quinta-feira, dezembro 24, 2009

Neste Bar Mora Gente Feliz


Há dias, estava a comprar prendas de Natal numa loja de artesanato e eis que vi algo que ofereci a mim mesma. Algo, que considero a prenda da minha vida e da minha casa -um azulejo pintado à mão, emoldurado com uns bonequinhos e que reza algo como "Aqui mora gente feliz". Sim orgulho-me de dizer que na minha casa mora gente feliz e é o que mais desejo a todos os leitores e amigos. Sejam sempre muito felizes. Eu, eu sei que finalmente, e agora, sou.

Bem Haja a todos. Feliz Natal.




BAR

Hoje sirvo:

COM ÁLCOOL
Night Zone

Ingredientes :
.2cl vodka
.sumo de morango
.2cl contrain
.sumo de laranja natural
.1cl de vinho do porto

Método de Preparação :
Colocar tudo num shaker e mexer 1 minuto.

SEM ÁLCOOL

Shaked Pineapple

Ingredientes :
.Sumo de Maça(3/4);
.Groselha(1/4 ou menos);
.Gelo a gosto.

Método de Preparação :
Colocar gelo a gosto num shaker. Colocar os ingredientes como descrito e abanar bem. Quando o gelo estiver todo desfeito servir no copo com uma pedra de gelo.


MÚSICA

Sirvo ainda :Last Christmas – David Fonseca. Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist na barra lateral.

sábado, outubro 10, 2009

Ler-me (Monstros Electrónicos III)

Photobucket


“Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio”

Mário de Sá Carneiro

Hoje quem escreve é P.P. Lembram-se de Monstros Electrónicos (aqui)? e Alcool Puro – Monstros Electrónicos II (aqui)? A música também é servida por ele… E eu ? Eu, sirvo a bebida…



Foi muito giro ler-me...mesmo que tenha o papel de "Monstro". Mas não me sinto demasiado mal com isso, não mesmo. Eu sou uma pessoa que está fora do circuito que a vida nos pede para executar. A ideia de apenas podemos estar "bem" e felizes se tivermos uma família e criamos filhos.....deixa-me completamente gelado. Aprendi que é um conceito bom para a sobrevivência da nossa espécie, foi uma maneira para a qual evoluímos e reflecte claras vantagens para a espécie. Mas....mas... eu faço parte do grupo que já não tem paciência para viver isso e mantive intacta esta força interior de ser caçador. Ser caçador, monstro ou o que quiserem chamar, é mais uma herança que não criei, apenas trouxe do passado. E mais uma vez....é bom para a nossa sobrevivência. Se o mundo biológico fosse perfeito eu já não deveria sentir o desejo diário que sinto. E com tudo isto.... qual o resultado ? Criar um filho ? sim isso tento fazê-lo da melhor maneira ... mas e o resto ? estar só ? sim com certeza, outro cenário é ridículo. Cada vez que leio, e aprendo mais sobre como o nosso cérebro funciona, riu-me das coisas que sentimos. Amor ? :-) Esse sentimento que resulta numa obsessão química do nosso cérebro e que nos pode levar ao céu ou ao inferno...tsss tsss tsss é como uma droga. Não se pode perder o seu controlo... para não sermos controlados por ela. E agora depois de ver tanta vida... amor lê-se cada vez mais com outros significados. "Amor" na maior parte das vezes serve para permitir exercitar pura paixão e desejo, para dividirmos as dificuldades da vida e pagarmos, para não sofreremos de solidão, para sentirmos que cumprimos o papel que a vida standard nos determina. Está instituído na nossa espécie que todas estas razões são admissíveis. Para mim só existem apenas dois tipos de pessoas que se permitem amar: Aqueles que se deixam levar pelo que sentem sem nada questionar ou aqueles que conseguem ser falsos e dissimulados para levar a sua avante. Eu.....eu não sou nenhum dos dois.

P.P.


Obrigada P.

BAR

Hoje sirvo:
COM ÁLCOOL
Caipiblack

Ingredientes :
Meia Lima
Açucar Amarelo
Gelo Picado
Eristoff Black

Método de Preparação :
Igual à Caipirinha, mas com Eristoff Black no lugar da Cachaça.

SEM ÁLCOOL
Morang Ice

Ingredientes :
1 kiwi
4 morangos
1 a 2 colheres (chá) de açúcar
1 gota de limão
Gelo

Método de Preparação :
Ponha o kiwi na batedeira com uma colher de chá de açúcar, bata durante meio minuto, depois ponha no fundo do recipiente em que vai servir a bebida com 2 gotas de limão. Em seguida deite os morangos na batedeira juntamente com gelo e uma colher de chá de açúcar. Bata tudo e ponha por cima do kiwi. Sirva com uma palhinha.

MÚSICA

E ainda, servido por P. :New Divide - Linkin Park. Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist na barra lateral.

quarta-feira, agosto 26, 2009

Aos Leitores e Amigos

Meias Férias


"uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente."

Clarice Lispector

segunda-feira, maio 25, 2009

Hóspede Num Mundo Estranho


No mito grego os andróginos eram duplos, fortes e velozes. Tentaram escalar o Olimpo para se fazerem deuses, mas Zeus os cortou pelo meio e devolveu-os mutilados ao rés-do-chão. Esse homem mutilado povoou a Terra e foi ele que os cientistas mutilaram de novo, reduzindo-o a apenas um quarto do homem original. Não é de admirar que esse homúnculo actual — recalcado, vaidoso e insolente como aquele pedacinho de fermento do Lobo do Mar de Jack London — esteja agora explodindo na angústia e nos delírios da sua impotência.

J. Herculano Pires



Desço da tela. Na escadaria contam-se degraus abantesmas da pseudociênia. Os sinais físicos da morte e o luto latente. Sinto a corrente nos altos estudos e os olhos dos que passaram pela vida mas não a viveram. Trago o ritual dos psicóticos. Madruguei com ele. Compreensível ao meu toque, mundo externo intratável para outros. Como que o chá das cinco a saber a café queimado. Ou será cremado? O perder o contacto com a realidade. A certeza de um Profeta a desmembrar camas no Júlio de Matos. Não o risquei do mapa. Alguém agarrou na minha mão e num arabesco predisse, contrariando Sartre: “O homem não é uma frustração”. Compreendi. A alma cárcere do mal é a que não se conhece, uma luz afundada na bruma relembrando Plotino. Foi-nos pedido, um dia, e pelos nossos familiares, para nos esquecermos de ser nós mesmos. Afundarmos o bom e o justo, o ser-se normal de Durkheim, e passarmos a ser uma guinada fantasma numa estrada febril. Para Poe trabalhos com significados óbvios deixam de ser arte. Por isso, subsistiu a dúvida dissimulada se queria voltar a valsar com os vampiros e o seu processo alucinante. Mas lá fora, também não estava muito longe, reconhecimento da área, telefone desligado para afugentar mais vampiros galanteadores donjuanescos e incubus avassaladores que se passeiam ao nosso lado como sombras. Apelei ao meu corpo-bioplásmico da mulher, luminosa e cintilante eternamente emboscado. Na outra vida, descendência de mau filme, sorvi as gerações jogadas aos bichos, na senda do enigma da Esfinge de Édipo. Leste-me o futuro, sem desvendar a hora do nosso adeus, em vida material, nas gerações espúrias. Talvez sentisses o flagelo, depois de muitos anos, do mundo em que acordei rasurando a torre de babel e os loucos dialectos. Até despertei no berço duma amiga que falava da minha vida passada para ter a certeza que eu não voltava para ela. Por sede de poder e dinheiro, qual diamante de sangue, queria essa amiga ocupar o meu antigo trono. Não sabia ela, que a consciência humana define o humano, é ela que caracteriza o homem como poder e como ser.* E a consciência dessa amiga é sanguinária, um vampirismo atroz instalou-se na sua alma gangster e mais que rode nada brilhará em si. Pode caracterizar-se em sandálias de grife e moldar o cabelo dia sim dia não que ninguém reparará. Levou-me até ela os dias de descida, alcatrão fora, da Duque D’Ávila, dos medos quando aluguei o Dragão ao S. Jorge como presságio aprendiz da arte da guerra. No peito subsistia um nicho mais forte, inexplicável para o psiquiatra. Nada que, um dia, um clínico geral não atrapalha-se com uma porção de Xanax. Tu sabias que nada me faria renunciar o mundo e recolher a alma, isso era para os aprendizes de feiticeiros. Flagelado destino para os acomodados em freio duro. Abafei-me, confessando-me na adrenalina dos escritos dos que admiro. Os seus livros, as suas páginas são como que o meu confessionário para fugir aos fazedores de monstros, ao mundo onde acordei e não saberei nunca viver. Não percebi quando me disseste, em tom de morto o cão, morta a raiva: “Hoje sou feliz pela tua tristeza”. Na realidade o que me agonizava era a minha salvação, daí o teu regozijo. Aos poucos o navio abandonava-me e isso era condição essencial. Afiançavas-me o equilíbrio. Como que me instruíste, mais tarde, e porque os caminhos são sinuosos, que há amigos, colegas, familiares directos e aparentes pessoas que agem sobre nós por indução mental e afectiva. Tentam convencer-nos a fazer o que desejam e que não podem fazer por si mesmos. E a maioria dá-lhes o sangue. Injectei a lição. Abandonei a valsa. E por isso, e por fim, sinto-me salva mas entendo-me anti-social...



Notas:
* J. Herculano Pires



BAR

Hoje sirvo:
COM ÁLCOOL
Long Island Ice Tea

Ingredientes :
1cl Vodka
1cl Gin
1cl Rum Bacardi
1cl Tequilla
1cl Tiplice Seco
2cl Sumo de Limão
Coca-Cola q.b.

Método de Preparação :
.Moer o gelo
.Encher o long drink com gelo
.Colocar a vodka, gin, bacardi, tequilla, triplice seco e o sumo de limão no copo
e depois encher conforme o seu gosto com coca-cola
.Pode decorar o copo com 1/2 rodela de limão e 1 cereja


SEM ÁLCOOL
Shake Diet de Limão

Ingredientes :
1 caixinha de gelatina diet de limão
1 iogurte natural desnatado,
100 ml de leite desnatado,
8 a 10 pedras de gelo;

Método de Preparação :
Em primeiro lugar, ferva o leite, em seguida coloque numa taça juntamente com a gelatina. Coloque em copos altos, ponha o gelo e por fim o iogurte.




MÚSICA

Sirvo ainda: do filme Habla Con Ella . Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist abaixo.

segunda-feira, abril 13, 2009

Fogos-Fátuos ?


Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração


António Ramos Rosa



O Génio estendeu-me a garrafa de vodka e sorriu. Um Star Wars tomou a dianteira no meu ecrã, mediu forças e o que restou foram muitas estrelinhas que é assim que as crianças vêem o amor. À menina Concha* o Génio passou-lhe a lamparina, situação normal quando saltamos para o mundo dos contos árabes e das muitas fictícias noites. Estávamos caídos no Bar partindo gelo com esquimós oriundos de embalagens esquecidas de Prozac, fazedoras de sonhos momentâneos. Daquela garrafa por mais que esfregasse só retiraria uma praga de hesitações minhas e em público, salvaguardando a menina bem comportada do meu acanhado jeito de ser. Trancas à porta, teimosias, ele sempre soube que no meu colo, efectivamente, nunca espartilhado desejo ousou beber sequer uma chávena de café. Ambição retardada, imaginação doente e contrafeita foram elos com a princesa Concha que desejou, após esfregar a lamparina, deitar fora o coração e obrigá-lo a ficar sozinho no fundo mar. Um broken heart, usou-se e usa-se neste tempo tal como as modas nas passareles, trilho das divas aos solavancos nos sapatos de grife. Na vida artificial e provocada, um Transformer, ser de filmes reais, veio enfatizar a minha bíblia riscada (regaço acima, passeio os grandes mestres das artes literárias que alguém quis cortar-me dos dedos, os verdadeiros artistas, só depois vêm os clássicos cinematográficos). Chegado do congresso dos Génios, lá no outro lado do mundo, o Transformer converteu o buraco existente, meu peito adentro, num amontoado de segredos e receitas de Shariar, o rei traído de Sherazade. Pois, nessa altura, havia uma toca bem no centro da minha alma donde espreitavam por gelosias feras incompletas por mim. E eu, a pensar que já tinha muito papel espalhado pelo bar e até sussurrei e pedi aos anjos que recortassem o “love como nos filmes” e deitassem o resto fora. Afinal, alguém disse um dia que, o amor é a serena brincadeira dos adultos. Queria ver isso. Eu não pedi nada ao Génio, só queria um pouco de companhia, eu própria agarrei no parvo do meu coração ainda a fazer beicinho, amarfanhei-o entre os dedos e procurei uma Nautilus*, igual à de Concha, soprei-o lá para dentro e em vinte mil léguas submarinas apedrejei o oceano. Não olhei para trás, ao contrário de Concha, coloquei-lhe um código pass daqueles para esquecer. Também queria aprender a ser sozinha. Nada de resgatar mortos do esquecimento, apenas ficou o sexo fiel a alguém e descartável. Dangerous game for my mind. Mas os homens sabem bem o timming e a hora de partir antes que subsista algo mais, no fundo, no fundo, eu também não queria. Diferente de Concha, não desejei o rapaz de cabeça cheia de caracóis por fora e ideias por dentro. Isso para mim cheirava a pastilha mastigada. O verdadeiro amor é como a aparição dos espíritos: toda a gente fala dele, mas poucos o viram*. Ai está, não sei se fada sininho, se anjo real, transformada a lacuna do meu peito pelo Transformer assaltante e, no momento preciso de um flash, eu vi o amor e sei que sou das poucas que o vejo. O Génio contra minha vontade, soprou tão rápido, e ao mesmo tempo que nem me apercebi. Atenção desperta, veio mais uma história e nos recônditos árabes as 1001 noites passaram a ter 1002 histórias. Sherazade inspirou-se e deixou uma história ardendo na lamparina, só eu não percebi. Dentro da Nautilus entraram dois corações, um soprado pelo Génio e outro por mim e permanecem no fundo do mar, bem juntos. Surpresa, a garrafa de Vodka é para eu brindar. Brindar à paixão. Por isso este Bar hoje é um … templo… um templo de amor… Brindemos.


* Personagem da história para crianças “A rapariga que perdeu o coração” de Margarida Rebelo Pinto. Concha é uma menina sonhadora que após um grande desgosto, e incapaz de suportar a tristeza, pede ao génio da lamparina para que este lhe esconda o coração no fundo do mar dentro duma concha Nautilus.

** Concha em espiral

*** François La Rochefoucauld

BAR

Hoje sirvo:
COM ÁLCOOL
Coffe Shot

Ingredientes :
Licor de Café
Vodka
Tequila
Baileys

Método de Preparação :
Deve-se colocar as bebidas com a mesma ordem dos ingredientes, em medidas iguais.

SEM ÁLCOOL
Peach Ice

Ingredientes :
1 Pêssego ou nectarina
1 Pêra
Gelo
Limão

Método de Preparação :
Bater o pêssego com gelo e meter num copo, depois bater a pêra tambem com gelo e deitar por cima do preparado anterior, de seguida coloca-se umas gotas de limão.

Há quem lhe junte um pouco de vodka ;) ha ha ha

MÚSICA

Sirvo ainda: Let Me Be Myself - 3 Doors Down.

domingo, março 22, 2009

Ventanias Soltas


these words I write keep me from total madness

Charles Bukowski


No meu mundo dorme-se em cama de refluxo da maré vaza. Tenho à boca do estômago um psicopata ténue que se passeia pelos lençóis em noites do macabro e quotidiano. Adivinhaste-o no dia em que te contei que me uniria a alguém com a brevidade com que se alivia o fardo de um burro estreloucado. Adivinhaste a Karen em busca de um Denys Finch Hatton sobrevoando uma plantação de café no Quénia. Sem coordenadas, de forma alguma o tinha encontrado. Out of África. Na altura troquei a nossa terra pelo Direito. Pelo arrumar das câmaras dos filmes de acústica resvalada dentro da alma, como quem arruma carros direitinhos à porta de ébrias casas de fado. Fugia a sete pés de um pó de mina débil que assolava uma cabeça doente. A cabeça que me dirigia, valha-nos Deus. E busquei o Drácula que antevi caminhando nos mausoléus de Frida Kahlo, aquela que recebia encomendas de dores vindas do céu. Eu também as recebia, mas vindas do Inferno. Procurava o Anjo da Guarda como Santo António procura noivas nas ruas pombalinas agora rebentadas de carros. As promessas colhidas, às colheradas, dos livros que nos levavam à lua enquanto desfolhava um mil-folhas trazido do café central. Os heróis da Marvel, servidos debaixo da cama, quando alguém espreitava para ver se eu estava a estudar. Estudava na véspera e pronto. Era escusado pedirem-me mais. O Homem-Aranha e o Capitão América, contra os maus, vestiam-me de vida enquanto os Xutos contavam-me histórias no leitor de cassetes. Abraçava as tuas ideias como a invasão das Bombokas lavada com sabão Clarim, para depois as escrevinhar num zoom fotográfico a muitos pixel por segundo. Sim, fui embora na imperfeição, mascando uma pastilha Pirata que engoli e se colou para sempre no meu coração. Fui cedo e a más horas. Diziam as conversas de praia, e as tuas, que casei com quem me levou as letras em carrinhos de feira, num choque tremendo com o ego e o sobrenatural. Casei com quem se auto-denominou de Jesus Cristo e de todos os profetas, num esbanjar de moedas jogadas de um Judas traidor. Sim casei com um bolero bipolar. Em tantas notas como uma pauta de Karajan tocada por palhaços que falam alto e em bom som nas minhas madrugadas a rezar à porta das clínicas de malucos. Quando voltei, a cidade levou-te porque só nela se pode dar asas ao desejo, e nada me ilibou o crime na câmara ontológica de Hitchcok. Amorteci a queda no amor cão, porque só outro amor cão nos eriça a inspiração. Só disso é que me sobra desejo, da burrice saloia de ir atrás e não esperar que venham atrás. Ficou o beijo em livro, a trinca da bela da bolacha americana enquanto eu conto carneiros vermelhos à porta do cinema, na era do colesterol. Parece que passaram mesmo cem anos de solidão e, tirando as palavras da boca de Clarice L., "a minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite*”. Lembro-me que me olhaste e naquele ar de sempre autoritário, no bom sentido, antevês-te o futuro real à boca duma Patagónia que se adivinhava a definhar quando eu parasse de escrever. Disseste-me, em poucos segundos de película, quantos anjos eram os negros. E o meu estado futuro e vegetativo a adorar um psicótico egocêntrico. Só não me disseste uma coisa: É que tudo iria ser muito mais desumano, como que um disco riscado dentro da minha cabeça, e “o que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós*”



*Clarice Lispector



BAR

Hoje sirvo:
COM ÁLCOOL
Drink of Lx

Ingredientes :
Gelo
4 cl vodka de morango
2 cl Bacardi lemon
sumo de limão qb

Método de Preparação :
Num copo com gelo coloca-se aproximadamente 4 cl de vodka de morango, seguidamente 2 cl de bacardi lemon e preenche-se com sumo de limão. Pode colocar-se uma rodela de limão.

SEM ÁLCOOL
Caipirinha Sem Álcool

Ingredientes :
Água Tónica
Açucar Amarelo
1/4 Lima
Sumo de Limão

Método de Preparação :
Macerar bem 1/4 de lima com açucar amarelo, depois juntar 1 dash de sumo de limão, mexer bem, depois de bem mexido juntar a água tónica, acabar de encher o copo com gelo moído.


MÚSICA

Sirvo ainda: Out of África. Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist da barra ao lado direito.

domingo, março 08, 2009

Crónica de Filha em Carnavais de Betão e Dias de Cão


Escreve. Seja uma carta, um diário ou umas notas enquanto falas ao telefone, mas escreve. Procura desnudar a tua alma por escrito, ainda que ninguém leia; ou, o que é pior, que alguém acabe lendo o que não querias. O simples acto de escrever ajuda-nos a organizar o pensamento e a ver com mais clareza o que nos rodeia. Um papel e uma caneta fazem milagres, curam dores, consolidam sonhos, levam e trazem a esperança perdida. As palavras têm poder.

Paulo Coelho


Lápis de cor amontoados num mikado colorido. Retiro o suspiro de Carnaval que desceu a Avenida. Achei-o cinzento. Achei-o da cor com que o meu pai me pintou a eterna cobrança da perfeição. Um mal danado de um chove não molha de pressão psicológica. Refrão de angústia que Jobim cala quando o idolatro em mais um transplante de alma falhado. Olhando, dez mil anos antes de Cristo, sem coros de igreja, homens, mulheres e crianças reuniam-se mascarados para espantar os demónios que cortavam os pulsos sobre as suas plantações. Levados para a cama pela fome de jantar posto na terra, eram sorvidos pelos de sangue azul. [Agora é o mesmo]. Não havia jardins. Reservavam-se flores para Babilónia. O corso destinava-se a sobrevivências. A origem do Carnaval é obscura, fez-me crer o patriarca. Dum religioso primitivo pagão que homenageia o, para ele, assustador Ano Novo e algo mais, o ressurgimento da natureza. Fingimento montado em andaime certificado. Será? Edificava-se a exigência e o desconhecimento do mundo. O enjaulamento na escola, o carreiro certo sem desvios, nem para entrar na livraria a cinco tostões de levar uma tareia do Rei Momo. Um dia a professora primária carimbou-me o A4 com o “X” e um xaile carnavalesco para que eu desce-se nele, e em linha de vida, um algeroz de canetas de feltro. Agarrei num lápis cor de burro e zumba fiz desaparecer o manto, sei porquê. A alma, num antónimo provocado, traía-me. Companheira de guerra dos meninos, em confettis desbotados, carimbou-me a régua as falanges e as falangetas de dor. Nestas horas desejava ter mãos de tesoura e cortar a minha paixão louca por sorrir um pouco. Gostava de rir, mas a expressão folia dos lábios era abalroada em papel de parede claustrofóbico de um quarto de poucos metros quadrados que usava para fugir. Na rádio local espevitava-se a esperteza saloia e em reclames da época avivava-se o Pierrô de traços andróginos e anjo do bem. Via Columbinas de Veneza, [vejo Columbinas bailarinas fúteis,] simbolizando a Terra equinocial em dias de amores ilícitos. E o tentador Arlequim italiano de desejos e tentações realizados na protecção do anonimato das máscaras. Estranha forma de vida*. Num bluff predador, não me era permitido ter amizades. Proibidas as pulseiras de trapo e linhas. Proibida a televisão, a música, o vídeo, proibidos os posters, os passeios, a praia mesmo à porta. Só me lembro da tabuada decorada para não apanhar. Parecia que andava sempre com um ovo estrelado na cara e os números prontos a serem disparados da boca. Amarela, na catequese, desenhava o único trajecto permitido. Percurso até ao conclave, num Bispo traçado, que também enganou, enquanto o Diabo esfregava o olho. Lés a lés, código do divórcio, apaguei os dias especiais. Nada de dias do pai, dos anos, dos namorados, da mulher. Ficou-me os dias de cão sem chocolates, nem pastilhas, nem amor. Diários medidos a metro e em buracos de balas ainda alojadas e a granel na minha Tucha (a Barbie do meu tempo) das brincadeiras. As serpentinas foram enroladas no homem autoritário que chamei ignorante por conta própria. Pois viver é a coisa mais rara do mundo **. E ontem saí para a rua, cancelei o stand-by, senti-me uma pita de 6 anos no meio do cortejo da terça-feira, feriado facultativo dos corsos e grémios de loucura. E transpus a Directiva carnavalesca do obrigatório sorrir. Continuo a não ter mãos de tesoura, nem tencionei atirar ovos e guaches dos tempos idos, esses ficaram no banco dos réus. Digitei a password que me permitiu a dimensão actual. Correndo o risco de encontrar o Rei Momo, olhei os meninos da escola e da creche descendo a rua principal. No meio daquela gente toda, vi-me e encontrei-me… De sorriso amarelo, uma menina mascarada descia a rua, traje a combinar com as teorias de evolução de Darwin. Em directo para a rádio local, o locutor gritou, depois de dizer o nome da escola: Não posso acreditar! Vai aqui uma princesa... Uma princesa com uma pistola na mão!!!!!!


*Amália Rodrigues
**Oscar Wilde



BAR

Hoje sirvo:

COM ÁLCOOL
Long Drink Flamenco

Ingredientes :
2 doses de Campari
3 cl de Vodka
Espumante
Gelo

Método de Preparação :
Junte o Campari e a Vodka num copo alto, acabe de encher com o espumante e mexa rapidamente com uma colher.


SEM ÁLCOOL
Batido de Abacaxi

Ingredientes :
1 abacaxi
1 lata de leite condensado
2 garrafas de guaraná

Método de Preparação :
Bater tudo no copo de batidos.
Passe por peneira fina.
Servir bem gelado.

MÚSICA

Sirvo ainda: Elis Regina- É com esse que eu vou . Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist abaixo.

sábado, fevereiro 14, 2009

Abraço de Frio


Por que não cai a noite, de uma vez?
— Custa viver assim aos encontrões!
Já sei de cor os passos que me cercam,
o silêncio que pede pelas ruas,
e o desenho de todos os portões.

Por que não cai a noite, de uma vez?
— Irritam-me estas horas penduradas
como frutos maduros que não tombam.

(E dentro em mim, ninguém vem desfazer
o novelo das tardes enroladas.)


Maria Alberta Menéres




Neva em Budapeste. Despisto-me em patinagem artística que faço no teu coração gelado de Átila cruel e rapina. Simples, há uma guerra em Tróia, oriunda das mentes gerais, onde a Minie e o Mickey espreitam do cavalo de pau e atacam, cantando o mundo encantado e de cartão do Sardet. São histórinhas da infância que nos trazem o pão de alho, a pizza e o sumo doce à mesa romântica numa casa de música e cheia de cupidos. Em contradição cheira a traições. Nada de ursinhos e o elefante Babar a ver a banda passar. Mas, eu, como não fui Guinevere não atraiçoei a Távola Redonda e o rei que retirou a espada do coração profanado da Terra. Proclamo que a soltou em busca da perfeição humana, primeiro mandamento do Código dos Cavaleiros, de Sir Thomas Malory e meu. Procurava uma ordem sadia, isenta de extenuantes odisseias de sangue que também patinam em mapas bélicos. Sei que voou e prostou um cupido nas cartas celestes de Scarlet O'Hara interessada em Tara e não em Rett Butler. Lost Cause. Reitero a imensidão do Mediterrâneo e Ulisses irreconhecível depois da ilha de Circe e da maldita feiticeira que manufacturava porcos. No peito, como que aquele contínuo e rebentado míssil de paixão por um Fantasma da Ópera de novela gótica. Teço a colcha, teço e desmancho como Penélope rodeada dos galanteadores pretendentes de flores em punho e olhos enforcados por laços de Punjab*. Dias sedentos, praça do Dr. Sousa Martins adentro e as bruxas que não se calam e namoram com os guias de espírito. Deixam os mártires da pátria a queimar em velas de lume brando. Uma delas levou-te sem saber que em nós vibrava Henry and June. Um Youpi de Kid Loco. Um laço sobrenatural de mãe e filho. Perdeu e foi para o cemitério de Setúbal catar pregos de caixões. Grita-se o perigo do canto das sereias, que no fundo, nunca as vi, mas seriam de boa resposta aos espalhados como tu. Ao lado, o Adamastor berra iluminado por um vaga-lume idílico, enquanto eu dissipo o chão envolta em relatórios de contas que passeiam na pasta da justiça, dos riscos e da cigarrilha aromatizada. Perdida a minha cabeça, bebo em taças século III do decapitado S. Valentim contra a ordem imperial. Descobri no dicionário que cupido também quer dizer homem ridículo com pretensões a bonito. Fiquei confusa… Já vi, continuamos a brincar, e de bumerangue em punho, como as tuas idas e voltas, em acto societário assinado no Registo, quase que um casamento. Buda e Peste que o Danúbio separa a tremer de frio. A nós separa-nos o racismo entre brancos, a sopa de pedra só de água e calhau e aquela politica que hoje recuso-me a falar pois é dia do amor. Onde será que você está agora**. Desço o manipulo da slot onde se aglomeram pedaços de alma e anjinhos agora em saldo. Jackpot. E encaro o real... Há a Ponte das Correntes, a Ponte Elisabeth, a Ponte da Liberdade e a Ponte Margit que uniram Buda e Peste. Mas, a nós, nada nos une, só histórinhas que nos tramam o cinema só e à tua espera, o dizer que vens, mas tudo o vento levou. Dizeres que o teu coração bate por mim, mas lá dentro, tal cavalo de Tróia, só saltam guerreiros danados prontos a arruinar. Andas espalhado para ai, como bem dizes. E, como és do contra, puseste o Popeye dos espinafres com a Margarida, a Olívia Palito com o Donald, o Romeu com a Isolda, a Julieta com o Tristão e hoje anda tudo desencontrado no dia dos namorados… Olha! Sabes uma coisa ? Assim vai o mundo… O mundo que dizem romântico…


*espécie de cordão feito de tripas de gato, que o Fantasma da Ópera usava para matar.
** trecho da música Metade de Adriana Calcanhoto
(ouvir aqui).


BAR

Hoje sirvo Poção do Amor
Ingredientes :
Vodka
Bacardi
Gin
Franjelico
Grand Maurnier
1 colher cheia de mel
1 copo de rum branco
Martini Rosso
Vodka negra
Champanhe meio-seco
Campari e
Sumo de Laranja(ou limão)ou...qualquer outra fruta de sua preferência.

Método de Preparação :
Coloque uma dose de cada uma das bebidas num shaker misturando tudo de uma só vez. Acompanhe com gelo.


Sirvo ainda: Chico Buarque, Tom Jobim e Telma Costa - Eu Te Amo. Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist abaixo.

domingo, fevereiro 01, 2009

Palco de Feras

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Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém, provavelmente, a minha própria vida. Viver é uma espécie de loucura que a morte faz.

Clarice Lispector



Escrevo-te como se o Diabo voltasse para devolver a tua alma inacabada e vendida na adolescência mensageira de Deus. Ou Leviatan, o outro príncipe coroado do Inferno, a serpente submersa, o mar, o oeste. No 1º acto assolam-me os 22 dias presentes de explosões em Gaza em grãos de químicos florescentes que mexem nas minhas recordações de infância, donde só restam vampiros psíquicos. O recomeço a cada pedrada de minutos. Maria Madalena voltou, ressuscitou nos Evangelhos Canónicos. A alma que exorciza, reclama os momentos não vividos mas idolatrados da Palestina dependente. Personal Jesus exige, em alta fidelidade, o estado natural do Homem egoísta, egocêntrico e inseguro de Thomas Hobbes, o dissecador da sociedade. Jardins suspensos de pedrarias decore e fashion empreendem cataclismos de desejos. Carrosséis rodopiantes pairam galantes e ociosos no plátano de luxúria que realizas, regada por um simbólico rio Eufrates, com saudades do mar, dos campos e florestas do teu berço. Tal Amitis de Nabucodonosor, olhávamos o futuro intemporal, não ansiávamos o Babilónico verde mas o palco. Noutros livros comíamos batatas fritas, pão com manteiga e enfrascávamos uma gasosa repleta de bolinhas efervescentes. Afinal cada pessoa tem o direito de tudo, mas com medo. O medo que pára a Justiça. E com isso, no semblante, a eterna discórdia. Bellum omnia omnes*. Somos do tempo do jogo da Glória ou do Ganso onde a ponte significou para mim o inconformismo e para ti a tentação. O poço, a terra fértil mas mártir e para ti a certeza de um sexo diferente da alma. O labirinto, cruzando a panaceia universal dos alquimistas, simbolizou a minha segunda vida e a tua também segunda biografia. Somos do sofá, da tv a preto e branco e dos Pássaros das janelas inventadas de Hitchcock e Daphne du Maurier. Longe, a Triologia dos Dragões, encenação de Robert Lepage em terras de Quebeque. Jeanne e Françoise que reconstituiram o seu bairro, uma China imaginária, com caixas de sapatos. Hoje a chinesice é enfrentarmos as ruas, porta sim porta não, de papelões de um mundo só de objectos do Oriente. Vá lá, ainda não chegaram àquele fatídico sítio em Alcochete onde sua Excelência o Sr. Primeiro Ministro espelha agora a sua cara. Fica-nos o admirável tribunal que se calará para sempre como faz com todos, os desta laia, enquanto eu chupo uma Smint de gelo e o Juiz um caldo de galinha. Eu, que não sabia que os profetas da Bíblia não conheciam o vocábulo "Hell" e espetaram com os anjos caídos no Tártaros. Aqueles que, por aqui, fizeram-lhes um shot e mandaram-nos às compras para o shooping. Sei que farás disto um filme e eu um grito no bar, pois "gosto do modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão".** Sou filha de um pai do passado. Por isso, e procurando histórias, já sabias que eu iria directamente para a encruzilhada das rodovias 61 e 49 em Clarksdale, no Mississippi, onde, tal como tu, Robert Johnson, um famoso cantor e guitarrista americano de Blues, vendeu a sua alma. Assim, soubeste como montar o proscénio e nele colocar verdadeiros actores, inspirando-te. Eu sorvi-lhe a música, e nada coloquei, pois no meu palco já circulavam sombras sem que eu vendesse a minha existência. É assim o meu palco. Como podes aqui ver, é um palco de feras…




*"Cada um de nós tem direito a tudo, e uma vez que todas as coisas são escassas, existe uma constante guerra de todos contra todos", Thomas Hobbes

** de Clarice Lispector



Após esta reflexão, e não fugindo ao tema que me traz aqui hoje, respondo ao desafio que a Marta do Minha Página lançou aqui.



BAR

Hoje sirvo Long Drink Morning Flight

Ingredientes :
4 cl vodka
1 cl triple sec

Preparação :
Preparar no próprio copo longo e preencher com sumo de manga e de laranja.
Adicionar 1 cl de grenadine.

Para decorar:
Casca de laranja, 1 cereja.

Sirvo ainda e em "palco":
Caetano Veloso,"Cucurrucucu Paloma". Filme "Talk to Her", de Pedro Almodovar. Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist à direita.

domingo, janeiro 18, 2009

Álcool Puro (ou Monstros Electrónicos II)

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Eu tenho uma outra "serenidade", diferente, que me é dada por já ter vivido uma história standard, já ter um filho...isso dá-me a serenidade de não "ter que fazer mais nada". Mas não tenho a serenidade de estar em equilíbrio, isso não. Só que pergunto a mim próprio como poderia ficar em equilíbrio e toda a lógica diz-me que ter uma mulher e filhos nesta fase seria um perfeito dum disparate...e acho que tenho razão. Assim fica a necessidade ou continuar perdido em curtes mas aguentar a minha cabeça de boa saúde ou ter de inventar novos caminhos.

P.


Cheira a orquídeas dessas que o tempo reencarnou. Flores em braço da avó Maria quando ajeitava os anéis e compunha o colar do Cristo envolto em espinhos. Aqui são rosa, rosa choque estes shots que colhi do ecrã onde evidenciei o homem, ou os homens, que raptam e mutilam princesas indefesas. Dos copos saíram monstros electrónicos aqueles que descaradamente derramei em palavras, numa caipirinha com mais lima que açúcar amarelo. Escrevi, há já dois anos, laranja limão, limão laranja. Recordam-se? Servi shot After Eight, aqui mesmo, neste bar. Em muito pouco tempo chegaram até mim certezas que tinha, ao colocar-me nas palavras dum predador, que tinha acertado na “mouche”. Guardei esta sopa de letras, pois queria completar com o tempo necessário à disposição para digerir o que não supunha encontrar. Pois, é fácil falar de amor, ou até, das suas lágrimas (atrevi-me inclusive a vestir a capa da besta e a sentir, entre os dedos, as mantilhas, em epitáfios, das mulheres enganadas) mas não é pêra doce o predador vir até aqui beber uns copos e “identificar-se”: “No teu Blog..."Monstros Electrónicos" é um homem que está a escrever...quem é ? sinto-me tão perto..percebo-o tão bem....”. Perante as certas nortadas que valsam os anjos do Mar do Norte aguardei, em espírito, por milhas de sueste tal e qual o Algarve em época de Praia da Rocha e estrangeirada que às vezes até deixa os filhos para “raptar” e mancha a justiça portuguesa (há por ai outro tipo de monstro). Pelo Monstro nutri um mesmo sentimento que nutro por monstros que “caço”, ou nem por isso, nos castelos que o Quasimodo encarcerado habita. Muitos limitam-se ao fecho das suas pálpebras e criam dentro dos cárceres fantasias chiques, à là Moulin Rouge com damas em Paris. Francês correcto e estrangeirismos transformam as feras em galanteadores senhores sós e atolados em doutoramentos honoris causa. Outros fazem dos caminhos minutos ansiosos, a liberdade e bons empregos permitem chegar, e de férias marcadas por umas horas, muito mais facilmente, aos destinos que fazem cócegas na barriga. Tudo o que daqui em diante servir foi autorizado, não há castelos no ar, nem ficções. Pois pedi-lhe histórias e hoje a bebida é pura, pura… veio dele:

“Histórias?? A pensar nisso e numa altura que já tenho idade para fazer balanços (41 anos) veio-me à cabeça algumas palavras que juntas fizeram de mim alguém que consegue subir algumas montanhas:
sonho
obsessão
focus
dor
visualização
Sim, agora é claro, que na minha vida as coisas que fiz acima da média, não por serem forçosamente importantes, mas por serem difíceis de realizar, tiveram como suporte estas palavras.
Senão repara...
- Fiz a minha carreira de informático desde muito novo, e mesmo sem acabar o curso tive sucesso.
- Fui fiel ao meu casamento durante 14 anos.
- Emagreci 45 kg em nove meses só com força de vontade.
- Comecei a correr 10 minutos (não aguentava mais) e acabei a correr uma meia-maratona.
- Dos 37 anos aos 41, depois de divorciado, dormi com mais de 20 mulheres.
Todos estes pontos têm as suas histórias, mas sempre com aquelas palavras presentes.
Isto é uma coisa gira de ter 40, já podemos analisar o passado e tirar algumas conclusões, que quando estamos a viver as coisas não são tão claras…"(2007/1/17).


Desafiei novas palavras, embora caladas, e sem eu estar à espera, um dia voltaram a 2 de Setembro de 2007:

“hummmmm esse coração continua a não estar disponível para ninguém?”

Momentos depois a verdade arremessada e sem paz :

“eu sou mais um homem como os muitos que tentas-te encontrar....aquela história tem uma evolução...sem te chocares...na minha cabeça imagino que quando estou mal de cabeça...resolvo tudo com sexo....e parece que entro num ciclo vicioso...cada vez mais só… cada vez mais sexo pelo sexo...cada vez mais só...”.

A guerra interior:

“Tentarei seduzir-te até sentir que queres ir para a cama comigo.....depois fico de novo em paz. Agora é assim sucessivamente....já nem o sexo propriamente dito é o mais importante.”

E a listagem das mulheres coleccionadas, ou será dos anjos também de patologias mentais assombrosas. A todas elas ele atribui-lhe um epíteto daquilo, que ia nas suas negras asas, depois do sexo:

.A mulher da minha vida, Faro
.A "nova" descoberta, Porto
.O maior amor, Lisboa
.Historia de encantar, Lisboa
.Casada fizemos no carro, Cascais
.Lumiar fizemos no carro dela, Lumiar
.Fizemos carro na encarnação, Encarnação
.Traição perfeita, Sintra
.Estava apaixonada por mim, Lisboa
.Tão perto e inesperado, Lisboa
.Sonhadora linda, Setúbal
.Depois de um jantar com os copos, Lisboa
.Ficou mal resolvido dentro de mim, Cascais
.A alma mais compatível comigo, Almada
.A mais velha, surpreendente, Belém
.Iniciou um processo como o meu, Benfica
.Pintora, Benfica
.Viagem de sonho, Madeira
.Uma mulher para uma vida, Sacavém
.Vini vidi vici, Lisboa
.$ paguei, Lisboa
.Distante, arrogante e independente, Lisboa
.Louca como eu, Lisboa
.Coração grande, Sintra
.Provocação total, Lisboa
.Rica e distante, Lisboa
.Professora louca, Porto
.Faladora, Lagos
.Nunca saberei quem é, Lisboa
.Coração Lindo, Coimbra
.Magríssima, Santarém

Correu até elas pela ânsia disso mesmo, tal monstro electrónico, correr e ter sexo, mesmo que a distância fosse o ponto mais frio do Mar do Norte. Umas traíram anjos, outras monstros e outras absolutamente Deus. Para mim escreveu as últimas palavras: "evita-me sem olhares para trás…nunca te esqueças... nunca tentes mudar um homem sem coração..."
E eu… Cidade dos Anjos adentro, mergulhei no Bar, pois na eterna luta contra os monstros corremos sempre o risco de nos transformarmos num deles…


BAR

Hoje sirvo Long Drink Just The Way You Are

Ingredientes :
Vodka Melão
Malibu
Bacardi Lemon
Safari
Sumo

Preparação :
Misturar em shakers separados em proporções 2-1 a vodka com o malibu e o bacardi com o safari, depois meter tudo num copo com gelo picado e 1 rodela de limão, complete com sumo a gosto.

Sirvo ainda: Back to Black - Amy Winehouse


E ainda esta surpresa:
O Profeta (aqui), deixou-me este convite: “Convido-te a partilhar “ALQUIMIA DAS PALAVRAS” no lançamento do livro com o mesmo nome da autoria de Armando Moreira, que terá lugar no dia 24 de Janeiro de 2009 pelas 21 horas e 30 minutos no Coliseu Micaelense.”

Como era bom levantar voo e ir até São Miguel… Bem Haja.

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Para aquisição da obra (verdeeazul@gmail.com)