Encontrei esta foto :) que para mim estava perdida. Tirei-a num momento só e triste, corria o ano de 2006. Fim duma tarde de Verão, Praia do Porto Novo em Vimeiro. A praia estava vazia. De repente, chegaram vários jovens, muito alegres. Um meteu-se numa canoa e partiu e os outros ficaram a observar como se a tarde e o mar não tivessem fim… Eu do último andar do “Promar”, naqueles quartos de fachada de vidro que entram pelo mar a dentro, senti uma paz gigante e eternizei este momento.
Nas nossas vidas, quando caminhamos sós, existem sempre duas plateias que nos observam: aqueles que torcem, infelizmente, para que a nossa vida seja vazia e apagada; e aqueles que torcem e gritam pela nossa felicidade. Entendi, que apesar estar só, a plateia que me assistia era a viva e gloriosa e que torcia imenso por mim.
Existem fases e caminhos mais sinuosos na nossa vida, mas é momentos como este que nos levam a acreditar... afinal “é durante as tempestades que o verdadeiro marinheiro aprende a velejar*.”
"Atravessa esta paisagem o meu sonho dum porto infinito E a cor das flores é transparente de as velas de grandes navios Que largam do cais arrastando nas águas por sombra Os vultos ao sol daquelas árvores antigas... O porto que sonho é sombrio e pálido E esta paisagem é cheia de sol deste lado... Mas no meu espírito o sol deste dia é porto sombrio E os navios que saem do porto são estas árvores ao sol... Liberto em duplo, abandonei-me da paisagem abaixo... O vulto do cais é a estrada nítida e calma Que se levanta e se ergue como um muro, E os navios passam por dentro dos troncos das árvores Com uma horizontalidade vertical, E deixam cair amarras na água pelas folhas uma a uma dentro... Não sei quem me sonho... Súbito toda a água do mar do porto é transparente e vejo no fundo, como uma estampa enorme que lá estivesse desdobrada, Esta paisagem toda, renque de árvore, estrada a arder em aquele porto, E a sombra duma nau mais antiga que o porto que passa Entre o meu sonho do porto e o meu ver esta paisagem E chega ao pé de mim, e entra por mim dentro, E passa para o outro lado da minha alma...
Monstros e homens lado a lado, Não à margem, mas na própria vida. Absurdos monstros que circulam Quase honestamente. Homens atormentados, divididos, fracos. Homens fortes, unidos, temperados.
Alexandre O'Neil
Para a Sónia, caminhemos pois uma certeza temos, ainda vem por ai mais um Inverno e não vai ser o último…
Querida Sónia,
Saramago disse um dia “se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia”. Vivo esse pensamento a cada dia que passa e a cada minuto que a vida retrata ao andar para trás. Presumo que retirou de mim a veleidade de não querer percorrer as estradas fracas que outrora me brindaram de fingidos artifícios. Mas tudo isso fez como que de mim uma caçadora. Com isso, para ser completa dessa ambiguidade, sabendo que as derrotas não são definitivas, tenho, embora com menos frequência, de retroceder. Lá disse o mestre atrás citado “Nada é para sempre, dizemos, mas há momentos que parecem ficar suspensos, pairando sobre o fluir inexorável do tempo”. O caçador aprende, no acto que o denomina de matador, com o desacerto da sua arte, em anos passados. Descobriu que deve atacar o inimigo que se encontra em desordem. "A guerra é baseada na simulação. Quando se tem capacidade de atacar, simular incapacidade. Quando longe, simular que se está perto."* Muitas vezes, é como ficar nua diante dos meus fantasmas, que já não me tocam, sou feliz e isso amotina-lhes os sentimentos, aprisionando-os nos seus corpos, desordena-os. É mais fácil ser caçadora sorrindo de verdade!
Sabemos de antemão, e pelas atitudes presentes e diárias do ser humano, que a mente humana tem a capacidade da inconsciência quase que permanente. É na inconsciência que se conduzem as vidas, sempre em busca de passadeiras vermelhas e holofotes de protagonismo. E no som desse protagonismo, no vermelho, se pisam corações dos quais se usurpa prazer e onde se tentam camuflar frustrações.
No quotidiano, a máscara comprometida da contradição inválida dos dias é uma caixa de Pandora. Corações de ferro há aos molhos e corações sangrando são folhas de Outono a perder de vista. Mas parece já ninguém se importar. Alguém está estendido no chão da cidade, passam milhares até que outro alguém pare para ver o que se passa. Imagine there's no heaven/It's easy if you try/No hell below us/Above us only sky/Imagine all the people/Living for today…**
Aprendi que o homem é egoísta e egocêntrico na sua totalidade até encontrar o verdadeiro amor. É psicopata, é assassino até encontrar um psicopata e um assassino maior. É comodista de sentimentos. Reserva a si as palavras “isso passa”, é a sua oração É um brinde ao frio, ao mundo delirado por uma qualquer vaca louca. Mas aquilo que mais nos agoniza muitas vezes é a nossa salvação. E com isto digo tudo. Nunca homem algum nos pode deixar em agonia. É um fogo-fátuo. Se ai chegamos devemos, de imediato, entender que essa é a nossa última luta contra a morte. Shakespera disse "vivi muito tempo, e o caminho da minha vida perde-se nas folhas amarelas e secas." Sigamos em frente, a agonia é mais uma peça de vestuário, um tiro na nossa alma, mas ainda vêm ai o Inverno e só nós sabemos acender a nossa lareira, retirar as balas. O fogo está em saber a verdade que dói aos monstros e é com essa verdade que os derrotamos mesmo sabendo que alguns nunca vão encontrar o amor: "Só um mundo de amor pode durar a vida inteira." ***
*Sun Tzu
**Jonh Lennon
***Miguel Esteves Cardoso
BAR Hoje sirvo:
COM ÁLCOOL
Angel's Choice
Ingredientes :
2 cl de batida de coco
1 bola de gelado de nata
3 fatias de manga
12 cl de sumo de laranja/manga
Gelo
Método de Preparação :
Coloque no batedor todos os ingredientes com gelo moído. Triture e sirva em copo de long drink,
SEM ÁLCOOL
Diet Before Dinner
Ingredientes :
2 cl de sumo de limão
2 cl de sumo de laranja
2 cl de sumo de ananás
1 cl de sumo de maracujá
Gelo
Método de Preparação :
Coloque no shaker todos os ingredientes com gelo. Agite e sirva em flute.
MÚSICA
Adele - Turning Tables (Live at Largo). Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist na barra lateral direita.
«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»
José Saramago - Cadernos de Lanzarote - Diário III
*Foto tirada do cockpit do avião, em 13 Janeiro de 2011, pelo Comte. José Costa.
Ainda emocionada... Na antestreia de Quinze Pontos na Alma, Quarta-feira, acariciei os meus pontos e mais uma vez tive a certeza que sou mais feliz tendo de viver com eles...
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O silêncio é muito mais ruidoso que uma boa gargalhada
Parabéns Amigo Vicente. É de talento que a tua Alma é feita.
Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto — e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Neste vazio é que existo intuitivamente. Mas é um vazio terrivelmente perigoso: dele arranco sangue. Sou um escritor que tem medo da cilada das palavras: as palavras que digo escondem outras — quais? talvez as diga. Escrever é uma pedra lançada no poço fundo.
Há dias, estava a comprar prendas de Natal numa loja de artesanato e eis que vi algo que ofereci a mim mesma. Algo, que considero a prenda da minha vida e da minha casa -um azulejo pintado à mão, emoldurado com uns bonequinhos e que reza algo como "Aqui mora gente feliz". Sim orgulho-me de dizer que na minha casa mora gente feliz e é o que mais desejo a todos os leitores e amigos. Sejam sempre muito felizes. Eu, eu sei que finalmente, e agora, sou.
Bem Haja a todos. Feliz Natal.
BAR
Hoje sirvo:
COM ÁLCOOL Night Zone
Ingredientes : .2cl vodka .sumo de morango .2cl contrain .sumo de laranja natural .1cl de vinho do porto
Método de Preparação : Colocar tudo num shaker e mexer 1 minuto.
SEM ÁLCOOL
Shaked Pineapple
Ingredientes : .Sumo de Maça(3/4); .Groselha(1/4 ou menos); .Gelo a gosto.
Método de Preparação : Colocar gelo a gosto num shaker. Colocar os ingredientes como descrito e abanar bem. Quando o gelo estiver todo desfeito servir no copo com uma pedra de gelo.
MÚSICA
Sirvo ainda :Last Christmas – David Fonseca. Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist na barra lateral.
“Eu não sou eu nem sou o outro, Sou qualquer coisa de intermédio” Mário de Sá Carneiro
Hoje quem escreve é P.P. Lembram-se de Monstros Electrónicos (aqui)? e Alcool Puro – Monstros Electrónicos II (aqui)? A música também é servida por ele… E eu ? Eu, sirvo a bebida…
Foi muito giro ler-me...mesmo que tenha o papel de "Monstro". Mas não me sinto demasiado mal com isso, não mesmo. Eu sou uma pessoa que está fora do circuito que a vida nos pede para executar. A ideia de apenas podemos estar "bem" e felizes se tivermos uma família e criamos filhos.....deixa-me completamente gelado. Aprendi que é um conceito bom para a sobrevivência da nossa espécie, foi uma maneira para a qual evoluímos e reflecte claras vantagens para a espécie. Mas....mas... eu faço parte do grupo que já não tem paciência para viver isso e mantive intacta esta força interior de ser caçador. Ser caçador, monstro ou o que quiserem chamar, é mais uma herança que não criei, apenas trouxe do passado. E mais uma vez....é bom para a nossa sobrevivência. Se o mundo biológico fosse perfeito eu já não deveria sentir o desejo diário que sinto. E com tudo isto.... qual o resultado ? Criar um filho ? sim isso tento fazê-lo da melhor maneira ... mas e o resto ? estar só ? sim com certeza, outro cenário é ridículo. Cada vez que leio, e aprendo mais sobre como o nosso cérebro funciona, riu-me das coisas que sentimos. Amor ? :-) Esse sentimento que resulta numa obsessão química do nosso cérebro e que nos pode levar ao céu ou ao inferno...tsss tsss tsss é como uma droga. Não se pode perder o seu controlo... para não sermos controlados por ela. E agora depois de ver tanta vida... amor lê-se cada vez mais com outros significados. "Amor" na maior parte das vezes serve para permitir exercitar pura paixão e desejo, para dividirmos as dificuldades da vida e pagarmos, para não sofreremos de solidão, para sentirmos que cumprimos o papel que a vida standard nos determina. Está instituído na nossa espécie que todas estas razões são admissíveis. Para mim só existem apenas dois tipos de pessoas que se permitem amar: Aqueles que se deixam levar pelo que sentem sem nada questionar ou aqueles que conseguem ser falsos e dissimulados para levar a sua avante. Eu.....eu não sou nenhum dos dois.
P.P.
Obrigada P.
BAR
Hoje sirvo: COM ÁLCOOL Caipiblack
Ingredientes : Meia Lima Açucar Amarelo Gelo Picado Eristoff Black
Método de Preparação : Igual à Caipirinha, mas com Eristoff Black no lugar da Cachaça.
SEM ÁLCOOL Morang Ice
Ingredientes : 1 kiwi 4 morangos 1 a 2 colheres (chá) de açúcar 1 gota de limão Gelo
Método de Preparação : Ponha o kiwi na batedeira com uma colher de chá de açúcar, bata durante meio minuto, depois ponha no fundo do recipiente em que vai servir a bebida com 2 gotas de limão. Em seguida deite os morangos na batedeira juntamente com gelo e uma colher de chá de açúcar. Bata tudo e ponha por cima do kiwi. Sirva com uma palhinha.
MÚSICA
E ainda, servido por P. :New Divide - Linkin Park. Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist na barra lateral.
"uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente."
No mito grego os andróginos eram duplos, fortes e velozes. Tentaram escalar o Olimpo para se fazerem deuses, mas Zeus os cortou pelo meio e devolveu-os mutilados ao rés-do-chão. Esse homem mutilado povoou a Terra e foi ele que os cientistas mutilaram de novo, reduzindo-o a apenas um quarto do homem original. Não é de admirar que esse homúnculo actual — recalcado, vaidoso e insolente como aquele pedacinho de fermento do Lobo do Mar de Jack London — esteja agora explodindo na angústia e nos delírios da sua impotência.
J. Herculano Pires
Desço da tela. Na escadaria contam-se degraus abantesmas da pseudociênia. Os sinais físicos da morte e o luto latente. Sinto a corrente nos altos estudos e os olhos dos que passaram pela vida mas não a viveram. Trago o ritual dos psicóticos. Madruguei com ele. Compreensível ao meu toque, mundo externo intratável para outros. Como que o chá das cinco a saber a café queimado. Ou será cremado? O perder o contacto com a realidade. A certeza de um Profeta a desmembrar camas no Júlio de Matos. Não o risquei do mapa. Alguém agarrou na minha mão e num arabesco predisse, contrariando Sartre: “O homem não é uma frustração”. Compreendi. A alma cárcere do mal é a que não se conhece, uma luz afundada na bruma relembrando Plotino. Foi-nos pedido, um dia, e pelos nossos familiares, para nos esquecermos de ser nós mesmos. Afundarmos o bom e o justo, o ser-se normal de Durkheim, e passarmos a ser uma guinada fantasma numa estrada febril. Para Poe trabalhos com significados óbvios deixam de ser arte. Por isso, subsistiu a dúvida dissimulada se queria voltar a valsar com os vampiros e o seu processo alucinante. Mas lá fora, também não estava muito longe, reconhecimento da área, telefone desligado para afugentar mais vampiros galanteadores donjuanescos e incubus avassaladores que se passeiam ao nosso lado como sombras. Apelei ao meu corpo-bioplásmico da mulher, luminosa e cintilante eternamente emboscado. Na outra vida, descendência de mau filme, sorvi as gerações jogadas aos bichos, na senda do enigma da Esfinge de Édipo. Leste-me o futuro, sem desvendar a hora do nosso adeus, em vida material, nas gerações espúrias. Talvez sentisses o flagelo, depois de muitos anos, do mundo em que acordei rasurando a torre de babel e os loucos dialectos. Até despertei no berço duma amiga que falava da minha vida passada para ter a certeza que eu não voltava para ela. Por sede de poder e dinheiro, qual diamante de sangue, queria essa amiga ocupar o meu antigo trono. Não sabia ela, que a consciência humana define o humano, é ela que caracteriza o homem como poder e como ser.* E a consciência dessa amiga é sanguinária, um vampirismo atroz instalou-se na sua alma gangster e mais que rode nada brilhará em si. Pode caracterizar-se em sandálias de grife e moldar o cabelo dia sim dia não que ninguém reparará. Levou-me até ela os dias de descida, alcatrão fora, da Duque D’Ávila, dos medos quando aluguei o Dragão ao S. Jorge como presságio aprendiz da arte da guerra. No peito subsistia um nicho mais forte, inexplicável para o psiquiatra. Nada que, um dia, um clínico geral não atrapalha-se com uma porção de Xanax. Tu sabias que nada me faria renunciar o mundo e recolher a alma, isso era para os aprendizes de feiticeiros. Flagelado destino para os acomodados em freio duro. Abafei-me, confessando-me na adrenalina dos escritos dos que admiro. Os seus livros, as suas páginas são como que o meu confessionário para fugir aos fazedores de monstros, ao mundo onde acordei e não saberei nunca viver. Não percebi quando me disseste, em tom de morto o cão, morta a raiva: “Hoje sou feliz pela tua tristeza”. Na realidade o que me agonizava era a minha salvação, daí o teu regozijo. Aos poucos o navio abandonava-me e isso era condição essencial. Afiançavas-me o equilíbrio. Como que me instruíste, mais tarde, e porque os caminhos são sinuosos, que há amigos, colegas, familiares directos e aparentes pessoas que agem sobre nós por indução mental e afectiva. Tentam convencer-nos a fazer o que desejam e que não podem fazer por si mesmos. E a maioria dá-lhes o sangue. Injectei a lição. Abandonei a valsa. E por isso, e por fim, sinto-me salva mas entendo-me anti-social...
Notas: * J. Herculano Pires
BAR
Hoje sirvo: COM ÁLCOOL Long Island Ice Tea
Ingredientes : 1cl Vodka 1cl Gin 1cl Rum Bacardi 1cl Tequilla 1cl Tiplice Seco 2cl Sumo de Limão Coca-Cola q.b.
Método de Preparação : .Moer o gelo .Encher o long drink com gelo .Colocar a vodka, gin, bacardi, tequilla, triplice seco e o sumo de limão no copo e depois encher conforme o seu gosto com coca-cola .Pode decorar o copo com 1/2 rodela de limão e 1 cereja
SEM ÁLCOOL Shake Diet de Limão
Ingredientes : 1 caixinha de gelatina diet de limão 1 iogurte natural desnatado, 100 ml de leite desnatado, 8 a 10 pedras de gelo;
Método de Preparação : Em primeiro lugar, ferva o leite, em seguida coloque numa taça juntamente com a gelatina. Coloque em copos altos, ponha o gelo e por fim o iogurte.
MÚSICA
Sirvo ainda: do filme Habla Con Ella . Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist abaixo.
Não posso adiar ainda que a noite pese séculos sobre as costas e a aurora indecisa demore não posso adiar para outro século a minha vida nem o meu amor nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
António Ramos Rosa
O Génio estendeu-me a garrafa de vodka e sorriu. Um Star Wars tomou a dianteira no meu ecrã, mediu forças e o que restou foram muitas estrelinhas que é assim que as crianças vêem o amor. À menina Concha* o Génio passou-lhe a lamparina, situação normal quando saltamos para o mundo dos contos árabes e das muitas fictícias noites. Estávamos caídos no Bar partindo gelo com esquimós oriundos de embalagens esquecidas de Prozac, fazedoras de sonhos momentâneos. Daquela garrafa por mais que esfregasse só retiraria uma praga de hesitações minhas e em público, salvaguardando a menina bem comportada do meu acanhado jeito de ser. Trancas à porta, teimosias, ele sempre soube que no meu colo, efectivamente, nunca espartilhado desejo ousou beber sequer uma chávena de café. Ambição retardada, imaginação doente e contrafeita foram elos com a princesa Concha que desejou, após esfregar a lamparina, deitar fora o coração e obrigá-lo a ficar sozinho no fundo mar. Um broken heart, usou-se e usa-se neste tempo tal como as modas nas passareles, trilho das divas aos solavancos nos sapatos de grife. Na vida artificial e provocada, um Transformer, ser de filmes reais, veio enfatizar a minha bíblia riscada (regaço acima, passeio os grandes mestres das artes literárias que alguém quis cortar-me dos dedos, os verdadeiros artistas, só depois vêm os clássicos cinematográficos). Chegado do congresso dos Génios, lá no outro lado do mundo, o Transformer converteu o buraco existente, meu peito adentro, num amontoado de segredos e receitas de Shariar, o rei traído de Sherazade. Pois, nessa altura, havia uma toca bem no centro da minha alma donde espreitavam por gelosias feras incompletas por mim. E eu, a pensar que já tinha muito papel espalhado pelo bar e até sussurrei e pedi aos anjos que recortassem o “love como nos filmes” e deitassem o resto fora. Afinal, alguém disse um dia que, o amor é a serena brincadeira dos adultos. Queria ver isso. Eu não pedi nada ao Génio, só queria um pouco de companhia, eu própria agarrei no parvo do meu coração ainda a fazer beicinho, amarfanhei-o entre os dedos e procurei uma Nautilus*, igual à de Concha, soprei-o lá para dentro e em vinte mil léguas submarinas apedrejei o oceano. Não olhei para trás, ao contrário de Concha, coloquei-lhe um código pass daqueles para esquecer. Também queria aprender a ser sozinha. Nada de resgatar mortos do esquecimento, apenas ficou o sexo fiel a alguém e descartável. Dangerous game for my mind. Mas os homens sabem bem o timming e a hora de partir antes que subsista algo mais, no fundo, no fundo, eu também não queria. Diferente de Concha, não desejei o rapaz de cabeça cheia de caracóis por fora e ideias por dentro. Isso para mim cheirava a pastilha mastigada. O verdadeiro amor é como a aparição dos espíritos: toda a gente fala dele, mas poucos o viram*. Ai está, não sei se fada sininho, se anjo real, transformada a lacuna do meu peito pelo Transformer assaltante e, no momento preciso de um flash, eu vi o amor e sei que sou das poucas que o vejo. O Génio contra minha vontade, soprou tão rápido, e ao mesmo tempo que nem me apercebi. Atenção desperta, veio mais uma história e nos recônditos árabes as 1001 noites passaram a ter 1002 histórias. Sherazade inspirou-se e deixou uma história ardendo na lamparina, só eu não percebi. Dentro da Nautilus entraram dois corações, um soprado pelo Génio e outro por mim e permanecem no fundo do mar, bem juntos. Surpresa, a garrafa de Vodka é para eu brindar. Brindar à paixão. Por isso este Bar hoje é um … templo… um templo de amor… Brindemos.
* Personagem da história para crianças “A rapariga que perdeu o coração” de Margarida Rebelo Pinto. Concha é uma menina sonhadora que após um grande desgosto, e incapaz de suportar a tristeza, pede ao génio da lamparina para que este lhe esconda o coração no fundo do mar dentro duma concha Nautilus.
** Concha em espiral
*** François La Rochefoucauld
BAR
Hoje sirvo: COM ÁLCOOL Coffe Shot
Ingredientes : Licor de Café Vodka Tequila Baileys
Método de Preparação : Deve-se colocar as bebidas com a mesma ordem dos ingredientes, em medidas iguais.
SEM ÁLCOOL Peach Ice
Ingredientes : 1 Pêssego ou nectarina 1 Pêra Gelo Limão
Método de Preparação : Bater o pêssego com gelo e meter num copo, depois bater a pêra tambem com gelo e deitar por cima do preparado anterior, de seguida coloca-se umas gotas de limão.
"Como Confúcio, estou tão absorvida pelo encanto que sinto pela terra e pela vida que a habita que não tenho tempo de pensar no paraíso nem nos anjos" (Pearl Buck)