiras vermelhas e holofotes de protagonismo. E no som desse protagonismo, no vermelho, se pisam corações dos quais se usurpa prazer e onde se tentam camuflar frustrações.
No quotidiano, a máscara comprometida da contradição inválida dos dias é uma caixa de Pandora. Corações de ferro há aos molhos e corações sangrando são folhas de Outono a perder de vista. Mas parece já ninguém se importar. Alguém está estendido no chão da cidade, passam milhares até que outro alguém pare para ver o que se passa. Imagine there's no heaven/It's easy if you try/No hell below us/Above us only sky/Imagine all the people/Living for today…**
Aprendi que o homem é egoísta e egocêntrico na sua totalidade até encontrar o verdadeiro amor. É psicopata, é assassino até encontrar um psicopata e um assassino maior. É comodista de sentimentos. Reserva a si as palavras “isso passa”, é a sua oração É um brinde ao frio, ao mundo delirado por uma qualquer vaca louca. Mas aquilo que mais nos agoniza muitas vezes é a nossa salvação. E com isto digo tudo. Nunca homem algum nos pode deixar em agonia. É um fogo-fátuo. Se ai chegamos devemos, de imediato, entender que essa é a nossa última luta contra a morte. Shakespera disse "vivi muito tempo, e o caminho da minha vida perde-se nas folhas amarelas e secas." Sigamos em frente, a agonia é mais uma peça de vestuário, um tiro na nossa alma, mas ainda vêm ai o Inverno e só nós sabemos acender a nossa lareira, retirar as balas. O fogo está em saber a verdade que dói aos monstros e é com essa verdade que os derrotamos mesmo sabendo que alguns nunca vão encontrar o amor: "Só um mundo de amor pode durar a vida inteira." ***
*Sun Tzu
**Jonh Lennon
***Miguel Esteves Cardoso
BAR
Hoje sirvo:
COM ÁLCOOL
Angel's Choice
Ingredientes :
2 cl de batida de coco
1 bola de gelado de nata
3 fatias de manga
12 cl de sumo de laranja/manga
Gelo
Método de Preparação :
Coloque no batedor todos os ingredientes com gelo moído. Triture e sirva em copo de long drink,
SEM ÁLCOOL
Diet Before Dinner
Ingredientes :
2 cl de sumo de limão
2 cl de sumo de laranja
2 cl de sumo de ananás
1 cl de sumo de maracujá
Gelo
Método de Preparação :
Coloque no shaker todos os ingredientes com gelo. Agite e sirva em flute.
MÚSICA
Adele - Turning Tables (Live at Largo). Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist na barra lateral direita.
domingo, maio 29, 2011
A Indignação dos Anjos

domingo, abril 03, 2011
Quinze Pontos na Alma
Para ver e ouvir coloque em pausa o Music Playlist na barra lateral.
domingo, março 13, 2011
Geração à Rasca
quinta-feira, dezembro 23, 2010
sábado, outubro 16, 2010
Escrever é uma pedra lançada no poço fundo

Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto — e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio terrivelmente perigoso: dele arranco sangue. Sou um escritor que tem medo da cilada das palavras: as palavras que digo escondem outras — quais? talvez as diga. Escrever é uma pedra lançada no poço fundo.
Clarice Lispector
sábado, junho 19, 2010
Adeus José Saramago
domingo, janeiro 03, 2010
Correndo Colina Acima

Há uns tempos atrás, numa convenção onde estive presente, a oradora perguntava e comentava:
De manhã sorriem para o espelho ?
Se não sorrirem para o espelho ele nunca vai sorrir para vós...
Que este ano seja um ano de sorrisos...
Feliz 2010.
BAR
Hoje sirvo:
Cocktail de Pêssego
Ingredientes :
2 garrafas de champanhe
1 lata de pêssego em calda
Método de Preparação :
Coloque o pêssego com a calda no batedor(liquidificador). Adicione uma garrafa de champanhe bem gelada e bata bem.
Coloque num jarro, junte a outra garrafa e gelo picado, misture bem.
MÚSICA
Sirvo ainda : Running Up That Hill – Placebo. Para ver e ouvir coloque em pausa o Music Playlist na barra lateral.
quinta-feira, dezembro 24, 2009
Neste Bar Mora Gente Feliz
Há dias, estava a comprar prendas de Natal numa loja de artesanato e eis que vi algo que ofereci a mim mesma. Algo, que considero a prenda da minha vida e da minha casa -um azulejo pintado à mão, emoldurado com uns bonequinhos e que reza algo como "Aqui mora gente feliz". Sim orgulho-me de dizer que na minha casa mora gente feliz e é o que mais desejo a todos os leitores e amigos. Sejam sempre muito felizes. Eu, eu sei que finalmente, e agora, sou.
Bem Haja a todos. Feliz Natal.
BAR
Hoje sirvo:
COM ÁLCOOL
Night Zone
Ingredientes :
.2cl vodka
.sumo de morango
.2cl contrain
.sumo de laranja natural
.1cl de vinho do porto
Método de Preparação :
Colocar tudo num shaker e mexer 1 minuto.
SEM ÁLCOOL
Shaked Pineapple
Ingredientes :
.Sumo de Maça(3/4);
.Groselha(1/4 ou menos);
.Gelo a gosto.
Método de Preparação :
Colocar gelo a gosto num shaker. Colocar os ingredientes como descrito e abanar bem. Quando o gelo estiver todo desfeito servir no copo com uma pedra de gelo.
MÚSICA
Sirvo ainda :Last Christmas – David Fonseca. Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist na barra lateral.
sábado, outubro 10, 2009
Ler-me (Monstros Electrónicos III)
“Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio”
Mário de Sá Carneiro
Hoje quem escreve é P.P. Lembram-se de Monstros Electrónicos (aqui)? e Alcool Puro – Monstros Electrónicos II (aqui)? A música também é servida por ele… E eu ? Eu, sirvo a bebida…
Foi muito giro ler-me...mesmo que tenha o papel de "Monstro". Mas não me sinto demasiado mal com isso, não mesmo. Eu sou uma pessoa que está fora do circuito que a vida nos pede para executar. A ideia de apenas podemos estar "bem" e felizes se tivermos uma família e criamos filhos.....deixa-me completamente gelado. Aprendi que é um conceito bom para a sobrevivência da nossa espécie, foi uma maneira para a qual evoluímos e reflecte claras vantagens para a espécie. Mas....mas... eu faço parte do grupo que já não tem paciência para viver isso e mantive intacta esta força interior de ser caçador. Ser caçador, monstro ou o que quiserem chamar, é mais uma herança que não criei, apenas trouxe do passado. E mais uma vez....é bom para a nossa sobrevivência. Se o mundo biológico fosse perfeito eu já não deveria sentir o desejo diário que sinto. E com tudo isto.... qual o resultado ? Criar um filho ? sim isso tento fazê-lo da melhor maneira ... mas e o resto ? estar só ? sim com certeza, outro cenário é ridículo. Cada vez que leio, e aprendo mais sobre como o nosso cérebro funciona, riu-me das coisas que sentimos. Amor ? :-) Esse sentimento que resulta numa obsessão química do nosso cérebro e que nos pode levar ao céu ou ao inferno...tsss tsss tsss é como uma droga. Não se pode perder o seu controlo... para não sermos controlados por ela. E agora depois de ver tanta vida... amor lê-se cada vez mais com outros significados. "Amor" na maior parte das vezes serve para permitir exercitar pura paixão e desejo, para dividirmos as dificuldades da vida e pagarmos, para não sofreremos de solidão, para sentirmos que cumprimos o papel que a vida standard nos determina. Está instituído na nossa espécie que todas estas razões são admissíveis. Para mim só existem apenas dois tipos de pessoas que se permitem amar: Aqueles que se deixam levar pelo que sentem sem nada questionar ou aqueles que conseguem ser falsos e dissimulados para levar a sua avante. Eu.....eu não sou nenhum dos dois.
P.P.
Obrigada P.
BAR
Hoje sirvo:
COM ÁLCOOL
Caipiblack
Ingredientes :
Meia Lima
Açucar Amarelo
Gelo Picado
Eristoff Black
Método de Preparação :
Igual à Caipirinha, mas com Eristoff Black no lugar da Cachaça.
SEM ÁLCOOL
Morang Ice
Ingredientes :
1 kiwi
4 morangos
1 a 2 colheres (chá) de açúcar
1 gota de limão
Gelo
Método de Preparação :
Ponha o kiwi na batedeira com uma colher de chá de açúcar, bata durante meio minuto, depois ponha no fundo do recipiente em que vai servir a bebida com 2 gotas de limão. Em seguida deite os morangos na batedeira juntamente com gelo e uma colher de chá de açúcar. Bata tudo e ponha por cima do kiwi. Sirva com uma palhinha.
MÚSICA
E ainda, servido por P. :New Divide - Linkin Park. Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist na barra lateral.
quarta-feira, agosto 26, 2009
Aos Leitores e Amigos
segunda-feira, maio 25, 2009
Hóspede Num Mundo Estranho
No mito grego os andróginos eram duplos, fortes e velozes. Tentaram escalar o Olimpo para se fazerem deuses, mas Zeus os cortou pelo meio e devolveu-os mutilados ao rés-do-chão. Esse homem mutilado povoou a Terra e foi ele que os cientistas mutilaram de novo, reduzindo-o a apenas um quarto do homem original. Não é de admirar que esse homúnculo actual — recalcado, vaidoso e insolente como aquele pedacinho de fermento do Lobo do Mar de Jack London — esteja agora explodindo na angústia e nos delírios da sua impotência.
J. Herculano Pires
Desço da tela. Na escadaria contam-se degraus abantesmas da pseudociênia. Os sinais físicos da morte e o luto latente. Sinto a corrente nos altos estudos e os olhos dos que passaram pela vida mas não a viveram. Trago o ritual dos psicóticos. Madruguei com ele. Compreensível ao meu toque, mundo externo intratável para outros. Como que o chá das cinco a saber a café queimado. Ou será cremado? O perder o contacto com a realidade. A certeza de um Profeta a desmembrar camas no Júlio de Matos. Não o risquei do mapa. Alguém agarrou na minha mão e num arabesco predisse, contrariando Sartre: “O homem não é uma frustração”. Compreendi. A alma cárcere do mal é a que não se conhece, uma luz afundada na bruma relembrando Plotino. Foi-nos pedido, um dia, e pelos nossos familiares, para nos esquecermos de ser nós mesmos. Afundarmos o bom e o justo, o ser-se normal de Durkheim, e passarmos a ser uma guinada fantasma numa estrada febril. Para Poe trabalhos com significados óbvios deixam de ser arte. Por isso, subsistiu a dúvida dissimulada se queria voltar a valsar com os vampiros e o seu processo alucinante. Mas lá fora, também não estava muito longe, reconhecimento da área, telefone desligado para afugentar mais vampiros galanteadores donjuanescos e incubus avassaladores que se passeiam ao nosso lado como sombras. Apelei ao meu corpo-bioplásmico da mulher, luminosa e cintilante eternamente emboscado. Na outra vida, descendência de mau filme, sorvi as gerações jogadas aos bichos, na senda do enigma da Esfinge de Édipo. Leste-me o futuro, sem desvendar a hora do nosso adeus, em vida material, nas gerações espúrias. Talvez sentisses o flagelo, depois de muitos anos, do mundo em que acordei rasurando a torre de babel e os loucos dialectos. Até despertei no berço duma amiga que falava da minha vida passada para ter a certeza que eu não voltava para ela. Por sede de poder e dinheiro, qual diamante de sangue, queria essa amiga ocupar o meu antigo trono. Não sabia ela, que a consciência humana define o humano, é ela que caracteriza o homem como poder e como ser.* E a consciência dessa amiga é sanguinária, um vampirismo atroz instalou-se na sua alma gangster e mais que rode nada brilhará em si. Pode caracterizar-se em sandálias de grife e moldar o cabelo dia sim dia não que ninguém reparará. Levou-me até ela os dias de descida, alcatrão fora, da Duque D’Ávila, dos medos quando aluguei o Dragão ao S. Jorge como presságio aprendiz da arte da guerra. No peito subsistia um nicho mais forte, inexplicável para o psiquiatra. Nada que, um dia, um clínico geral não atrapalha-se com uma porção de Xanax. Tu sabias que nada me faria renunciar o mundo e recolher a alma, isso era para os aprendizes de feiticeiros. Flagelado destino para os acomodados em freio duro. Abafei-me, confessando-me na adrenalina dos escritos dos que admiro. Os seus livros, as suas páginas são como que o meu confessionário para fugir aos fazedores de monstros, ao mundo onde acordei e não saberei nunca viver. Não percebi quando me disseste, em tom de morto o cão, morta a raiva: “Hoje sou feliz pela tua tristeza”. Na realidade o que me agonizava era a minha salvação, daí o teu regozijo. Aos poucos o navio abandonava-me e isso era condição essencial. Afiançavas-me o equilíbrio. Como que me instruíste, mais tarde, e porque os caminhos são sinuosos, que há amigos, colegas, familiares directos e aparentes pessoas que agem sobre nós por indução mental e afectiva. Tentam convencer-nos a fazer o que desejam e que não podem fazer por si mesmos. E a maioria dá-lhes o sangue. Injectei a lição. Abandonei a valsa. E por isso, e por fim, sinto-me salva mas entendo-me anti-social...
Notas:
* J. Herculano Pires
BAR
Hoje sirvo:
COM ÁLCOOL
Long Island Ice Tea
Ingredientes :
1cl Vodka
1cl Gin
1cl Rum Bacardi
1cl Tequilla
1cl Tiplice Seco
2cl Sumo de Limão
Coca-Cola q.b.
Método de Preparação :
.Moer o gelo
.Encher o long drink com gelo
.Colocar a vodka, gin, bacardi, tequilla, triplice seco e o sumo de limão no copo
e depois encher conforme o seu gosto com coca-cola
.Pode decorar o copo com 1/2 rodela de limão e 1 cereja
SEM ÁLCOOL
Shake Diet de Limão
Ingredientes :
1 caixinha de gelatina diet de limão
1 iogurte natural desnatado,
100 ml de leite desnatado,
8 a 10 pedras de gelo;
Método de Preparação :
Em primeiro lugar, ferva o leite, em seguida coloque numa taça juntamente com a gelatina. Coloque em copos altos, ponha o gelo e por fim o iogurte.
MÚSICA
Sirvo ainda: do filme Habla Con Ella . Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist abaixo.
segunda-feira, abril 13, 2009
Fogos-Fátuos ?
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
António Ramos Rosa
O Génio estendeu-me a garrafa de vodka e sorriu. Um Star Wars tomou a dianteira no meu ecrã, mediu forças e o que restou foram muitas estrelinhas que é assim que as crianças vêem o amor. À menina Concha* o Génio passou-lhe a lamparina, situação normal quando saltamos para o mundo dos contos árabes e das muitas fictícias noites. Estávamos caídos no Bar partindo gelo com esquimós oriundos de embalagens esquecidas de Prozac, fazedoras de sonhos momentâneos. Daquela garrafa por mais que esfregasse só retiraria uma praga de hesitações minhas e em público, salvaguardando a menina bem comportada do meu acanhado jeito de ser. Trancas à porta, teimosias, ele sempre soube que no meu colo, efectivamente, nunca espartilhado desejo ousou beber sequer uma chávena de café. Ambição retardada, imaginação doente e contrafeita foram elos com a princesa Concha que desejou, após esfregar a lamparina, deitar fora o coração e obrigá-lo a ficar sozinho no fundo mar. Um broken heart, usou-se e usa-se neste tempo tal como as modas nas passareles, trilho das divas aos solavancos nos sapatos de grife. Na vida artificial e provocada, um Transformer, ser de filmes reais, veio enfatizar a minha bíblia riscada (regaço acima, passeio os grandes mestres das artes literárias que alguém quis cortar-me dos dedos, os verdadeiros artistas, só depois vêm os clássicos cinematográficos). Chegado do congresso dos Génios, lá no outro lado do mundo, o Transformer converteu o buraco existente, meu peito adentro, num amontoado de segredos e receitas de Shariar, o rei traído de Sherazade. Pois, nessa altura, havia uma toca bem no centro da minha alma donde espreitavam por gelosias feras incompletas por mim. E eu, a pensar que já tinha muito papel espalhado pelo bar e até sussurrei e pedi aos anjos que recortassem o “love como nos filmes” e deitassem o resto fora. Afinal, alguém disse um dia que, o amor é a serena brincadeira dos adultos. Queria ver isso. Eu não pedi nada ao Génio, só queria um pouco de companhia, eu própria agarrei no parvo do meu coração ainda a fazer beicinho, amarfanhei-o entre os dedos e procurei uma Nautilus*, igual à de Concha, soprei-o lá para dentro e em vinte mil léguas submarinas apedrejei o oceano. Não olhei para trás, ao contrário de Concha, coloquei-lhe um código pass daqueles para esquecer. Também queria aprender a ser sozinha. Nada de resgatar mortos do esquecimento, apenas ficou o sexo fiel a alguém e descartável. Dangerous game for my mind. Mas os homens sabem bem o timming e a hora de partir antes que subsista algo mais, no fundo, no fundo, eu também não queria. Diferente de Concha, não desejei o rapaz de cabeça cheia de caracóis por fora e ideias por dentro. Isso para mim cheirava a pastilha mastigada. O verdadeiro amor é como a aparição dos espíritos: toda a gente fala dele, mas poucos o viram*. Ai está, não sei se fada sininho, se anjo real, transformada a lacuna do meu peito pelo Transformer assaltante e, no momento preciso de um flash, eu vi o amor e sei que sou das poucas que o vejo. O Génio contra minha vontade, soprou tão rápido, e ao mesmo tempo que nem me apercebi. Atenção desperta, veio mais uma história e nos recônditos árabes as 1001 noites passaram a ter 1002 histórias. Sherazade inspirou-se e deixou uma história ardendo na lamparina, só eu não percebi. Dentro da Nautilus entraram dois corações, um soprado pelo Génio e outro por mim e permanecem no fundo do mar, bem juntos. Surpresa, a garrafa de Vodka é para eu brindar. Brindar à paixão. Por isso este Bar hoje é um … templo… um templo de amor… Brindemos.
* Personagem da história para crianças “A rapariga que perdeu o coração” de Margarida Rebelo Pinto. Concha é uma menina sonhadora que após um grande desgosto, e incapaz de suportar a tristeza, pede ao génio da lamparina para que este lhe esconda o coração no fundo do mar dentro duma concha Nautilus.
** Concha em espiral
*** François La Rochefoucauld
BAR
Hoje sirvo:
COM ÁLCOOL
Coffe Shot
Ingredientes :
Licor de Café
Vodka
Tequila
Baileys
Método de Preparação :
Deve-se colocar as bebidas com a mesma ordem dos ingredientes, em medidas iguais.
SEM ÁLCOOL
Peach Ice
Ingredientes :
1 Pêssego ou nectarina
1 Pêra
Gelo
Limão
Método de Preparação :
Bater o pêssego com gelo e meter num copo, depois bater a pêra tambem com gelo e deitar por cima do preparado anterior, de seguida coloca-se umas gotas de limão.
Há quem lhe junte um pouco de vodka ;) ha ha ha
MÚSICA
Sirvo ainda: Let Me Be Myself - 3 Doors Down.
domingo, março 22, 2009
Ventanias Soltas
these words I write keep me from total madness
Charles Bukowski
No meu mundo dorme-se em cama de refluxo da maré vaza. Tenho à boca do estômago um psicopata ténue que se passeia pelos lençóis em noites do macabro e quotidiano. Adivinhaste-o no dia em que te contei que me uniria a alguém com a brevidade com que se alivia o fardo de um burro estreloucado. Adivinhaste a Karen em busca de um Denys Finch Hatton sobrevoando uma plantação de café no Quénia. Sem coordenadas, de forma alguma o tinha encontrado. Out of África. Na altura troquei a nossa terra pelo Direito. Pelo arrumar das câmaras dos filmes de acústica resvalada dentro da alma, como quem arruma carros direitinhos à porta de ébrias casas de fado. Fugia a sete pés de um pó de mina débil que assolava uma cabeça doente. A cabeça que me dirigia, valha-nos Deus. E busquei o Drácula que antevi caminhando nos mausoléus de Frida Kahlo, aquela que recebia encomendas de dores vindas do céu. Eu também as recebia, mas vindas do Inferno. Procurava o Anjo da Guarda como Santo António procura noivas nas ruas pombalinas agora rebentadas de carros. As promessas colhidas, às colheradas, dos livros que nos levavam à lua enquanto desfolhava um mil-folhas trazido do café central. Os heróis da Marvel, servidos debaixo da cama, quando alguém espreitava para ver se eu estava a estudar. Estudava na véspera e pronto. Era escusado pedirem-me mais. O Homem-Aranha e o Capitão América, contra os maus, vestiam-me de vida enquanto os Xutos contavam-me histórias no leitor de cassetes. Abraçava as tuas ideias como a invasão das Bombokas lavada com sabão Clarim, para depois as escrevinhar num zoom fotográfico a muitos pixel por segundo. Sim, fui embora na imperfeição, mascando uma pastilha Pirata que engoli e se colou para sempre no meu coração. Fui cedo e a más horas. Diziam as conversas de praia, e as tuas, que casei com quem me levou as letras em carrinhos de feira, num choque tremendo com o ego e o sobrenatural. Casei com quem se auto-denominou de Jesus Cristo e de todos os profetas, num esbanjar de moedas jogadas de um Judas traidor. Sim casei com um bolero bipolar. Em tantas notas como uma pauta de Karajan tocada por palhaços que falam alto e em bom som nas minhas madrugadas a rezar à porta das clínicas de malucos. Quando voltei, a cidade levou-te porque só nela se pode dar asas ao desejo, e nada me ilibou o crime na câmara ontológica de Hitchcok. Amorteci a queda no amor cão, porque só outro amor cão nos eriça a inspiração. Só disso é que me sobra desejo, da burrice saloia de ir atrás e não esperar que venham atrás. Ficou o beijo em livro, a trinca da bela da bolacha americana enquanto eu conto carneiros vermelhos à porta do cinema, na era do colesterol. Parece que passaram mesmo cem anos de solidão e, tirando as palavras da boca de Clarice L., "a minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite*”. Lembro-me que me olhaste e naquele ar de sempre autoritário, no bom sentido, antevês-te o futuro real à boca duma Patagónia que se adivinhava a definhar quando eu parasse de escrever. Disseste-me, em poucos segundos de película, quantos anjos eram os negros. E o meu estado futuro e vegetativo a adorar um psicótico egocêntrico. Só não me disseste uma coisa: É que tudo iria ser muito mais desumano, como que um disco riscado dentro da minha cabeça, e “o que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós*”…
*Clarice Lispector
BAR
Hoje sirvo:
COM ÁLCOOL
Drink of Lx
Ingredientes :
Gelo
4 cl vodka de morango
2 cl Bacardi lemon
sumo de limão qb
Método de Preparação :
Num copo com gelo coloca-se aproximadamente 4 cl de vodka de morango, seguidamente 2 cl de bacardi lemon e preenche-se com sumo de limão. Pode colocar-se uma rodela de limão.
SEM ÁLCOOL
Caipirinha Sem Álcool
Ingredientes :
Água Tónica
Açucar Amarelo
1/4 Lima
Sumo de Limão
Método de Preparação :
Macerar bem 1/4 de lima com açucar amarelo, depois juntar 1 dash de sumo de limão, mexer bem, depois de bem mexido juntar a água tónica, acabar de encher o copo com gelo moído.
MÚSICA
Sirvo ainda: Out of África. Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist da barra ao lado direito.
domingo, março 08, 2009
Crónica de Filha em Carnavais de Betão e Dias de Cão

Escreve. Seja uma carta, um diário ou umas notas enquanto falas ao telefone, mas escreve. Procura desnudar a tua alma por escrito, ainda que ninguém leia; ou, o que é pior, que alguém acabe lendo o que não querias. O simples acto de escrever ajuda-nos a organizar o pensamento e a ver com mais clareza o que nos rodeia. Um papel e uma caneta fazem milagres, curam dores, consolidam sonhos, levam e trazem a esperança perdida. As palavras têm poder.
Paulo Coelho
Lápis de cor amontoados num mikado colorido. Retiro o suspiro de Carnaval que desceu a Avenida. Achei-o cinzento. Achei-o da cor com que o meu pai me pintou a eterna cobrança da perfeição. Um mal danado de um chove não molha de pressão psicológica. Refrão de angústia que Jobim cala quando o idolatro em mais um transplante de alma falhado. Olhando, dez mil anos antes de Cristo, sem coros de igreja, homens, mulheres e crianças reuniam-se mascarados para espantar os demónios que cortavam os pulsos sobre as suas plantações. Levados para a cama pela fome de jantar posto na terra, eram sorvidos pelos de sangue azul. [Agora é o mesmo]. Não havia jardins. Reservavam-se flores para Babilónia. O corso destinava-se a sobrevivências. A origem do Carnaval é obscura, fez-me crer o patriarca. Dum religioso primitivo pagão que homenageia o, para ele, assustador Ano Novo e algo mais, o ressurgimento da natureza. Fingimento montado em andaime certificado. Será? Edificava-se a exigência e o desconhecimento do mundo. O enjaulamento na escola, o carreiro certo sem desvios, nem para entrar na livraria a cinco tostões de levar uma tareia do Rei Momo. Um dia a professora primária carimbou-me o A4 com o “X” e um xaile carnavalesco para que eu desce-se nele, e em linha de vida, um algeroz de canetas de feltro. Agarrei num lápis cor de burro e zumba fiz desaparecer o manto, sei porquê. A alma, num antónimo provocado, traía-me. Companheira de guerra dos meninos, em confettis desbotados, carimbou-me a régua as falanges e as falangetas de dor. Nestas horas desejava ter mãos de tesoura e cortar a minha paixão louca por sorrir um pouco. Gostava de rir, mas a expressão folia dos lábios era abalroada em papel de parede claustrofóbico de um quarto de poucos metros quadrados que usava para fugir. Na rádio local espevitava-se a esperteza saloia e em reclames da época avivava-se o Pierrô de traços andróginos e anjo do bem. Via Columbinas de Veneza, [vejo Columbinas bailarinas fúteis,] simbolizando a Terra equinocial em dias de amores ilícitos. E o tentador Arlequim italiano de desejos e tentações realizados na protecção do anonimato das máscaras. Estranha forma de vida*. Num bluff predador, não me era permitido ter amizades. Proibidas as pulseiras de trapo e linhas. Proibida a televisão, a música, o vídeo, proibidos os posters, os passeios, a praia mesmo à porta. Só me lembro da tabuada decorada para não apanhar. Parecia que andava sempre com um ovo estrelado na cara e os números prontos a serem disparados da boca. Amarela, na catequese, desenhava o único trajecto permitido. Percurso até ao conclave, num Bispo traçado, que também enganou, enquanto o Diabo esfregava o olho. Lés a lés, código do divórcio, apaguei os dias especiais. Nada de dias do pai, dos anos, dos namorados, da mulher. Ficou-me os dias de cão sem chocolates, nem pastilhas, nem amor. Diários medidos a metro e em buracos de balas ainda alojadas e a granel na minha Tucha (a Barbie do meu tempo) das brincadeiras. As serpentinas foram enroladas no homem autoritário que chamei ignorante por conta própria. Pois viver é a coisa mais rara do mundo **. E ontem saí para a rua, cancelei o stand-by, senti-me uma pita de 6 anos no meio do cortejo da terça-feira, feriado facultativo dos corsos e grémios de loucura. E transpus a Directiva carnavalesca do obrigatório sorrir. Continuo a não ter mãos de tesoura, nem tencionei atirar ovos e guaches dos tempos idos, esses ficaram no banco dos réus. Digitei a password que me permitiu a dimensão actual. Correndo o risco de encontrar o Rei Momo, olhei os meninos da escola e da creche descendo a rua principal. No meio daquela gente toda, vi-me e encontrei-me… De sorriso amarelo, uma menina mascarada descia a rua, traje a combinar com as teorias de evolução de Darwin. Em directo para a rádio local, o locutor gritou, depois de dizer o nome da escola: Não posso acreditar! Vai aqui uma princesa... Uma princesa com uma pistola na mão!!!!!!
*Amália Rodrigues
**Oscar Wilde
BAR
Hoje sirvo:
COM ÁLCOOL
Long Drink Flamenco
Ingredientes :
2 doses de Campari
3 cl de Vodka
Espumante
Gelo
Método de Preparação :
Junte o Campari e a Vodka num copo alto, acabe de encher com o espumante e mexa rapidamente com uma colher.
SEM ÁLCOOL
Batido de Abacaxi
Ingredientes :
1 abacaxi
1 lata de leite condensado
2 garrafas de guaraná
Método de Preparação :
Bater tudo no copo de batidos.
Passe por peneira fina.
Servir bem gelado.
MÚSICA
Sirvo ainda: Elis Regina- É com esse que eu vou . Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist abaixo.







