Sábado, Outubro 10, 2009

Ler-me (Monstros Electrónicos III)

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“Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio”

Mário de Sá Carneiro

Hoje quem escreve é P.P. Lembram-se de Monstros Electrónicos (aqui)? e Alcool Puro – Monstros Electrónicos II (aqui)? A música também é servida por ele… E eu ? Eu, sirvo a bebida…



Foi muito giro ler-me...mesmo que tenha o papel de "Monstro". Mas não me sinto demasiado mal com isso, não mesmo. Eu sou uma pessoa que está fora do circuito que a vida nos pede para executar. A ideia de apenas podemos estar "bem" e felizes se tivermos uma família e criamos filhos.....deixa-me completamente gelado. Aprendi que é um conceito bom para a sobrevivência da nossa espécie, foi uma maneira para a qual evoluímos e reflecte claras vantagens para a espécie. Mas....mas... eu faço parte do grupo que já não tem paciência para viver isso e mantive intacta esta força interior de ser caçador. Ser caçador, monstro ou o que quiserem chamar, é mais uma herança que não criei, apenas trouxe do passado. E mais uma vez....é bom para a nossa sobrevivência. Se o mundo biológico fosse perfeito eu já não deveria sentir o desejo diário que sinto. E com tudo isto.... qual o resultado ? Criar um filho ? sim isso tento fazê-lo da melhor maneira ... mas e o resto ? estar só ? sim com certeza, outro cenário é ridículo. Cada vez que leio, e aprendo mais sobre como o nosso cérebro funciona, riu-me das coisas que sentimos. Amor ? :-) Esse sentimento que resulta numa obsessão química do nosso cérebro e que nos pode levar ao céu ou ao inferno...tsss tsss tsss é como uma droga. Não se pode perder o seu controlo... para não sermos controlados por ela. E agora depois de ver tanta vida... amor lê-se cada vez mais com outros significados. "Amor" na maior parte das vezes serve para permitir exercitar pura paixão e desejo, para dividirmos as dificuldades da vida e pagarmos, para não sofreremos de solidão, para sentirmos que cumprimos o papel que a vida standard nos determina. Está instituído na nossa espécie que todas estas razões são admissíveis. Para mim só existem apenas dois tipos de pessoas que se permitem amar: Aqueles que se deixam levar pelo que sentem sem nada questionar ou aqueles que conseguem ser falsos e dissimulados para levar a sua avante. Eu.....eu não sou nenhum dos dois.

P.P.


Obrigada P.

BAR

Hoje sirvo:
COM ÁLCOOL
Caipiblack

Ingredientes :
Meia Lima
Açucar Amarelo
Gelo Picado
Eristoff Black

Método de Preparação :
Igual à Caipirinha, mas com Eristoff Black no lugar da Cachaça.

SEM ÁLCOOL
Morang Ice

Ingredientes :
1 kiwi
4 morangos
1 a 2 colheres (chá) de açúcar
1 gota de limão
Gelo

Método de Preparação :
Ponha o kiwi na batedeira com uma colher de chá de açúcar, bata durante meio minuto, depois ponha no fundo do recipiente em que vai servir a bebida com 2 gotas de limão. Em seguida deite os morangos na batedeira juntamente com gelo e uma colher de chá de açúcar. Bata tudo e ponha por cima do kiwi. Sirva com uma palhinha.

MÚSICA

E ainda, servido por P. :New Divide - Linkin Park. Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist na barra lateral.

Quarta-feira, Agosto 26, 2009

Aos Leitores e Amigos

Meias Férias


"uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente."

Clarice Lispector

Segunda-feira, Maio 25, 2009

Hóspede Num Mundo Estranho


No mito grego os andróginos eram duplos, fortes e velozes. Tentaram escalar o Olimpo para se fazerem deuses, mas Zeus os cortou pelo meio e devolveu-os mutilados ao rés-do-chão. Esse homem mutilado povoou a Terra e foi ele que os cientistas mutilaram de novo, reduzindo-o a apenas um quarto do homem original. Não é de admirar que esse homúnculo actual — recalcado, vaidoso e insolente como aquele pedacinho de fermento do Lobo do Mar de Jack London — esteja agora explodindo na angústia e nos delírios da sua impotência.

J. Herculano Pires



Desço da tela. Na escadaria contam-se degraus abantesmas da pseudociênia. Os sinais físicos da morte e o luto latente. Sinto a corrente nos altos estudos e os olhos dos que passaram pela vida mas não a viveram. Trago o ritual dos psicóticos. Madruguei com ele. Compreensível ao meu toque, mundo externo intratável para outros. Como que o chá das cinco a saber a café queimado. Ou será cremado? O perder o contacto com a realidade. A certeza de um Profeta a desmembrar camas no Júlio de Matos. Não o risquei do mapa. Alguém agarrou na minha mão e num arabesco predisse, contrariando Sartre: “O homem não é uma frustração”. Compreendi. A alma cárcere do mal é a que não se conhece, uma luz afundada na bruma relembrando Plotino. Foi-nos pedido, um dia, e pelos nossos familiares, para nos esquecermos de ser nós mesmos. Afundarmos o bom e o justo, o ser-se normal de Durkheim, e passarmos a ser uma guinada fantasma numa estrada febril. Para Poe trabalhos com significados óbvios deixam de ser arte. Por isso, subsistiu a dúvida dissimulada se queria voltar a valsar com os vampiros e o seu processo alucinante. Mas lá fora, também não estava muito longe, reconhecimento da área, telefone desligado para afugentar mais vampiros galanteadores donjuanescos e incubus avassaladores que se passeiam ao nosso lado como sombras. Apelei ao meu corpo-bioplásmico da mulher, luminosa e cintilante eternamente emboscado. Na outra vida, descendência de mau filme, sorvi as gerações jogadas aos bichos, na senda do enigma da Esfinge de Édipo. Leste-me o futuro, sem desvendar a hora do nosso adeus, em vida material, nas gerações espúrias. Talvez sentisses o flagelo, depois de muitos anos, do mundo em que acordei rasurando a torre de babel e os loucos dialectos. Até despertei no berço duma amiga que falava da minha vida passada para ter a certeza que eu não voltava para ela. Por sede de poder e dinheiro, qual diamante de sangue, queria essa amiga ocupar o meu antigo trono. Não sabia ela, que a consciência humana define o humano, é ela que caracteriza o homem como poder e como ser.* E a consciência dessa amiga é sanguinária, um vampirismo atroz instalou-se na sua alma gangster e mais que rode nada brilhará em si. Pode caracterizar-se em sandálias de grife e moldar o cabelo dia sim dia não que ninguém reparará. Levou-me até ela os dias de descida, alcatrão fora, da Duque D’Ávila, dos medos quando aluguei o Dragão ao S. Jorge como presságio aprendiz da arte da guerra. No peito subsistia um nicho mais forte, inexplicável para o psiquiatra. Nada que, um dia, um clínico geral não atrapalha-se com uma porção de Xanax. Tu sabias que nada me faria renunciar o mundo e recolher a alma, isso era para os aprendizes de feiticeiros. Flagelado destino para os acomodados em freio duro. Abafei-me, confessando-me na adrenalina dos escritos dos que admiro. Os seus livros, as suas páginas são como que o meu confessionário para fugir aos fazedores de monstros, ao mundo onde acordei e não saberei nunca viver. Não percebi quando me disseste, em tom de morto o cão, morta a raiva: “Hoje sou feliz pela tua tristeza”. Na realidade o que me agonizava era a minha salvação, daí o teu regozijo. Aos poucos o navio abandonava-me e isso era condição essencial. Afiançavas-me o equilíbrio. Como que me instruíste, mais tarde, e porque os caminhos são sinuosos, que há amigos, colegas, familiares directos e aparentes pessoas que agem sobre nós por indução mental e afectiva. Tentam convencer-nos a fazer o que desejam e que não podem fazer por si mesmos. E a maioria dá-lhes o sangue. Injectei a lição. Abandonei a valsa. E por isso, e por fim, sinto-me salva mas entendo-me anti-social...



Notas:
* J. Herculano Pires



BAR

Hoje sirvo:
COM ÁLCOOL
Long Island Ice Tea

Ingredientes :
1cl Vodka
1cl Gin
1cl Rum Bacardi
1cl Tequilla
1cl Tiplice Seco
2cl Sumo de Limão
Coca-Cola q.b.

Método de Preparação :
.Moer o gelo
.Encher o long drink com gelo
.Colocar a vodka, gin, bacardi, tequilla, triplice seco e o sumo de limão no copo
e depois encher conforme o seu gosto com coca-cola
.Pode decorar o copo com 1/2 rodela de limão e 1 cereja


SEM ÁLCOOL
Shake Diet de Limão

Ingredientes :
1 caixinha de gelatina diet de limão
1 iogurte natural desnatado,
100 ml de leite desnatado,
8 a 10 pedras de gelo;

Método de Preparação :
Em primeiro lugar, ferva o leite, em seguida coloque numa taça juntamente com a gelatina. Coloque em copos altos, ponha o gelo e por fim o iogurte.




MÚSICA

Sirvo ainda: do filme Habla Con Ella . Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist abaixo.

Segunda-feira, Abril 13, 2009

Fogos-Fátuos ?


Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração


António Ramos Rosa



O Génio estendeu-me a garrafa de vodka e sorriu. Um Star Wars tomou a dianteira no meu ecrã, mediu forças e o que restou foram muitas estrelinhas que é assim que as crianças vêem o amor. À menina Concha* o Génio passou-lhe a lamparina, situação normal quando saltamos para o mundo dos contos árabes e das muitas fictícias noites. Estávamos caídos no Bar partindo gelo com esquimós oriundos de embalagens esquecidas de Prozac, fazedoras de sonhos momentâneos. Daquela garrafa por mais que esfregasse só retiraria uma praga de hesitações minhas e em público, salvaguardando a menina bem comportada do meu acanhado jeito de ser. Trancas à porta, teimosias, ele sempre soube que no meu colo, efectivamente, nunca espartilhado desejo ousou beber sequer uma chávena de café. Ambição retardada, imaginação doente e contrafeita foram elos com a princesa Concha que desejou, após esfregar a lamparina, deitar fora o coração e obrigá-lo a ficar sozinho no fundo mar. Um broken heart, usou-se e usa-se neste tempo tal como as modas nas passareles, trilho das divas aos solavancos nos sapatos de grife. Na vida artificial e provocada, um Transformer, ser de filmes reais, veio enfatizar a minha bíblia riscada (regaço acima, passeio os grandes mestres das artes literárias que alguém quis cortar-me dos dedos, os verdadeiros artistas, só depois vêm os clássicos cinematográficos). Chegado do congresso dos Génios, lá no outro lado do mundo, o Transformer converteu o buraco existente, meu peito adentro, num amontoado de segredos e receitas de Shariar, o rei traído de Sherazade. Pois, nessa altura, havia uma toca bem no centro da minha alma donde espreitavam por gelosias feras incompletas por mim. E eu, a pensar que já tinha muito papel espalhado pelo bar e até sussurrei e pedi aos anjos que recortassem o “love como nos filmes” e deitassem o resto fora. Afinal, alguém disse um dia que, o amor é a serena brincadeira dos adultos. Queria ver isso. Eu não pedi nada ao Génio, só queria um pouco de companhia, eu própria agarrei no parvo do meu coração ainda a fazer beicinho, amarfanhei-o entre os dedos e procurei uma Nautilus*, igual à de Concha, soprei-o lá para dentro e em vinte mil léguas submarinas apedrejei o oceano. Não olhei para trás, ao contrário de Concha, coloquei-lhe um código pass daqueles para esquecer. Também queria aprender a ser sozinha. Nada de resgatar mortos do esquecimento, apenas ficou o sexo fiel a alguém e descartável. Dangerous game for my mind. Mas os homens sabem bem o timming e a hora de partir antes que subsista algo mais, no fundo, no fundo, eu também não queria. Diferente de Concha, não desejei o rapaz de cabeça cheia de caracóis por fora e ideias por dentro. Isso para mim cheirava a pastilha mastigada. O verdadeiro amor é como a aparição dos espíritos: toda a gente fala dele, mas poucos o viram*. Ai está, não sei se fada sininho, se anjo real, transformada a lacuna do meu peito pelo Transformer assaltante e, no momento preciso de um flash, eu vi o amor e sei que sou das poucas que o vejo. O Génio contra minha vontade, soprou tão rápido, e ao mesmo tempo que nem me apercebi. Atenção desperta, veio mais uma história e nos recônditos árabes as 1001 noites passaram a ter 1002 histórias. Sherazade inspirou-se e deixou uma história ardendo na lamparina, só eu não percebi. Dentro da Nautilus entraram dois corações, um soprado pelo Génio e outro por mim e permanecem no fundo do mar, bem juntos. Surpresa, a garrafa de Vodka é para eu brindar. Brindar à paixão. Por isso este Bar hoje é um … templo… um templo de amor… Brindemos.


* Personagem da história para crianças “A rapariga que perdeu o coração” de Margarida Rebelo Pinto. Concha é uma menina sonhadora que após um grande desgosto, e incapaz de suportar a tristeza, pede ao génio da lamparina para que este lhe esconda o coração no fundo do mar dentro duma concha Nautilus.

** Concha em espiral

*** François La Rochefoucauld

BAR

Hoje sirvo:
COM ÁLCOOL
Coffe Shot

Ingredientes :
Licor de Café
Vodka
Tequila
Baileys

Método de Preparação :
Deve-se colocar as bebidas com a mesma ordem dos ingredientes, em medidas iguais.

SEM ÁLCOOL
Peach Ice

Ingredientes :
1 Pêssego ou nectarina
1 Pêra
Gelo
Limão

Método de Preparação :
Bater o pêssego com gelo e meter num copo, depois bater a pêra tambem com gelo e deitar por cima do preparado anterior, de seguida coloca-se umas gotas de limão.

Há quem lhe junte um pouco de vodka ;) ha ha ha

MÚSICA

Sirvo ainda: Let Me Be Myself - 3 Doors Down.

Domingo, Março 22, 2009

Ventanias Soltas


these words I write keep me from total madness

Charles Bukowski


No meu mundo dorme-se em cama de refluxo da maré vaza. Tenho à boca do estômago um psicopata ténue que se passeia pelos lençóis em noites do macabro e quotidiano. Adivinhaste-o no dia em que te contei que me uniria a alguém com a brevidade com que se alivia o fardo de um burro estreloucado. Adivinhaste a Karen em busca de um Denys Finch Hatton sobrevoando uma plantação de café no Quénia. Sem coordenadas, de forma alguma o tinha encontrado. Out of África. Na altura troquei a nossa terra pelo Direito. Pelo arrumar das câmaras dos filmes de acústica resvalada dentro da alma, como quem arruma carros direitinhos à porta de ébrias casas de fado. Fugia a sete pés de um pó de mina débil que assolava uma cabeça doente. A cabeça que me dirigia, valha-nos Deus. E busquei o Drácula que antevi caminhando nos mausoléus de Frida Kahlo, aquela que recebia encomendas de dores vindas do céu. Eu também as recebia, mas vindas do Inferno. Procurava o Anjo da Guarda como Santo António procura noivas nas ruas pombalinas agora rebentadas de carros. As promessas colhidas, às colheradas, dos livros que nos levavam à lua enquanto desfolhava um mil-folhas trazido do café central. Os heróis da Marvel, servidos debaixo da cama, quando alguém espreitava para ver se eu estava a estudar. Estudava na véspera e pronto. Era escusado pedirem-me mais. O Homem-Aranha e o Capitão América, contra os maus, vestiam-me de vida enquanto os Xutos contavam-me histórias no leitor de cassetes. Abraçava as tuas ideias como a invasão das Bombokas lavada com sabão Clarim, para depois as escrevinhar num zoom fotográfico a muitos pixel por segundo. Sim, fui embora na imperfeição, mascando uma pastilha Pirata que engoli e se colou para sempre no meu coração. Fui cedo e a más horas. Diziam as conversas de praia, e as tuas, que casei com quem me levou as letras em carrinhos de feira, num choque tremendo com o ego e o sobrenatural. Casei com quem se auto-denominou de Jesus Cristo e de todos os profetas, num esbanjar de moedas jogadas de um Judas traidor. Sim casei com um bolero bipolar. Em tantas notas como uma pauta de Karajan tocada por palhaços que falam alto e em bom som nas minhas madrugadas a rezar à porta das clínicas de malucos. Quando voltei, a cidade levou-te porque só nela se pode dar asas ao desejo, e nada me ilibou o crime na câmara ontológica de Hitchcok. Amorteci a queda no amor cão, porque só outro amor cão nos eriça a inspiração. Só disso é que me sobra desejo, da burrice saloia de ir atrás e não esperar que venham atrás. Ficou o beijo em livro, a trinca da bela da bolacha americana enquanto eu conto carneiros vermelhos à porta do cinema, na era do colesterol. Parece que passaram mesmo cem anos de solidão e, tirando as palavras da boca de Clarice L., "a minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite*”. Lembro-me que me olhaste e naquele ar de sempre autoritário, no bom sentido, antevês-te o futuro real à boca duma Patagónia que se adivinhava a definhar quando eu parasse de escrever. Disseste-me, em poucos segundos de película, quantos anjos eram os negros. E o meu estado futuro e vegetativo a adorar um psicótico egocêntrico. Só não me disseste uma coisa: É que tudo iria ser muito mais desumano, como que um disco riscado dentro da minha cabeça, e “o que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós*”



*Clarice Lispector



BAR

Hoje sirvo:
COM ÁLCOOL
Drink of Lx

Ingredientes :
Gelo
4 cl vodka de morango
2 cl Bacardi lemon
sumo de limão qb

Método de Preparação :
Num copo com gelo coloca-se aproximadamente 4 cl de vodka de morango, seguidamente 2 cl de bacardi lemon e preenche-se com sumo de limão. Pode colocar-se uma rodela de limão.

SEM ÁLCOOL
Caipirinha Sem Álcool

Ingredientes :
Água Tónica
Açucar Amarelo
1/4 Lima
Sumo de Limão

Método de Preparação :
Macerar bem 1/4 de lima com açucar amarelo, depois juntar 1 dash de sumo de limão, mexer bem, depois de bem mexido juntar a água tónica, acabar de encher o copo com gelo moído.


MÚSICA

Sirvo ainda: Out of África. Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist abaixo.

Domingo, Março 08, 2009

Crónica de Filha em Carnavais de Betão e Dias de Cão


Escreve. Seja uma carta, um diário ou umas notas enquanto falas ao telefone, mas escreve. Procura desnudar a tua alma por escrito, ainda que ninguém leia; ou, o que é pior, que alguém acabe lendo o que não querias. O simples acto de escrever ajuda-nos a organizar o pensamento e a ver com mais clareza o que nos rodeia. Um papel e uma caneta fazem milagres, curam dores, consolidam sonhos, levam e trazem a esperança perdida. As palavras têm poder.

Paulo Coelho


Lápis de cor amontoados num mikado colorido. Retiro o suspiro de Carnaval que desceu a Avenida. Achei-o cinzento. Achei-o da cor com que o meu pai me pintou a eterna cobrança da perfeição. Um mal danado de um chove não molha de pressão psicológica. Refrão de angústia que Jobim cala quando o idolatro em mais um transplante de alma falhado. Olhando, dez mil anos antes de Cristo, sem coros de igreja, homens, mulheres e crianças reuniam-se mascarados para espantar os demónios que cortavam os pulsos sobre as suas plantações. Levados para a cama pela fome de jantar posto na terra, eram sorvidos pelos de sangue azul. [Agora é o mesmo]. Não havia jardins. Reservavam-se flores para Babilónia. O corso destinava-se a sobrevivências. A origem do Carnaval é obscura, fez-me crer o patriarca. Dum religioso primitivo pagão que homenageia o, para ele, assustador Ano Novo e algo mais, o ressurgimento da natureza. Fingimento montado em andaime certificado. Será? Edificava-se a exigência e o desconhecimento do mundo. O enjaulamento na escola, o carreiro certo sem desvios, nem para entrar na livraria a cinco tostões de levar uma tareia do Rei Momo. Um dia a professora primária carimbou-me o A4 com o “X” e um xaile carnavalesco para que eu desce-se nele, e em linha de vida, um algeroz de canetas de feltro. Agarrei num lápis cor de burro e zumba fiz desaparecer o manto, sei porquê. A alma, num antónimo provocado, traía-me. Companheira de guerra dos meninos, em confettis desbotados, carimbou-me a régua as falanges e as falangetas de dor. Nestas horas desejava ter mãos de tesoura e cortar a minha paixão louca por sorrir um pouco. Gostava de rir, mas a expressão folia dos lábios era abalroada em papel de parede claustrofóbico de um quarto de poucos metros quadrados que usava para fugir. Na rádio local espevitava-se a esperteza saloia e em reclames da época avivava-se o Pierrô de traços andróginos e anjo do bem. Via Columbinas de Veneza, [vejo Columbinas bailarinas fúteis,] simbolizando a Terra equinocial em dias de amores ilícitos. E o tentador Arlequim italiano de desejos e tentações realizados na protecção do anonimato das máscaras. Estranha forma de vida*. Num bluff predador, não me era permitido ter amizades. Proibidas as pulseiras de trapo e linhas. Proibida a televisão, a música, o vídeo, proibidos os posters, os passeios, a praia mesmo à porta. Só me lembro da tabuada decorada para não apanhar. Parecia que andava sempre com um ovo estrelado na cara e os números prontos a serem disparados da boca. Amarela, na catequese, desenhava o único trajecto permitido. Percurso até ao conclave, num Bispo traçado, que também enganou, enquanto o Diabo esfregava o olho. Lés a lés, código do divórcio, apaguei os dias especiais. Nada de dias do pai, dos anos, dos namorados, da mulher. Ficou-me os dias de cão sem chocolates, nem pastilhas, nem amor. Diários medidos a metro e em buracos de balas ainda alojadas e a granel na minha Tucha (a Barbie do meu tempo) das brincadeiras. As serpentinas foram enroladas no homem autoritário que chamei ignorante por conta própria. Pois viver é a coisa mais rara do mundo **. E ontem saí para a rua, cancelei o stand-by, senti-me uma pita de 6 anos no meio do cortejo da terça-feira, feriado facultativo dos corsos e grémios de loucura. E transpus a Directiva carnavalesca do obrigatório sorrir. Continuo a não ter mãos de tesoura, nem tencionei atirar ovos e guaches dos tempos idos, esses ficaram no banco dos réus. Digitei a password que me permitiu a dimensão actual. Correndo o risco de encontrar o Rei Momo, olhei os meninos da escola e da creche descendo a rua principal. No meio daquela gente toda, vi-me e encontrei-me… De sorriso amarelo, uma menina mascarada descia a rua, traje a combinar com as teorias de evolução de Darwin. Em directo para a rádio local, o locutor gritou, depois de dizer o nome da escola: Não posso acreditar! Vai aqui uma princesa... Uma princesa com uma pistola na mão!!!!!!


*Amália Rodrigues
**Oscar Wilde



BAR

Hoje sirvo:

COM ÁLCOOL
Long Drink Flamenco

Ingredientes :
2 doses de Campari
3 cl de Vodka
Espumante
Gelo

Método de Preparação :
Junte o Campari e a Vodka num copo alto, acabe de encher com o espumante e mexa rapidamente com uma colher.


SEM ÁLCOOL
Batido de Abacaxi

Ingredientes :
1 abacaxi
1 lata de leite condensado
2 garrafas de guaraná

Método de Preparação :
Bater tudo no copo de batidos.
Passe por peneira fina.
Servir bem gelado.

MÚSICA

Sirvo ainda: Elis Regina- É com esse que eu vou . Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist abaixo.

Sábado, Fevereiro 14, 2009

Abraço de Frio


Por que não cai a noite, de uma vez?
— Custa viver assim aos encontrões!
Já sei de cor os passos que me cercam,
o silêncio que pede pelas ruas,
e o desenho de todos os portões.

Por que não cai a noite, de uma vez?
— Irritam-me estas horas penduradas
como frutos maduros que não tombam.

(E dentro em mim, ninguém vem desfazer
o novelo das tardes enroladas.)


Maria Alberta Menéres




Neva em Budapeste. Despisto-me em patinagem artística que faço no teu coração gelado de Átila cruel e rapina. Simples, há uma guerra em Tróia, oriunda das mentes gerais, onde a Minie e o Mickey espreitam do cavalo de pau e atacam, cantando o mundo encantado e de cartão do Sardet. São histórinhas da infância que nos trazem o pão de alho, a pizza e o sumo doce à mesa romântica numa casa de música e cheia de cupidos. Em contradição cheira a traições. Nada de ursinhos e o elefante Babar a ver a banda passar. Mas, eu, como não fui Guinevere não atraiçoei a Távola Redonda e o rei que retirou a espada do coração profanado da Terra. Proclamo que a soltou em busca da perfeição humana, primeiro mandamento do Código dos Cavaleiros, de Sir Thomas Malory e meu. Procurava uma ordem sadia, isenta de extenuantes odisseias de sangue que também patinam em mapas bélicos. Sei que voou e prostou um cupido nas cartas celestes de Scarlet O'Hara interessada em Tara e não em Rett Butler. Lost Cause. Reitero a imensidão do Mediterrâneo e Ulisses irreconhecível depois da ilha de Circe e da maldita feiticeira que manufacturava porcos. No peito, como que aquele contínuo e rebentado míssil de paixão por um Fantasma da Ópera de novela gótica. Teço a colcha, teço e desmancho como Penélope rodeada dos galanteadores pretendentes de flores em punho e olhos enforcados por laços de Punjab*. Dias sedentos, praça do Dr. Sousa Martins adentro e as bruxas que não se calam e namoram com os guias de espírito. Deixam os mártires da pátria a queimar em velas de lume brando. Uma delas levou-te sem saber que em nós vibrava Henry and June. Um Youpi de Kid Loco. Um laço sobrenatural de mãe e filho. Perdeu e foi para o cemitério de Setúbal catar pregos de caixões. Grita-se o perigo do canto das sereias, que no fundo, nunca as vi, mas seriam de boa resposta aos espalhados como tu. Ao lado, o Adamastor berra iluminado por um vaga-lume idílico, enquanto eu dissipo o chão envolta em relatórios de contas que passeiam na pasta da justiça, dos riscos e da cigarrilha aromatizada. Perdida a minha cabeça, bebo em taças século III do decapitado S. Valentim contra a ordem imperial. Descobri no dicionário que cupido também quer dizer homem ridículo com pretensões a bonito. Fiquei confusa… Já vi, continuamos a brincar, e de bumerangue em punho, como as tuas idas e voltas, em acto societário assinado no Registo, quase que um casamento. Buda e Peste que o Danúbio separa a tremer de frio. A nós separa-nos o racismo entre brancos, a sopa de pedra só de água e calhau e aquela politica que hoje recuso-me a falar pois é dia do amor. Onde será que você está agora**. Desço o manipulo da slot onde se aglomeram pedaços de alma e anjinhos agora em saldo. Jackpot. E encaro o real... Há a Ponte das Correntes, a Ponte Elisabeth, a Ponte da Liberdade e a Ponte Margit que uniram Buda e Peste. Mas, a nós, nada nos une, só histórinhas que nos tramam o cinema só e à tua espera, o dizer que vens, mas tudo o vento levou. Dizeres que o teu coração bate por mim, mas lá dentro, tal cavalo de Tróia, só saltam guerreiros danados prontos a arruinar. Andas espalhado para ai, como bem dizes. E, como és do contra, puseste o Popeye dos espinafres com a Margarida, a Olívia Palito com o Donald, o Romeu com a Isolda, a Julieta com o Tristão e hoje anda tudo desencontrado no dia dos namorados… Olha! Sabes uma coisa ? Assim vai o mundo… O mundo que dizem romântico…


*espécie de cordão feito de tripas de gato, que o Fantasma da Ópera usava para matar.
** trecho da música Metade de Adriana Calcanhoto
(ouvir aqui).


BAR

Hoje sirvo Poção do Amor
Ingredientes :
Vodka
Bacardi
Gin
Franjelico
Grand Maurnier
1 colher cheia de mel
1 copo de rum branco
Martini Rosso
Vodka negra
Champanhe meio-seco
Campari e
Sumo de Laranja(ou limão)ou...qualquer outra fruta de sua preferência.

Método de Preparação :
Coloque uma dose de cada uma das bebidas num shaker misturando tudo de uma só vez. Acompanhe com gelo.


Sirvo ainda: Chico Buarque, Tom Jobim e Telma Costa - Eu Te Amo. Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist abaixo.

Domingo, Fevereiro 01, 2009

Palco de Feras

Images and Photos
Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém, provavelmente, a minha própria vida. Viver é uma espécie de loucura que a morte faz.

Clarice Lispector



Escrevo-te como se o Diabo voltasse para devolver a tua alma inacabada e vendida na adolescência mensageira de Deus. Ou Leviatan, o outro príncipe coroado do Inferno, a serpente submersa, o mar, o oeste. No 1º acto assolam-me os 22 dias presentes de explosões em Gaza em grãos de químicos florescentes que mexem nas minhas recordações de infância, donde só restam vampiros psíquicos. O recomeço a cada pedrada de minutos. Maria Madalena voltou, ressuscitou nos Evangelhos Canónicos. A alma que exorciza, reclama os momentos não vividos mas idolatrados da Palestina dependente. Personal Jesus exige, em alta fidelidade, o estado natural do Homem egoísta, egocêntrico e inseguro de Thomas Hobbes, o dissecador da sociedade. Jardins suspensos de pedrarias decore e fashion empreendem cataclismos de desejos. Carrosséis rodopiantes pairam galantes e ociosos no plátano de luxúria que realizas, regada por um simbólico rio Eufrates, com saudades do mar, dos campos e florestas do teu berço. Tal Amitis de Nabucodonosor, olhávamos o futuro intemporal, não ansiávamos o Babilónico verde mas o palco. Noutros livros comíamos batatas fritas, pão com manteiga e enfrascávamos uma gasosa repleta de bolinhas efervescentes. Afinal cada pessoa tem o direito de tudo, mas com medo. O medo que pára a Justiça. E com isso, no semblante, a eterna discórdia. Bellum omnia omnes*. Somos do tempo do jogo da Glória ou do Ganso onde a ponte significou para mim o inconformismo e para ti a tentação. O poço, a terra fértil mas mártir e para ti a certeza de um sexo diferente da alma. O labirinto, cruzando a panaceia universal dos alquimistas, simbolizou a minha segunda vida e a tua também segunda biografia. Somos do sofá, da tv a preto e branco e dos Pássaros das janelas inventadas de Hitchcock e Daphne du Maurier. Longe, a Triologia dos Dragões, encenação de Robert Lepage em terras de Quebeque. Jeanne e Françoise que reconstituiram o seu bairro, uma China imaginária, com caixas de sapatos. Hoje a chinesice é enfrentarmos as ruas, porta sim porta não, de papelões de um mundo só de objectos do Oriente. Vá lá, ainda não chegaram àquele fatídico sítio em Alcochete onde sua Excelência o Sr. Primeiro Ministro espelha agora a sua cara. Fica-nos o admirável tribunal que se calará para sempre como faz com todos, os desta laia, enquanto eu chupo uma Smint de gelo e o Juiz um caldo de galinha. Eu, que não sabia que os profetas da Bíblia não conheciam o vocábulo "Hell" e espetaram com os anjos caídos no Tártaros. Aqueles que, por aqui, fizeram-lhes um shot e mandaram-nos às compras para o shooping. Sei que farás disto um filme e eu um grito no bar, pois "gosto do modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno vôo e cai sem graça no chão".** Sou filha de um pai do passado. Por isso, e procurando histórias, já sabias que eu iria directamente para a encruzilhada das rodovias 61 e 49 em Clarksdale, no Mississippi, onde, tal como tu, Robert Johnson, um famoso cantor e guitarrista americano de Blues, vendeu a sua alma. Assim, soubeste como montar o proscénio e nele colocar verdadeiros actores, inspirando-te. Eu sorvi-lhe a música, e nada coloquei, pois no meu palco já circulavam sombras sem que eu vendesse a minha existência. É assim o meu palco. Como podes aqui ver, é um palco de feras…




*"Cada um de nós tem direito a tudo, e uma vez que todas as coisas são escassas, existe uma constante guerra de todos contra todos", Thomas Hobbes

** de Clarice Lispector



Após esta reflexão, e não fugindo ao tema que me traz aqui hoje, respondo ao desafio que a Marta do Minha Página lançou aqui.



BAR

Hoje sirvo Long Drink Morning Flight

Ingredientes :
4 cl vodka
1 cl triple sec

Preparação :
Preparar no próprio copo longo e preencher com sumo de manga e de laranja.
Adicionar 1 cl de grenadine.

Para decorar:
Casca de laranja, 1 cereja.

Sirvo ainda e em "palco":
Caetano Veloso,"Cucurrucucu Paloma". Filme "Talk to Her", de Pedro Almodovar. Para ouvir coloque em pausa o Music Playlist à direita.

Domingo, Janeiro 18, 2009

Álcool Puro (ou Monstros Electrónicos II)

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Eu tenho uma outra "serenidade", diferente, que me é dada por já ter vivido uma história standard, já ter um filho...isso dá-me a serenidade de não "ter que fazer mais nada". Mas não tenho a serenidade de estar em equilíbrio, isso não. Só que pergunto a mim próprio como poderia ficar em equilíbrio e toda a lógica diz-me que ter uma mulher e filhos nesta fase seria um perfeito dum disparate...e acho que tenho razão. Assim fica a necessidade ou continuar perdido em curtes mas aguentar a minha cabeça de boa saúde ou ter de inventar novos caminhos.

P.


Cheira a orquídeas dessas que o tempo reencarnou. Flores em braço da avó Maria quando ajeitava os anéis e compunha o colar do Cristo envolto em espinhos. Aqui são rosa, rosa choque estes shots que colhi do ecrã onde evidenciei o homem, ou os homens, que raptam e mutilam princesas indefesas. Dos copos saíram monstros electrónicos aqueles que descaradamente derramei em palavras, numa caipirinha com mais lima que açúcar amarelo. Escrevi, há já dois anos, laranja limão, limão laranja. Recordam-se? Servi shot After Eight, aqui mesmo, neste bar. Em muito pouco tempo chegaram até mim certezas que tinha, ao colocar-me nas palavras dum predador, que tinha acertado na “mouche”. Guardei esta sopa de letras, pois queria completar com o tempo necessário à disposição para digerir o que não supunha encontrar. Pois, é fácil falar de amor, ou até, das suas lágrimas (atrevi-me inclusive a vestir a capa da besta e a sentir, entre os dedos, as mantilhas, em epitáfios, das mulheres enganadas) mas não é pêra doce o predador vir até aqui beber uns copos e “identificar-se”: “No teu Blog..."Monstros Electrónicos" é um homem que está a escrever...quem é ? sinto-me tão perto..percebo-o tão bem....”. Perante as certas nortadas que valsam os anjos do Mar do Norte aguardei, em espírito, por milhas de sueste tal e qual o Algarve em época de Praia da Rocha e estrangeirada que às vezes até deixa os filhos para “raptar” e mancha a justiça portuguesa (há por ai outro tipo de monstro). Pelo Monstro nutri um mesmo sentimento que nutro por monstros que “caço”, ou nem por isso, nos castelos que o Quasimodo encarcerado habita. Muitos limitam-se ao fecho das suas pálpebras e criam dentro dos cárceres fantasias chiques, à là Moulin Rouge com damas em Paris. Francês correcto e estrangeirismos transformam as feras em galanteadores senhores sós e atolados em doutoramentos honoris causa. Outros fazem dos caminhos minutos ansiosos, a liberdade e bons empregos permitem chegar, e de férias marcadas por umas horas, muito mais facilmente, aos destinos que fazem cócegas na barriga. Tudo o que daqui em diante servir foi autorizado, não há castelos no ar, nem ficções. Pois pedi-lhe histórias e hoje a bebida é pura, pura… veio dele:

“Histórias?? A pensar nisso e numa altura que já tenho idade para fazer balanços (41 anos) veio-me à cabeça algumas palavras que juntas fizeram de mim alguém que consegue subir algumas montanhas:
sonho
obsessão
focus
dor
visualização
Sim, agora é claro, que na minha vida as coisas que fiz acima da média, não por serem forçosamente importantes, mas por serem difíceis de realizar, tiveram como suporte estas palavras.
Senão repara...
- Fiz a minha carreira de informático desde muito novo, e mesmo sem acabar o curso tive sucesso.
- Fui fiel ao meu casamento durante 14 anos.
- Emagreci 45 kg em nove meses só com força de vontade.
- Comecei a correr 10 minutos (não aguentava mais) e acabei a correr uma meia-maratona.
- Dos 37 anos aos 41, depois de divorciado, dormi com mais de 20 mulheres.
Todos estes pontos têm as suas histórias, mas sempre com aquelas palavras presentes.
Isto é uma coisa gira de ter 40, já podemos analisar o passado e tirar algumas conclusões, que quando estamos a viver as coisas não são tão claras…"(2007/1/17).


Desafiei novas palavras, embora caladas, e sem eu estar à espera, um dia voltaram a 2 de Setembro de 2007:

“hummmmm esse coração continua a não estar disponível para ninguém?”

Momentos depois a verdade arremessada e sem paz :

“eu sou mais um homem como os muitos que tentas-te encontrar....aquela história tem uma evolução...sem te chocares...na minha cabeça imagino que quando estou mal de cabeça...resolvo tudo com sexo....e parece que entro num ciclo vicioso...cada vez mais só… cada vez mais sexo pelo sexo...cada vez mais só...”.

A guerra interior:

“Tentarei seduzir-te até sentir que queres ir para a cama comigo.....depois fico de novo em paz. Agora é assim sucessivamente....já nem o sexo propriamente dito é o mais importante.”

E a listagem das mulheres coleccionadas, ou será dos anjos também de patologias mentais assombrosas. A todas elas ele atribui-lhe um epíteto daquilo, que ia nas suas negras asas, depois do sexo:

.A mulher da minha vida, Faro
.A "nova" descoberta, Porto
.O maior amor, Lisboa
.Historia de encantar, Lisboa
.Casada fizemos no carro, Cascais
.Lumiar fizemos no carro dela, Lumiar
.Fizemos carro na encarnação, Encarnação
.Traição perfeita, Sintra
.Estava apaixonada por mim, Lisboa
.Tão perto e inesperado, Lisboa
.Sonhadora linda, Setúbal
.Depois de um jantar com os copos, Lisboa
.Ficou mal resolvido dentro de mim, Cascais
.A alma mais compatível comigo, Almada
.A mais velha, surpreendente, Belém
.Iniciou um processo como o meu, Benfica
.Pintora, Benfica
.Viagem de sonho, Madeira
.Uma mulher para uma vida, Sacavém
.Vini vidi vici, Lisboa
.$ paguei, Lisboa
.Distante, arrogante e independente, Lisboa
.Louca como eu, Lisboa
.Coração grande, Sintra
.Provocação total, Lisboa
.Rica e distante, Lisboa
.Professora louca, Porto
.Faladora, Lagos
.Nunca saberei quem é, Lisboa
.Coração Lindo, Coimbra
.Magríssima, Santarém

Correu até elas pela ânsia disso mesmo, tal monstro electrónico, correr e ter sexo, mesmo que a distância fosse o ponto mais frio do Mar do Norte. Umas traíram anjos, outras monstros e outras absolutamente Deus. Para mim escreveu as últimas palavras: "evita-me sem olhares para trás…nunca te esqueças... nunca tentes mudar um homem sem coração..."
E eu… Cidade dos Anjos adentro, mergulhei no Bar, pois na eterna luta contra os monstros corremos sempre o risco de nos transformarmos num deles…


BAR

Hoje sirvo Long Drink Just The Way You Are

Ingredientes :
Vodka Melão
Malibu
Bacardi Lemon
Safari
Sumo

Preparação :
Misturar em shakers separados em proporções 2-1 a vodka com o malibu e o bacardi com o safari, depois meter tudo num copo com gelo picado e 1 rodela de limão, complete com sumo a gosto.

Sirvo ainda:

Back To Black - Amy Winehouse

E ainda esta surpresa:
O Profeta (aqui), deixou-me este convite: “Convido-te a partilhar “ALQUIMIA DAS PALAVRAS” no lançamento do livro com o mesmo nome da autoria de Armando Moreira, que terá lugar no dia 24 de Janeiro de 2009 pelas 21 horas e 30 minutos no Coliseu Micaelense.”

Como era bom levantar voo e ir até São Miguel… Bem Haja.

Photobucket

Para aquisição da obra (verdeeazul@gmail.com)

Segunda-feira, Dezembro 29, 2008

Viva La Vida

Angel Pictures, Images and Photos
O desgosto é a melhor forma de assassínio por nunca se encontrar a arma do crime.

António Lobo Antunes


Apetece-me tocar piano, compor de escrita a minha volta já quase fantasma mas não esquecida. Li os comments e os porquês de cada um. A força singra das respostas. Sei que trago nas asas um Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero*, pois a hegemonia do que é politico e poder em si violentou-me, obstruiu-me a pedra filosofal e deixou-me a caixa de Pandora. Foram os meus desafios ao medo, a certeza de estar perante predadores e os seu anseios que me soltaram a inocência. Não quebrei regras, assumi-as como sempre. Não dei resposta à dor mais óbvia e familiar, acho que nunca terei resposta. Não há resposta, há uma esquizofrenia dupla onde os seres são mesmo almas do outro mundo que caminham e ditam apenas memórias de elefantes desafinados. Li algures que “Uma memória fragmentada recorda pouco mais do que o nada!” E se a memória foi sempre fragmentada? Traumatizou-se a criança e o adulto que caiu dela. Entre politicas, influências do povo mau e os traumas desenhou-se a minha página web, encriptada, que deu ao mundo o verosímil contra a natureza das coisas. Com isto, certo dia, apareceu nela alguém e mais alguém e mais e mais… Aprendi a falar como se fala longe de um ditador e eis que o desafio aos medos e aos predadores soltaram palavras e pensamentos. Hoje mostro isto. Se calhar tem um pouco a ver com o que se passa no mundo… Tem um pouco a ver com o que não se vê mas sente-se. Com aquilo que todos deixamos andar e depois vomitamos em escrita. Afinal, a escrita é um delírio organizado**. Maravilho-me sempre com isto e com o Lobo Antunes, pois sempre idolatrei a organização e perfeccionei os anjos do meu bar. Então, respondi a um dos “alguém”, mais propriamente ao Yan, ou será John... Entranhei-me num comentário a fotos por mim mostradas sobre a guerra no mundo (republicado no post anterior deste blog) num álbum chamado "Mundo ao Contrário". Isso fez-me voltar a escrever... dar resposta à mensagem a mim endereçada. Isso fez-me falar sobre os que sei que efectivamente governam a Terra. Aqueles que nunca iremos conhecer:
(Vejam o post anterior antes de ler o que se segue)
“Sim Yan, as pessoas habituaram-se a culpar os Estados Unidos de tudo o que se passa de mal no mundo, tens razão… atrevo-me a dizer que é o cansaço… o desalento pelas cartas que nos chegam das estrelas cadentes e esperadas na TV. Sim Yan, os políticos não são os culpados, isso é verdade… eles apenas, e com dois dedos de testa, dão ordem para avançar, apenas isso… a ordem suprema vem de fora dos que pagaram as campanhas políticas para poderem governar efectivamente o mundo (mas nunca dando a cara). Acho, que estes últimos, os dos bastidores, “aqueles que investem” e não se mostram, muitas vezes, se sentam todos numa mesa redonda de chá (as minhas mesas de elite – nestas podemos ver quem fala e não nos olha nos olhos) e falam de tudo menos política. Porque a politica, de certeza, é outra coisa. E… imagina se um dia viessem aqui à minha página web ver estas modernices que fazem maratonas para fugir da guerra… estas que enquanto a pessoa está aqui se esquece da política e das hostilidades e muitas das vezes até dá umas larachas de sexo. E sem querer, tal como aconteceu contigo, encontrassem uma menina de olhos verdes que há muito se apercebeu que o pai natal anda aos pontapés a uma cidade chamada “Utopia” (sem nada adiantar, diga-se, ele pensa que a vai acordar). E, esperançados, fossem espreitar se eu tinha daquelas fotos “playboy womem” e ao abrir o meu álbum “Mundo ao Contrário” descobrissem curvas magras e ossos doloridos de filhos incógnitos e contrários à paisagem. Procuravam mamas e descobriam lixo. Lol. Lixo, sim lixo… Porque eles nunca despejam o lixo…têm quem o faça… por isso não o vêem. Ao menos havia um dedo mindinho do pai natal que sopraria de prazer…. E eu… não culpei os Estados Unidos, nem lancei choros nos Media. Fazia com que os senhores da mesa redonda vissem as mamas, mas as mamas magras dum mundo que paga as alucinações desta mesa de chá, assim mesmo, REDONDA de orgias lancinantes… Mar”


No espelho em frenesim denso reabre-se o bar e, de volta da caixa, os anjos esperam a filha de Zeus. O seu nome é Pandora e eles não a deixarão abrir a caixa…


*Alberto Caeiro
** António Lobo Antunes


BAR

Hoje sirvo Sangria de Champanhe

Ingredientes :
1 litro de champanhe
1/2 litro de gasosa de lima limão
1/2 litro de sumo de laranja
1 pau de canela
hortelã
açúcar q.b.
morango
manga
kiwi
pêssego
abacaxi
uva

Preparação:
1. Corte a fruta em pedaços pequenos.

2. Misture o champanhe, o sumo de laranja e a gasosa. Acrescente à fruta.

3. Tempere com o pau de canela, a hortelã e o açúcar.
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Pouco tempo depois de atrever-me a responder a Yan vi este vídeo e rendi-me. Tenho a certeza que perceberão porquê. Por isso sirvo, ainda: Bloc Party, Mercury


O meu muito obrigada ao Artur pelos comentários no meu álbum "Mundo ao Contrário" presente em página web, comentários esses que acabaram por despoletar todo este "debate" com Yan (Jonh).
Um Bem Haja ao Yan onde quer que esteja...
Graças a vós reabriu o Angel Bar.

Domingo, Dezembro 28, 2008

Mundo Ao Contrário

“A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes. (Churchill)”






















































Qual o mundo que deixaremos para as crianças de hoje, para as que ainda nascerão?

Sábado, Agosto 04, 2007

Limpa-Chaminés


Muitas vezes parece que o diabo bate à nossa porta, mas é simplesmente o limpa-chaminés

Christian Hebbel


Caros amigos e leitores, aqui estou eu de novo, desenvolvimentos profissionais e actualizações académicas levaram-me a estar um pouco afastada do Angel Bar mas de forma alguma lhe fechei as portas. Este Bar é como que a menina dos olhos do meu mar, sim porque um dia quando eu for grande gostava de ser escritora… Em breve haverá por aqui nova música e um novo drink… Para ajudar estou com o pc avariado e lá terei mesmo de chamar o limpa-chaminés... Obrigada a todos.

Sexta-feira, Abril 27, 2007

Thinking Blogger Award

Foi com enorme prazer, que recebi do amigo Alex Gandum e da Marta, nomeações para Thinking Blogger Award.



Cabe-me agora a mim também indicar cinco dos blogs que me fazem pensar e os quais recomendo:


Alquimista - O Blog com o qual mais me identifico.

Fundamentalidades do Alex Gandum - Bom gosto, muita actualidade e um amigo.

Minha Página da Marta - Poesia de muita qualidade que espero ver em livro.

Estados Gerais do José Alberto Mostardinha - Actualidade, crítica, reflexão e humor.

Foto-Lumen do Om-Lumen - Reflexão e fotografia de muita qualidade.


Os escolhidos devem copiar o logotipo do Award e colocar na barra lateral do seu blog com o link para o próprio post. Depois é só escolher cinco blogs e fazer um post indicando-os.



Obrigada Alex e Marta.

Terça-feira, Março 27, 2007

À Prova de Bala


Ao meu afilhado Bruno Saudades, uma justiça acelerada... Já que como disse Jean Jacques Rousseau os homens dizem que a vida é curta, e eu vejo que eles se esforçam para a tornar assim.






a verdadeira justiça não permanece sentada diante da sua balança, a ver os pratos a oscilar

Romain Rolland


Tenho em mim todas as horas e mecânica do mundo. As horas do desespero de quem quer chegar a casa, àquela que custa os olhos da cara, ou ao trabalho, aquele que explora entre o campo e o império. Os tempos cronometrados de quem esta de férias e não pode prosseguir para os palácios em construções na areia. Os cabos de arranque de relíquias arcaicas e fora de moda. Os sinistros como pêndulos em relógios de cuco e de baixa cilindrada. As ambulâncias sem stop e os meninos que não puderam sobreviver. Trago comigo a ergonomia, a praticabilidade, a solidez, o design agradável, multi-eléctrodos que melhoram o rendimento e optimizam a performance, a garantia vitalícia. A 2ª Circular está tatuada na minha mão em algodão de lustro e os acidentes marcam em linha e lanternas de halogéneo a estrada longa de sete projécteis que não dormem porque tudo o que dorme é criança ao quadrado. Inspecciono as frenéticas avenidas. Levo comigo os pirilampos, e sou um pirilampo. Barras de reboque na pluralidade do universo, cabos de bateria na linha da vida, bomba anti-furo no passado morto e jerricans de aço ou plástico no sangue que simulou a minha vida.
Hoje pedi ao meu pai que me passasse a mão pela bala que espreita do braço, seis lágrimas rolaram tantas como as munições que em espírito e corpo me ficaram entranhadas pois a sétima entrou e saiu, tantas como os comprimidos que a minha asa e senhora toma para caminhar no meu sentido e das meninas que não são só pensamento. Quanto à cobra??? Não sei!!!!! Acho que lhe puseram uma pulseira electrónica e antes deram-lhe muitos meses para continuar a perseguir-me. Mas desassossego a cada milímetro, na tentativa, no chamamento oriundo do telefone móvel a solicitar um serviço a largas horas no tablier que a noite carrega de critérios simples. Amorteço a queda em boa suspensão, talvez, depois do S.O.S. oriundo dos Olivais, viatura apagada e de cobra, chave dentro, serviço de desempanagem completamente estudado e premeditado para um mecânico como eu. Esperava-me a arma de fogo a uns milímetros da traqueia. Lembro-me de cintilar um brinco polivalente em piso seco e molhado de cabeça em terra larga e marginal. Do sangue vou guardar as cartas de marear na dor e no corsário enfoque pirata e que me conduziu até à esquadra mais próxima. Pelos meus pés passeei a teimosa morte. Dancei com ela à boca de um rap que relaxa a verdade. Levaram-me o telefone para disfarçar e pensaram ficar ricos. Ricos de artigos em código penal ajustados. Ricos de vencidos às mãos da policia judiciária. E agora? Agora vou ser penalizado na próxima inspecção que o diabo me fizer: cor alterada, simplesmente o meu brilho é maior, aprendi que agir é a inteligência perfeita; deterioração do reflector, passei a reflectir a tempo inteiro os meus sonhos concretizados, a minha filha mais nova disse-me ontem que quando crescer quer ser como eu; mau funcionamento, os médicos suspiraram que o meu corpo expulsará as balas, há uma que até já quer ver a luz do dia, isto passa; mau posicionamento, a família fala em primeira voz; má fixação, centrei e fixei-me na moldura legal dos meus agressores, espero a concretização cega da justa medida... E de madrugada vou continuar a rebocar sonhos, muitos sonhos Avenida Gago Coutinho acima e embarca-los nos aviões céleres do aeroporto, para que voem e cresçam como anjos, mas não até aos anjos. Pois não deixei de brilhar. Porque eu, eu sou à prova de bala.




BAR

Hoje sirvo long drink Klass Cafe

Ingredientes :
Vodka
Pisang ambom
Batida de coco

Preparação:
junta-se pela sequência
1/2copo de vodka
1/4copo de pisang ambom
1/4copo de batida de coco


E a leitura da Fábula do Pirilampo e da Cobra:

Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um pirilampo que só vivia para brilhar.
Ele fugia rápido com medo da feroz predadora e a cobra nem pensava em desistir.
Fugiu um dia e ela não desistia, dois dias e nada.
No terceiro dia, já sem forças, o pirilampo parou e disse à cobra:
- Posso fazer três perguntas?
- Podes. Não costumo abrir esse precedente para ninguém mas já que te vou comer, podes perguntar.
- Pertenço à tua cadeia alimentar?
- Não.
- Fiz-te alguma coisa?
- Não.
- Então porque é que me queres comer?
- PORQUE NÃO SUPORTO VER-TE BRILHAR!!!

Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007

Sinto-me como se estivesse em jejum

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A razão porque os fantasmas abandonaram os velhos castelos da Escócia é porque as pessoas deixaram de acreditar neles

Gilbert Chesterton



Disse-me um passarinho que vens de estrada desmentida, após Santiago de Compostela, e que enquanto não chegares não vais descansar. Paras apenas no bar dos caminhantes e Templários de outrora. Mastigas um bocadillo de qualquer coisa e disparas em cartucho um Cristo cigano. No semblante trazes a Arca da Aliança e os seus poderes mágicos que respiram num incensário fatídico onde o teu dragão queima a espada de S. Jorge. Escalaste a intempérie, salvaste a fera porque não te lembras nunca de ter sonhado. A fera disse que queria ser como tu, tal e qual um filho fiel e passou a perseguir-te em adoração terrena. Cheira-me aos teus deslavados adeus, aos pensamentos de ligas e meias de renda em delírios azuis contrastando com o negro que te ficou das ruas. Na minha mesa-de-cabeceira reina a tesoura aberta para cortar os sonhos maus e a imensidão da princesa que sonhei ser para que o teu dragão me resgatasse. As lendas saltam os santos como se o caminho te despoja-se de Monsanto e da marginalidade que te feriu o ego e as ausências de um mimo. Fere-me a saudade em ponta de faca e proa de homem livre que nunca se deixou apanhar. Vieste dum hórreo* exclusivo de pedra e guardador de cereais do melhor exemplo que se encontra na costa atlântica. Lá guardaste os 40 papo-secos onde miúdos como tu matavam a fome com um pacote de margarina Vaqueiro que era mais barato. Lembras a mal cheirosa gataria da vizinha, o desvelo, o desmembramento do puzzle de menino que eras. Fugiste mas nem isso te deixou sozinho, onde passaste ficaram os teus desejos contrafeitos. O furto ou o rapto do Requiem sublime de alimentações que matavam a fome aos teus. Não sonhavas ser Doutor como qualquer menino, juntavas apenas pedras do imenso caminho. Juntava-las nas costas e ias escondê-las para lá da gótica Puente de la Rabia que segundo reza a lenda espanta os cães raivosos. Ali nunca te enfeitiçou as relíquias de Santa Quitéria, isso deixaste para os Vikings mais atrevidos que marejavam no caminho e surgiam do rio Ulla. Hoje construiste um castelo como o de Ponferrada, creio, dele expulsaste o arcanjo da caminhada, mandaste-o fumar uns cigarros de barbas de milho que só os teus fantasmas fumam. Cedeste-o a outro caminhante. Sentas-te, como sempre no chão, era assim que espantavas “o querer ter e não ter” nas saídas de ar quente do metro e nos consílios dos deuses de fachada e senhores. A estes nunca lhes lavaste os pés, arranjavas-lhes os motores dos topos de gama aos quais as Finanças tapam os olhos tal e qual a representação da Justiça. Há que seguir os bons exemplos... Observas os crimes do Padre Amaro e és capaz de os detectar à distância. Crimes soft que os grandes, em sofá de ouro, comandam. Aqueles que depois também dizem “Não” à despenalização do aborto, para de seguida afogarem as mulheres, em fato Chanel, nas chiques clínicas de Espanha. Chamas-lhes cães raivosos que querem os castelos em bandeja de prata sem nunca saberem o quanto pesa uma pedra. Deixas para trás os “tiraboleiros”** que manejam com perspicácia o fumo e os incensos e lembraste do Sr. Comandante, ai duma corporação qualquer, que ficou com metade das horas ganhas por um bombeiro paraplégico a título de contribuição... Que eu saiba contribuímos
com aquilo que queremos. É por isso que olho o futuro e sinto-me sempre como se estivesse em jejum. Um jejum pertinente. Derramo o meu recipiente em espírito e conhecimento. E espero-te para que me leves a Compostela, que me perdoe o santo mas vou sem nada no estômago. Por aqui os lugares são para outros santinhos. Resta-me a ânsia de partir. Pedi-te que me ensinasses a alinhar pedras e por isso vens de S.Cristovão a tiracolo porque no fundo, no fundo o criminoso volta sempre ao local do crime. No espelho esse valor que não sabes dar a ninguém só ao motor que te exalta. Vens porque há uma pedra que só eu conheço - disse-me um passarinho ai pelas 4 da madrugada. Sim a essa hora! A hora a que os passarinhos cantam aqui pelo Alentejo.




*São em sua maioria excelentes obras de cantaria que unem fortaleza e beleza. A razão de ser dos hórreos é a de guardar a colheita em lugar ventilado para permitir a secagem de alguns produtos agrícolas.

** A origem da palavra “tiraboleiro”, está vinculada ao latim “thuribulum” que significa “lançador de fumo”. Homens que manuseam o incensário.




LINKS

  • Caminho de Santiago de Compostela



  • BAR

    Hoje sirvo Champanhe Sidecar

    Ingredientes :
    1/2 de conhaque
    1/4 de triplo seco
    1/4 de sumo de limão
    Champanhe

    Preparação:
    Misturar os ingredientes num shaker,gelar, deitar num copo de champanhe e completar com champanhe.

    Domingo, Janeiro 14, 2007

    Monstros Electrónicos

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    Se me amas
    Se me queres
    Não procures aquilo que
    Não há em mim


    Tim



    Hoje é em balde de champanhe prata a soar o Ring Ding do telefone móvel que a convenço a surripiar essa sua vontade autenticada de sair com o Anjo, que em tela, lhe promete pastilhas Gorila e rebuçados. Menina dos Fósforos, menina de fogo a quem já baralhei o intelecto e as boas acções pois sou bombeiro e quero a sua mão. Mas tenho fé, ela já consegue ver tudo o que eu vejo, sentir tudo o que eu sinto, até gosta de Simply Red e consome Live in London. Afinal outro artista, o Gandhi, suspirava: a força não provém da capacidade física e sim de uma vontade indomável. Eu convenço até o Papa a votar SIM e a esquecer-se dessa comparação macabra do aborto ao terrorismo que é o mesmo que “comparar um cú dum burro com a feira de Castro” bem vincado por um comentarista de rádio. Moët & Chandon para as badaladas palavras em copo de shot engodado à porta do teatro inglês na Estrela. A peça Seven Reaseans Why. Sorvo verbos e antevejo as razões. Preferir, escolher, gostar, desejar, apreciar, dislumbrar e desaparecer. Consagrada encontra-se a promessa de a ouvir ler as mais belas e líricas histórias mastigando umas pretas Oreo no sofá. E fui eu a propôr. Ela ficou maravilhada. No shaker 1001 sms de beijinhos e estrelinhas. Espreita-me o jejum mental de amor. Não me venham cá com os homens das cantigas do Carreira que sofrem por paixão que isso é o mesmo que ir aos perdidos e achados dos transportes públicos à procura da dentadura, ter que experimentar uma e descobrir que não é aquela. Bahhh. Dispo-me lânguido e ansioso, tenho que apagar um fogo, este compasso de espera e o surto até que a morte nos separe. Na verdade vamos só passar umas horas na roda gigante do amor e depois: levanta-te, veste-te que eu tenho muitas coisas para fazer. Hi5, Orkut, Facebox, Zorpia, comboios de sonhos onde já estou moldado e sou um príncipe, um médico, um engenheiro, um advogado, um escritor ou até um eu mesmo, na minha dupla personalidade, para parecer entrar numa relação perfeita. De seguida Personal Computer, conversas à velocidade contratada, um telefonema e a voz. O isco mordaz no amor à primeira vista como se isso pescasse alguma coisa. Não estou armado, és a mais bela, entra no meu carro e vamos fazer o Lisboa Dakar. E já está... Com a Menina do Mar foi a mesma coisa, servi-lhe um long drink de mimos importados da China, prometi crianças, palhaços e corri a pôr um adesivo para deixar de fumar. Não, desculpem, aqui colas só para deixar de amar. E filhos, ela que vá ao banco de esperma de génios. Não mordo berços, nem ensaio birras de putos. Mas isso não se diz. Convencia-a de que a distância era comestível. Um gajo sem estudos, mas duma crónica que escala montanhas. Precursor de vida até ao topo. No fundo, no fundo não tenho pastilhas Gorila, só umas Pirata tiradas do baú da avozinha lá das Caraíbas. A Menina disse que morreu, mas afinal, e bem vistas as coisas, foi apenas um sonho mau e sonhar com morte significa saúde. Tudo passa. E eu... Eu tenho um charme irresistível, sou um rebelde, mas tenho uma causa, é aliciar, provocar, seduzir e pecar. Olhar para a balança e ficar desesperado, mhm, mhm... Amanhã volto a comer fruta. Pois só penso limão e falo laranja.




    NOTAS

    Após esta reflexão, e não fugindo ao tema principal que me traz aqui hoje, respondo ao desafio que a Marta do Minha Página me dirigiu em comentário no post anterior e aqui.



    BAR

    Hoje sirvo um shot After Eight

    Ingredientes:
    - Chocolate preto
    - Licor de Menta
    - Vodka

    Preparação:
    Num copo de shot introduza, até meio, licor de menta, depois, quase até cima, vodka. Entretanto derreta 2 quadrados de chocolate de culinária e verta até encher o copo.

    Segunda-feira, Dezembro 25, 2006

    O Cobrador de Natais

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    A maioria das pessoas acham que fomos expulsos do Jardim do Éden. Eu não tenho tanta certeza. Acho que fomos nós que expulsamos Deus de lá.
    Bono Vox


    Boa Festas Sr. Administrador, é noite de natal e tocam os sinos da igreja... Este ano, a uma semana da consoada, prometeu um pontapé e outsourcing. Falou-me em know-how de muitos anos, para ficar descansado, e angels songs para doces medidas e contentamento. Também há muito boa gente que põe armas em países onde hoje o jantar se serve a sangue frio e depois vai à televisão cantar o Jingle Bell. Do que é que eu havia de me lembrar! Que comparação! É como lavar os pés no Mar do Norte e de seguida ganhar uma viagem ao Pólo Sul. Cool drink! E a Leopoldina tão bonitinha no Continente tão caridoso, se não fizermos lá as nossas comprinhas e pagarmos o natal no mundo dos brinquedos, anda cá se queres, mando-nos beber uns cocktails evaporados para o mundo do faz-de-conta. Eu diria que prefiro o mundo das histórias. Das histórias verdadeiras onde as sopinhas de letras formam páginas de tablóides trapezistas num circo à moda antiga. Para a minha ceia convidei figuras fantásticas daquelas que dão arrepios na pele, mas nada de evocações a Marco Paulo num mexe e remexe de duplas criaturinhas amorosas, loiras e morenas. Diria que me fazem rir e para si vou dar-lhe os seus rocambolescos contos acompanhados da fava do bolo-rei. À entrada do cabaz de natal, espadachim tal e qual o Zorro do Banderas, vem o Gato que quer sempre lambidas as botas. Na ponta da espada as pessoas como simples recursos empresariais de colarinhos apertados e uma imperial de fornecedores de inteligência que a Cinderela embala no sapatinho de cristal. Bem, sempre tem que haver aqueles, os das ideias, mas sempre à sombra dos seus líderes que se dizem senhores da lâmpada de Aladino e dos tapetes mágicos das promessas. E assim se vão mantendo. Era suposto o direccionamento de metas, Sr. Administrador, porque quem ganha a corrida é a tartaruga que levou o tempo a fazer o trabalho que a lebre não organizou. Mas é sempre a lebre que brilha e ainda traz a cigarra a tiracolo e que levou o Verão inteiro a cantar. A Bela Adormecida há 100 anos que dorme mas é esbelta e bonita. Às vezes dou comigo a pensar na triste Inês de Castro que foi coroada já estava mais que morta...Somos Polegarezinhos diria, mal calçados e sem extravagâncias que às sete da manha já estão a adiantar trabalho e às nove da noite ainda estão a terminar a jornada de cinco ou seis calões que levam o dia à espera que o telefone toque com pozinhos da fada madrinha. O carro fica lá fora pois estacionamento é para aqueles que chegam ao meio dia com uma mão cheia de chávenas de café no bucho e os sonos muito, mas mesmo muito, em dia. E a responsabilidade de linha e a função de staff? E a cultura participativa? Na tropa os novatos também têm que ler e dar a volta à imprensa e depois ir resumi-la aos queridos veteranos, mal agradecidos, que os acordam, numa noite sem sono, com berros da bruxa má. E nós a mastigar a desmotivação e ranger entre dentes "já agora cabra cabrês, salta-me em cima e faz-me em três" e assim ainda sou mais produtivo. E lá nos esquecemos da individualidade e da realização pessoal, Sr. Administrador. Eu não posso ter uma planta à janela mas aquela que grita dias inteiros “espelho, espelho meu existe alguém com um jardim de antipatias e frustrações maiores que o meu” tem quase que colado ao vidro os papéis da Inquisição. E os pintas que vão ao estrangeiro ver a inovação no programa de facturação, programa que nunca lhe vão tocar. Pianos sem teclas, Sr. Administrador. Onde fica a formação de quem efectivamente tem as teclas mas foi-lhes tirado o resto. Uma vez ouvi falar em enriquecimento do capital humano, o Pinóquio também vem no cabaz e fala muito disso. E a Carochinha e o João Ratão que em prémios comerciais encheram o caldeirão. Igualdade acima de tudo, Sr. Administrador. Há que preparar o futuro para crescer e desenvolver. Por isso não nos devemos conformar com as conquistas já alcançadas. E buscar sinergias... Viva ao trabalho de equipa e solidário. Ah ah ah, Sr. Administrador, mas a Branca de Neve tem sete braços direitos de contratos mensais e uma cesta de maçãs de ignorância. E já agora parabéns, Sr. Administrador, excelente ideia a de criar uma empresa de trabalho temporário para dar emprego a estes e a milhões de anões, afinal são todos uns bons rapazes. Tão conveniente...E com isto tudo, porque se faz tarde, e ainda tenho que comer as filhós que o Lobo Mau deixou na cestinha do Capuchinho, vou dizer-lhe que já criei o meu próprio emprego. Vou ser cobrador... O cobrador de natais, Sr. Administrador, porque este ano, graças a si, a muitos gémeos e aos vossos encruzilhados mandamentos de gestão de pessoas, o coelhinho NÃO VAI com o pai natal e o palhaço no comboio ao circo...




    BAR

    Hoje sirvo Barbie Doll
    Ingredientes:
    - 30 ml de Malibu
    - 30 ml de Groselha
    - 30 ml de Sumo de Ananás
    - 30 ml de Sprite

    Preparação:
    Num copo de Cocktail, juntar tudo sobre gelo.


    E para recordar: Christmas (Baby Please Come Home) - U2

    Domingo, Dezembro 17, 2006

    Grandeza



    Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar
    Friedrich Nietzsche

    Sábado, Dezembro 09, 2006

    Ex Malo Bonum

    Climatecrisis
























    www.climatecrisis.net



    Nada é bom ou mau se não for por comparação
    Thomas Fuller


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    Gustave Doré - Paradiso 34

    Será que do mal se pode retirar o bem ?

    O mal existe, mas nunca sem o bem, tal como a sombra existe, mas jamais sem luz.
    Alfred de Musset


    Pensem e escrevam. Tenham como suspiro e bebida as duas imagens. É um desafio...



  • Sinopse em Português An Inconvenient Truth
  • Sábado, Novembro 25, 2006

    Carrinhos de linhas, manias e utopias.

    Photobucket - Video and Image HostingExiste uma certa grandeza em repetir todos os dias a mesma coisa. O homem só vive de detalhes e as manias têm uma força enorme: são elas que nos sustentam.

    Raúl Brandão



    O subconsciente traz-te os slogans errados, ene coisas que o teu pai te implantou e as bibliotecas impregnadas de esoterismo da tua mãe. É claro que nada foi impedimento e passei a enrolar um carrinho de linha, com estradas de outros carrinhos que existem perdidos em todas as mansões e mansardas dos nossos diagnósticos lunares. Das noites no telhado e do cinema Pax Julia mesmo ali à porta, estão transplantados muitos dos teus sonhos levados por cápsulas e comprimidos hipocondríacos. E depois um Sítio do Pica-Pau Amarelo com muitas personagens, clínicas e depressões avulsas. Tu eras um Pedrinho, eu uma Narizinho, o teu pai uma Cuca versão masculina, a tua mãe, por algum tempo, a D. Benta, o teu irmão um Visconde que parecia derramar inteligência e ainda uma Emília louca que nasceu dentro de ti e que te transformou num profeta, a tua doença. Os pombos correio traziam-te postais do inferno que disfarçavas mandando-os de volta em efemérides para as meias horas que o Diabo te dedicava. Talvez sentisses que estava perto a mania que te havia de transformar no meu herói da Marvel dos livros de estimação do Visconde. Mania que te leva à alucinação sem ser necessário qualquer narcótico. Ao trapézio sem rede. As tuas mágoas eram lavadas no bar dos afogados, o meu colo que sente as tuas energias. Sei lá, acho que este colo foi feito para ti e para o desenho do porquinho cor-de-rosa do Visconde pequenino que despoletou uma grande tareia da Cuca, porque no Alentejo só existiam porcos pretos. Que ousadia foi uma criança sarapintar um bicharoco daqueles com a cor dos lacinhos e dos espartilhos das meninas. Que audaz foi teres nascido bipolar e de só eu te saber camuflar a controversa personalidade que te leva ao palco de Deus e a quereres ser a estrela da alva. Lembro-me de acordares brilhante e sem rumo no meio das cidades que construo de papéis e tudo o que guardo com a sensação que vou precisar mais tarde. Tralha e tralha mas nunca igual à que a Cuca arrumava com cuidado na tua pura mesinha de cabeceira psicológica. Eras o meu livro preferido sempre presente. De todos os meus livros, e mania de coleccionar livrarias, eras aquele que a D. Benta me deu e autorizou a ler. Há tantos que ainda não li mas carrego-os comigo para todo o lado como carrego a tua fotografia até para a praia (que excentricidade) com a esperança de voltar a olhar preocupada para a maré alta e ver-te desaparecer para fazeres a travessia dos mares num kayak. Eras o meu book da boa arte de negociar, o book que a Cuca se encarregou de desacreditar perante todos. Quando eras o melhor em trading, na empresa. Para mim o melhor nas Alimentárias* de Paris, Colónia e Barcelona, ninguém negociava melhor do que tu. Mas ninguém podia ser melhor que a Cuca. Ninguém podia carregar uma Emília maior que a que a Cuca carrega e que lhe dá poderes quase sobrenaturais e de resistência às horas do dia e a noites soberbas sem dormir. Havia uma diferença fundamental a tua Emília não tinha maldade. Lá está, há mares calmos e amenos e há o mar do norte. Há o Verão e o Inverno. Há os bom amigos e os maus aqueles que se deixam comprar e que a Cuca compra (e escusam de dizer que isto é a minha mania das perseguições), tenho a certeza e mais não posso falar. Todos se esqueceram deste meu conhecimento de cada letra do teu livro. Todos se habituaram a ver-te caminhar sem muletas familiares e a não ter o hospital dos malucos como pano de fundo. Passaram 12 anos, muitos hectares de amor. Partiste deixando-me no cabeleireiro, também tenho este desejo imoderado do cabelo sempre penteadinho, para voltares umas míseras páginas depois e me pedir para ser a tua biblioteca de novo. Partiste porque a Cuca assim mandou. Mas a Emília voltou... O meu carrinho de linha caiu, acho que já não o consigo desenlear, no fundo tenho medo de partir a linha. Ou não tenho coragem de a partir? Hoje tenho o Sítio e família à minha espera, até a Cuca imaginem! Afinal és filho e o dinheiro não compra saúde e amor verdadeiro, tá visto. Esperam por mim à porta do Júlio de Matos. Já lá entrei e vim muito feliz... Encontrei-te, já não és Jesus Cristo... Estás a regredir na hierarquia, estás melhor. Hoje olhei para ti e disseste-me: Estás a ver as minhas sobrancelhas? Não te lembra ninguém? Hummm... Eu sou o Profeta Daniel...




    *Feira Internacional de Alimentação
    (Negociação de todos os produtos alimentares)


    NOTAS
    Após esta reflexão, e não fugindo de forma alguma ao tema principal que me traz aqui hoje, respondo ao desafio que o Alexandre do Fundamentalidades me dirigiu (aqui) . Ao longo do post encontram-se as minhas 5 manias.



    LINKS

  • Psicose Maníaco-Depressiva


  • Associação de Apoio aos Doentes Depressivos e Bipolares


  • Depression and Bipolar Support Aliance


  • Sítio do Pica-Pau Amarelo



  • Um dos filmes da minha vida e que retrata a doença que neste post chamei de Emília:
  • Mr. Jones

  • Mr. Jones


    BAR

    Hoje sirvo um long drink Angel Face
    Ingredientes:
    3cl de Vermuth Tinto
    3cl de Campari Bitter

    Preparação:
    Agitar tudo no mesmo copo. O copo deverá ser do tipo long-drink.
    Acabar de encher com água gaseificada.
    Para decorar:1/2 rodela de laranja e 1 casca de limão.

    Quarta-feira, Novembro 22, 2006

    Terminal

    Passeando pelas minhas reflexões, leituras e a relembrar Confúcio-Quem não sabe o que é a vida, como poderá saber o que é a morte?-, deixo-vos a sugestão de leitura do post de Tearatai em Asas da borboleta (aqui).

    E este é, sem dúvida, o mais doloroso paradoxo da nossa época: fazendo de conta que a morte não existe, tornámo-nos pessoas tristes e deprimidas que passam pela vida como se já estivessem mortas. Caramba!

    Tearatai (http://asasdaborboleta.blogspot.com)

    Sábado, Novembro 11, 2006

    Diário de Bordo

    Adivinhem do que falou hoje Adelino Gomes do Público numa das suas "Fugas" a Nova Iorque a convite da Fundação Serralves ?
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    Do Diário de Bordo da minha irmã Maria viajante também e passageira do Airbus A330 da TAP que rumou a Nova Iorque neste tour cultural.
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    No Diário um dos desenhos da Maria na página à direita.
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    Talvez porque, e como disse André Suarés, o viajante ainda é aquele que mais importa numa viagem :
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    NÃO HÁ HOMEM COMPLETO QUE NÃO TENHA VIAJADO MUITO, QUE NÃO TENHA MUDADO VINTE VEZES DE VIDA E DE MANEIRA DE PENSAR (Alphonse de Lamartine)

    Terça-feira, Outubro 31, 2006

    Noite das Bruxas

    Cada vez que piso a estrada, o retrovisor seduz-me, faz-me amar e desejar quilómetros de asfalto. A Gata Borralheira, ou será a Cinderela, despoja-se do seu sapato de cristal no DVD esquecido. Os rails, o desapego do silvestre campo e do teu olhar atropelam-me a 90 e complicam o diário escrito com histórias do Charlie Brown e do seu cão atmosférico. Na rádio a Prova Oral da Antena 3, os desafios certeiros do Alvim e os apetecíveis convidados que falam connosco no caminho. Temos companhia mesmo que no pendura não se identifiquem anjos ou fantasmas. Talvez o stop seja só para mim, para que eu deixe o sapatinho de cristal à beira do retrocesso. No tejadilho a alma, as toneladas do primeiro acidente da manhã que é sempre com um pesado. Vem a preocupação, o saber, o querer ver se rolas ainda em pneu energy de baixo atrito e resistente a longas viagens. Resistente aos almoços no chão em frente à lareira e ao meu sonho concretizado de dormir com lenha a chorar e percorrendo a reboque os desejos de cartoons e do Shreck animado. Não sei porque te deu para apareceres ao pé de mim e me perguntares: “E se de repente lhe oferecerem...” e eu à espera das flores num Impulse multicolor à Floribella e aos beijinhos diários e rotineiros. Nada de espectros senhora, nada de pensamentos românticos e toques subtis de cabelo. “E se de repente lhe oferecerem uma viagem de longo curso?” Descarada e espontânea a pergunta como a tua entrada na Livraria Bulhosa aquando do lançamento do Kiss Me onde seduziste a Marilyn Monroe por míseros cêntimos. Depois o livro das casas de madeira em fotos tipo National Geographic e os barquinhos do Campo Grande onde navegaste com a cabeça debaixo da minha saia para me envergonhares. Acho que os patos ainda se riem da minha cara de escândalo pueril de doutora apanhada ao desprevenido pelas regras da pressão baixa e do aumento da resistência, o consumo devastador. Algo que se entranhou num esforço de física e tatuagem. Tu estás em mim assim e como sempre de colher a bater nos dentes depois duma mousse brasileira no Charlot dos Olivais. É ali num canto que sentes a pressão do meu coração a frio como manda o figurino. O coração que perscruta cada manchinha de óleo das tuas mãos de dragão e de dor atenuada pela ausência dum coração teu. No teu peito bate a ferramenta a 340 cavalos dum Scania de cor igual aquela que eu desejava num berço. Depois a espera, a madame apetecia-lhe tomar algo, e tu a dizeres que deixarás a Frize, e de morango, a refrescar no Mar do Norte, um mar a cheirar a nacional, às vezes a internacional. Breakfast in América para variar num subúrbio onde se vê o que nos escondem desde meninos, onde a butterfly dança no bolso a código de rua e de quem é dos nossos. É assim num longo curso que já não sinto, que aumenta a carga, matéria perigosa, com certeza, com losango sinal laranja e preto a condizer. Paro numa área de serviço as batatas fritas deixo a meu lado à espera que as venhas comer numa linha motriz adequada às necessidades. Ou será uns costelinhos no Porto ou a prometida francesinha. Os pauzinhos de batata ficam sempre lá, naquele cartuxo cilíndrico e calórico à espera que Charles Perrault ponha ali uma fada madrinha que dos ditos pauzinhos te faça um coração, um filho, uma casa e o carro mais lindo da freguesia. Tudo sem feitiços de abóboras às badaladas da meia-noite. Tudo por um dia isento de economia operacional e valor residual. Tudo num tractor chamado desejo com honras de cais de Lisboa e bolo alentejano derramado às gaivotas e o maroto chichi rio fora para vincar a rebeldia. Fica-me o barco afundado tal como me encontraste enterrada num jornal de fim-de-semana, ficam-me os aviões da residencial ao lado do aeroporto, fica a moto quatro nas dunas da costa norte, as altas horas da madrugada e a madame Bimbô da Tv. Só queria ter a certeza que a tua mãe tem: que voltas quando te dá na real gana, nem que para isso faças um intercontinental. Já não me importo que não vejas o vestido turquesa que comprei para te encantar. Já não me importo que a Sophia Mello Breyner tenho arrancado a fada madrinha, as irmãs e o príncipe à história da Gata Borralheira. Que Robert Walser lhe tenha acrescentado um rei sandeu, um bobo senhor de espírito e um príncipe que não sabe o que está ali a fazer. Afinal a nossa história é a história da Princesa e do Dragão como tu bem vincaste. Da Princesa que se apaixonou pelo Dragão mas que também perdeu um sapatinho qual Cinderela em busca de um coche, ou será dum camião grande do alcatrão e das horas laboriosas. Há dois anos. Quando dei por isso já era noite das bruxas. Pelo sapatinho passaste à pouco, já passaste tantas vezes. O Snoopy é o seu cão de guarda, surripiei-o ao Charlie Brown das nossas manhãs de domingo. O raio do cão não sorri quando tu passas. Sabes uma coisa? Acho que dentro do sapato já cresceram ervinhas...



    Hoje sirvo um long drink Butterfly
    Ingredientes :
    3 cl de vodka
    1 cl de mandarine
    1 cl de xarope de morango
    1 cl de natas

    Preparação:
    Meter tudo no shaker, servir num copo longo e preencher o copo com limonada.


    E já agora...

    Sexta-feira, Outubro 27, 2006

    Eu hoje gostava que o mundo pensasse assim

    Sem Anjos da Guarda





    Prof. Muhammad Yunus fundador do Grameen Bank
    - Prémio Nobel da Paz 2006










    E eis que chegou um Anjo


    A Grameen family

    Uma família de Grameen numa casa nova financiada pelo programa do empréstimo Grameen Bank.


    With Grameen borrowers preparing yarn for weaving


    Apoiadas Grameen preparam o fio para tecer.




    a Grameen 'telephone lady'




    Agora já se pode telefonar para o céu e devolver o seu Anjo para que ele acorde num "bis" qualquer...










    A Muhammad Yunus


    Aqueles que repudiaram o seu demónio importunam-nos com os seus anjos
    (Infelizmente e para muita gente no mundo lembrei-me de algo dito por Henri Michaux)




    Mais informações: Site Banking for the Poor ; Microcrédito para 100 milhões de famílias em 2005

    Domingo, Outubro 15, 2006

    Ena pá, este é o meu mundo grátis, c’um catano


    Nem todos os caminhos são para todos os caminhantes

    Johann Wolfgang von Goethe


    Acho que chegou o tempo em que os deuses se vão esconder porque decidiram amar-se. E o velho cientista Fausto, pela primeira vez, ignorará o Diabo pois Prometeu vem resgatar o fogo que o deixou anos a fio de fígado pendurado às mãos duma águia gigante num solstício eterno.
    Longo vai o avatar da Declaração do Milénio quase que um sonho de cigarra com a viola às costas. A cada matrioska uma matrioska nova e sempre igual, só com uma pequena diferença, passo a passo vai sendo mais pequenina. Quando decidi colocar a fotografia do post anterior (Pedra sobre Pedra) foi para contradizer esta tão feroz realidade que é fazer-se uma grande campanha, assinar-se politicamente falando contratos bonitos e grandiosos e depois se fazerem omeletas como apoios a Jonas Savimbi que demonstrou uma violência latente, o assassínio de Patrice Lumumba para se colocar no seu lugar a tirania de Mobutu e ajudas ao regime de Apartheid. E tantas e tantas mistelas mais. Como é que uma pequena criança em busca de esmolas alheias nos pode lançar um sorriso de tanta esperança sem gorgulho apoteótico? Agora, que a nossa preocupação anda nas avenidas da chique vacina da gripe. E em que eu me apetece editar umas novas Anitas, dessa boneca de papel vestida de recortes de milésimas histórias. Anita Reduz para Metade a Pobreza e a Fome. Mas com certeza que não é mandando a avó buscar comida para si a instituições sociais e religiosas, para assim poder angariar uns dinheiritos e viajar para o Brasil. Isto passa-se na minha terra. Parece-me que dantes era o Capuchinho Vermelho que ia levar a comidinha à avózinha. E o mais que podia viajar era directamente para a boca do Lobo Mau. Anita Alcança o Ensino Primário Universal. Mas não é pondo as crianças a correr eufóricas à porta de livrarias para comprar o exemplar seguinte do Harry Potter que as ensina aquilo que a Inquisição pensou matar no fogo. E pensar que Prometeu roubou as chamas a Zeus para dar conhecimento ao Homem. E pensar que, afinal, muitos daqueles que buscavam o conhecimento foram eles queimados para sempre...Anita Promove a Igualdade entre os Géneros. Mas não é dando o mau exemplo de continuar a ser a empregada de serviço enquanto o marido lê o Record ou A Bola que não o vai enriquecer em sabedoria alguma e com certeza que não lhe vai ensinar que dois terços dos analfabetos são mulheres e 80% dos refugiados são mulheres e crianças há mercê de modernos Lobos Maus. Tem que se começar por aqui. Com certeza que estes senhores não quereriam ver a sua filha Mulher com a palavra “iletrada” na testa. Claro que podem ler mas primeiro ajudem as esposas. Anita Reduz em 2/3 a Mortalidade de Crianças. Mas não é com a instituição religiosa que lhe dá comida sabendo que ela não a necessita para sobreviver. Porque é que no nosso país assistimos a cada dia que passa a banquetes de arroz, massa e iguarias dados a pessoas que têm tectos para dormir enquanto ainda se morre em barracas ou em nada como as 6,3 milhões de crianças em cada ano que se derruba? Com certeza que a Anita não vai morrer de diarreia pois se bem nos lembramos a menina vive em sítio feliz onde não há secas, isenção de estradas e veículos a motor. E agora a Anita até tem noites grátis de chamadas telefónicas, c’um catano. Anita Reduz em 3/4 a Taxa de Mortalidade Materna. É verdade e nos países em desenvolvimento. Eu sei que quando a Anita for médica e eu entrar num hospital público a contorcer-me com dores lancinantes de morte à espera não me vai perguntar o que é que eu estou ali a fazer, como uma senhora doutora me questionou um dia quando eu só assobiava sofrimento. E ainda me disse “Andam a comer feijoadas e eu é que as tenho que aturar”. A médica também se preocupará com a anemia provocada pela malária, o carregamento de pesos como madeira e água para cozinhar (mas aqui não é feijoadas) e a falta de Maternidades que vem provocar a mortalidade materna? Que é isso do desafio da nossa geração? Deixa-me é ir fazer uma chamadinha grátis e pedir uma feijoada para o jantar, já que tenho a fama deixa-me comer o proveito. Anita Combate o VIH/SIDA, a Malária e outras Doenças. Sim e com acesso da população à informação, aos meios de prevenção, aos meios de tratamento precoce, melhorando-se as condições básicas de higiene e de saneamento básico. E já agora onde está os subsídios para isto, existem mas... Vejam lá: as vacas europeias recebem em média um subsídio de €1,60 por dia, enquanto metade da população mundial sobrevive com menos de €0,90 por dia... Anita Garante a Sustentabilidade Ambiental. Com a educação para a protecção dos recursos naturais o desenvolvimento de hortas familiares, de culturas tradicionais e de apicultura. Mas a Anita um dia vai-me explicar porque nos Estados Unidos 5% dos agricultores abastados recebem mais de 50% dos subsídios e na UE 75% dos pagamentos da PAC centralizam-se nas carteiras de 10% de maiores beneficiários. Anita Cria uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento. E fiquem-se com esta, pois acho que agora é o Diabo que nos quer vender a sua alma e vai ele lampeiro descansar para as noites grátis da PT, c’um catano. E vão vê-lo aos berros: Conta-me, conta-me tudo outra vez como se eu fosse muito burro.
    Mas o menino da foto sei que continuará a sorrir e com muita esperança para todo o sempre pois se bem me lembro Pandora violou a caixa donde saíram mentiras, invejas, doenças, velhice, guerra e morte mas fechou-a antes que saísse o mal que acaba com a esperança.



    Hoje com a leitura Declaração do Milénio sirvo Batido de Café
    Ingredientes :
    1/2 chávena de cachaça
    1 chávena de café
    1/2 chávena de natas
    4 colheres de sopa de açucar

    Preparação
    Coloque todos os ingredientes num jarro. Junte gelo, mexa bem e sirva em copo para batido.

    Pedra sobre Pedra

    Como há fotos e comentários que não me passam indiferentes pelo rigor da sua arte, mesmo que às vezes dolorosa a olho nú, aqui fica do blog Pedra sobre Pedra assinado por Teresa:

    Foto: Teresa 04.2006 India

    Como é possivel receber tanto de quem se pensa que nada tem para dar? Estas crianças deram-me mais que muita gente com quem eu cruzei na minha vida.
    Ficarão para sempre em mim!

    Sábado, Setembro 30, 2006

    (Não) temos livros

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    Sempre me encantei a ver aquelas bolinhas, tão bem alinhadas e inimigas dos alunos das baldas que as tinham que decorar. A ousadia de Copérnico, o bater pé de Galileu espelharam-se nos movimentos circulares que Aristóteles deu no túmulo. Uns dizem uma coisa, outros dizem outra mas ambos têm que admitir que caem à mesma velocidade. A lei dos corpos é excêntrica, quase que nos dava na gana de jogar as ditas bolinhas torre de pisa abaixo para que elas caíssem certinhas, ao mesmo tempo num livro escolar que todas as crianças pudessem ver. A eito da luneta astronómica do mestre. O telescópio, que os meninos olham e imaginam que bolas de sabão podem nascer de uma simples espreitadela. Os planetas.
    Mercúrio é o que parecia girar mais rápido que qualquer outro planeta. O Paulinho também é o número um em atletismo, corre mais que todos os outros meninos. Há dias, como um foguete, escoou-se, de noite, nas avenidas à procura de comer nos excedentes lixos dos monstruosos prédios urbanos. Chegou cansado e sem livros à escola, mas ele é um campeão, o veloz, ninguém lhe ganha.
    Vénus, estrela d’alva, de rotação retrógrada, mas o mais brilhante depois do sol e da lua. A Aninha nasceu com uma grave deficiência que não lhe permite andar. Na segunda-feira quis sorrir numa montra de brinquedos num centro comercial de Lisboa e uma escadaria deixou-a a poucos metros de sonhar, afinal ela nem ia comprar nada...Fez marcha atrás e de cadeira de rodas perdeu-se nos jardins do parque onde a avó simulava dar migalhas de pão aos pombos. A Aninha vai à escola, não leva mochila mas é a aluna mais brilhante da turma. “Esta miúda tem uma cabeça!”. Epur si Muove! *
    Terra, essa bela bola e esplendorosa contadora de histórias. Vou ali e já volto...E quando chegar trago outra história triste para contar...
    Marte assemelha-se a uma gota de sangue. Babilónios, gregos e romanos nomearam-no deus da guerra. O Joãozinho lá do bairro também é vermelhinho, já conquistou becos e avenidas, é o dono da rua, um incrível guerreiro. Há uns dias apoderou-se de todos os animais abandonados e coloco-os à porta duma instituição, gerou-se a III Grande Guerra Mundial. “E agora dêem um pontapé nestas bolas de pêlo, vejam lá se são capazes! Mas estas não são da Nike aviso já.” Disse, antes de ir embora com um olhar muito mau, aliás ia furioso. O Joãozinho começou as aulas mas não tem livros escolares.
    Júpiter e Saturno, o grande e o belo, um de núcleo gelado e corpos rochosos e o outro de anéis mas das mesmas matérias, como chá e leite numa mistura à inglesa e ao lanche. O Buchinha e o Estica são inseparáveis, uns diabinhos que cheiram os manjericos das vizinhas, empurram os sapatos da janela do Ti Joaquim Sapateiro, puxam os rabos da gataria, bem já estão a ver que são terríveis e não vivem um sem o outro. Já agora leite e café fazem uma combinação maravilhosa, sente-se. Mas se em vez de lhe pormos açúcar despejarmos umas colheradas de pimenta, morremos com uma careta sobrenatural. Foi o que eles me fizeram. Monstrinhos. Também vão para o ensino, não têm canetas de feltro nem nada. Quando entrarem num estádio de futebol, daqueles que são construídos com milhares de euros, eu sei que vão vandalizar as cadeiras, escrever as letras e fazer os desenhos que não fazem nos cadernos e nas folhas de papel cavalinho...
    Urano foi registado inicialmente como uma estrela. Posição inclinada, quem sabe, resultado duma colisão. Há um Menino que vive perto duma aldeia alentejana, durante o dia esconde-se num buraco, não fala, não ri, não faz nada, sofreu a colisão duma família alcoólica e violenta. Nem que o Pauleta se pusesse lá, feito maluco, aos pontapés a uma bola de queijo ele sorriria. Se um amigo meu vê este inferno, quase todos os dias, e me perguntou como denunciar esta situação? Onde está a Solidariedade Social? Que chatice vamos é falar de Maomé como fez Bento XVI e gerar mais um pouco de caos e buracos mundanos. Crateras. O Menino alentejano é uma estrela cadente e não vai à escola.
    Neptuno é o planeta das tempestades e da bruma, tão longe do sol. Patricinha toma conta de duas irmãs pequeninas, hoje já fez o almoço, lavou a loiça que serviu comer a 8 pessoas, limpou o pó, varreu o chão e levou uma tempestade de estaladas porque partiu um copo (pois lá diz o velho ditado quem menos faz menos erra). Ontem Patricinha entrou na Junta de Freguesia da aldeia e foi perguntar onde estavam os ecopontos pintarolas que os catitas meninos da TV idolatram. Ela já separa o lixo mas vai à escola e não tem livros.
    Plutão recebeu o nome dum deus romano do submundo. E curiosidade, poucos sabem que foi Fernando Pessoa o responsável pela sua introdução nas cartas astrológicas. Plutão é regente de Escorpião o signo do Luís Miguel um rebelde com um pouco de todos os meninos que por aqui passaram, não teve comida, não teve brinquedos, não teve livros, mas teve e tem sonhos, trabalha de dia e de noite. As aulas começaram e há duas semanas realizou um sonho antigo: aos meninos pobres da sua rua ofereceu os livros escolares. E disse-me que foi maravilhoso ver-lhes as caras felizes com as toneladas de enciclopédias às costas. Trocou um punhado bem valente de euros por sorrisos de crianças. Estes meninos já têm livros. Mas esperem! Plutão foi banido do sistema solar !!!!! Mas nos livros ele ainda está presente. E quando já não figurar no sistema solar dos ensinamentos continuará na via láctea onde permanecerá para sempre.



    * ”Reza a lenda que, ao sair do tribunal após sua condenação,[Galileu] disse uma frase célebre: "Epur si Muove!", ou seja, "contudo, ela move-se", referindo-se à Terra.”
    In Wikipédia


    Hoje sirvo Asas de Anjo
    Ingredientes :
    1/2 dose de aniz
    1/2 dose de xarope de morango
    1/2 dose de licor de ginja

    Preparação:
    Ponha os ingredientes num cálice alto de licor, na ordem em que foram enumerados, cuidadosamente, para que não se misturem e sirva.

    Domingo, Setembro 17, 2006

    Depois de Amanhã

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    À Cleópatra porque para ela não há depois de amanhã


    Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
    E assim será possível; mas hoje não...
    (...)
    Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
    Sim, talvez só depois de amanhã...


    Álvaro de Campos



    Quantas vezes se dirigiu Bosie ao cárcere de Oscar Wilde? Mudos seremos quando quisermos surpreender uma resposta. De Profundis e uma alma serena que por detrás de ferros escrevia ao seu amor do qual esperava uma aparição. Dependência gera desconforto, a fragmentação humana como um puzzle onde faltam peças. Wilde era um dependente de amor, como dependentes são aqueles que num jogo excêntrico onde Quixotes e Panças amortecem as quedas em roletas, deixam à mercê dos glutões do Presto toda a sua vida. Tapava a cabeça e destapava pés, tapava os pés e destapava a cabeça num lençol inútil que não acalentava o corpo. Mas há mais quem cubra o rosto e num trivial retrato também cobre os restantes membros, mas aqui há pano de sobra. A quase um metro do chão amordaçam-se actos sucessivos duma tragédia, com grades e tudo, e um cheirinho verdadeiro a hospital ao pequeno-almoço, ao almoço e ao jantar. Os sentimentos guardam-se em ampolas de desespero, dor e muitas saudades. Escaras de decúbito por ossos rente à carne e pressões obrigatórias. Seriam utopias se todos fossemos humanos. Estado nutricional debilitado, humidade, falta de asseio, excesso de calor ou frio remexem-se em camas de madrugadas sem creme hidratante ou anti-séptico. Como animais abandonados são deixados acamados, idosos e inválidos e a acompanhá-los contactos falsos e suores que os transformam numa metamorfose de Kafka. E ei-los a olhar para os moinhos de vento sem Dulcineia, com apenas Mercúrio que os presenteia com mensagens do nada. O mensageiro dos Deuses também nunca trouxe nenhuma carta de Bosie a Wilde, mas Wilde escreveu-lhe até aos últimos dias da sua vida. Pois o amor não tem tempo e perdoa a ausência. A ruptura com o quotidiano desencadeia um deficit com o globo terrestre, acaba-se a autonomia, desfazem-se as certezas, os seus ecos rodopiam nos leitos ao lado: são estes os retalhos dum acamado. Por detrás da coberta: Tenho sono como o frio de um cão vadio*. Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança. O meu cansaço entra pelo colchão dentro. Doem-me as costas de não estar deitado de lado. Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado.** Mas esperem... Há quem os despreze mas há quem os queira embalar... Um dia dirigi-me a uma instituição num portugal de pequeninos e ofereci os meus braços e o meu tempo. Deixei a minha inscrição para voluntariado depois de perder um par de horas a conduzir velhotes pelos corredores com medalhinhas do Doutor Sousa Martins em riste e muitas palavras já com traça nos roupeiros da memória. Absentismo familiar. Básico. Mais tarde voltei a oferecer, a minha alma a outra instituição de renome internacional. Na televisão as estrelas e as tias a dar chá aos doentes, num show cadavérico e esquecido, para algumas, um café depois. Aqui vendem-se almas. E eu aguardo, aguardo, desespero... Mercúrio tem passado e também não me traz respostas das instituições onde depus as minhas asas... Ninguém me chama, acho que já lá vão 43800 horas... Mas um acamado necessita mudar de posição de duas em duas horas... Quem se eu gritasse, entre as legiões de Anjos me ouviria? ***
    Uma pequenina menina, a Cóquinha, não esperou, agarrou no pai, deixou tudo e dedicou-se a ele tendo como pano de fundo uma cama. Papas, hidratantes, almofadas, fraldas que nos fazem rabo de pato, fé, vontade, consciência, humanidade... Um MITO... Houve uma hora em que Yeats disse a Wilde: "Invejo os homens que se tornam um mito ainda em vida". Ao que ele respondeu creio que um homem deve inventar seu próprio mito"... Pois é. Mas, depois de amanhã. Há quem espere pelo depois de amanhã para se inventar... A Cóquinha não esperou...


    Citações
    * Alvaro de Campos in Adiamento
    ** Alvaro de Campos in Insónia
    *** Rainer Maria Rilke in Primeira Elegia


    Hoje sirvo Coktail Beijo de Anjo
    Ingredientes :
    1/2 dose de licor de cacau
    1/2 dose de licor de ameixas
    1/2 dose de aniz
    1/2 dose de creme de leite fresco

    Preparação:
    Ponha os ingredientes num cálice alto, cuidadosamente, para que se não misturem e sirva em seguida.

    Sábado, Setembro 16, 2006

    Sol

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    Pela minha fanática residência no jornal Expresso durante dois anos e meio, hoje percebo porque acordei e o dia tem um brilho diferente.

    Não digo que vou ter esperança, porque tenho em mim todas as certezas do mundo.

    Parabéns ao semanário SOL e a toda a sua equipa.

    Sábado, Setembro 02, 2006

    Pão com Dedo

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    Ao Sr. Jorge Saudades com carinho


    É estar eu sobrevivente a mim mesmo como um fósforo frio...

    Álvaro de Campos


    Amélie Poulain acostou-se a Montmartre, lugar de cultos ambiciosos e artísticos por onde espreitam gauleses a colina de gesso. Na sua caixinha os sonhos de muita gente, uma guarnição de legionários romanos e a poção do druida Panomarix. Um mix recambolesco à Ponson du Terrail. No bar Degas agitando O Absinto, Cezanne compondo os retalhos do Arlequim, Monet em Estúdio Flutuante, Van Gogh entre Lírios e os Quatro Girassóis, e Renoir de pensamento em La Moulin de la Galette(claro). Na parede em auto-retrato um monte de anjinhos que esconderam as asas e vieram entornar uma Super Bock green. Sem dúvida, deslocaram-se ao sítio certo... Do outro lado da rua a tabacaria, uma pilha de jornais e alguem que conquistou todo o mundo antes de se levantar da cama... e é para lá que Amélie olha, apesar do bar carregado de celebridades. Que importa os célebres se existem pessoas que tem em si todas as histórias com coração, sim coração, porque a maior parte da gente não tem nada ali naquele avenida central do tórax. O jornaleiro saiu da caixinha de Amélie e duma rua de Lisboa, na mão um auto de exame médico, um filho politraumatizado, mais quatro crianças, a esposa e um pacote de Maizena para o jantar. “Aos trinta dias do mês de Agosto de 1993”... “Aos trinta dias do mês de Agosto de 1993”... Uma grua empurrou-lhe o filho e nada se fez... como nada tinha o pão que engolia com dedo para poder carregar as muitas toneladas de prédios alfacinhas. Hoje é jornaleiro mas tem nele muito cimento, ou será, sofrimento? Não. Ele tem é muita tolerância. E dantes não havia isto do trabalho temporário em Portugal, agora é mais sofisticado, faz-se um seguro às pessoas (que boa ideia), até se fazem descontos (excelente) e permanece-se fantasma para sempre à estalada, de contrato a contrato, mês a mês para toda uma promessa. E sabem que mais ? Os donos das empresas de trabalho a tempo definido, por acaso, até são administradores de grandes empresas marteladas neste país à beira mar suplantado e que dão emprego a tanta malta (rendo-me). Ciclo vicioso ou ciclo ambicioso bem dizendo e sofisticando a coisa. Anda t’ai Portugal, Cardoso e Cunha e a falência prometida (“aventura ruinosa” chamou-lhe a Visão esta semana). Um offshore empresarial num shaker de ideias iluminadas. Até contratamos o Professor Pardal e ficamos tão felizes. Temos pena diriam os Morangos com Açucar... Amélie serviu as celebridades e olhou de novo para o jornaleiro... 11 de Dezembro de 2000 e “nos termos do artº 277 do Código de Processo Penal, foi proferido despacho de ARQUIVAMENTO” (em letras grandes, nada de cepticismos). E passaram-se tantos anos parece que todos os dias é o primeiro dia do resto das nossas vidas. Haaaa....... O Sr. Engenheiro caiu do cavalo mas jurou a pés juntos que caiu ai numa obra qualquer, enquanto fiscalizava as toneladas de uma grua (ai seguros para que vos quero). Acidente de trabalho... nada que não se folheie nos arrais deste oceano. Esqueci-me de dizer uma coisa, o filho do jornaleiro também ajudava a pôr a migalha da Maizena em cima da mesa. Do outro lado da rua um sorriso e um agente principal da circulção do sangue (un grand coeur). Amélie retalha a calçada, olha o jornaleiro e estende-lhe uma tosta mista, para dizer a verdade sentiu-se tentada a oferecer-lhe a poção do druida Panomarix mas deixou-a sossegada para dar luta aos legionários romanos (afinal temos que lhes dar um bocadinho de controvérsia ). Acabou-se o pão com dedo e o comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!* Volta em direcção ao bar mas de repente olha para trás e grita: "Haaa, Sr. Jorge, já me esquecia! Essa tosta foi o seu filho que pagou..." E piscou-lhe o coração...


    *Citação de *Álvaro de Campos in Aniversário


  • Para inglês ver... Acidentes de Trabalho pela Inspecção-Geral do Trabalho

  • Sinopse do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain


  • Hoje sirvo um Batido de Frutas
    Ingredientes:
    1 chávena de leite de soja
    1 colher de chá de extracto de baunilha
    2 laranjas grandes descascadas e descaroçadas
    1 banana grande descascada
    5 cubos de gelo

    Preparação:
    Colocar tudo dentro do copo de batidos e bater até ficar homogéneo. Serve-se de imediato.

    Segunda-feira, Agosto 21, 2006

    City Lights. Há Fogo na Praça da República !

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    Anjos ou deuses, sempre nós tivemos,
    A visão perturbada de que acima
    De nós e compelindo-nos
    Agem outras presenças.
    (...)
    Nossa vontade e o nosso pensamento
    São as mãos pelas quais outros nos guiam
    Para onde eles querem
    E nós não desejamos.


    Ricardo Reis


    Angel Chaplin, senhor de muita presença humor e sensibilidade acercou-se da Rua dos Infantes e num suspiro mudo e criativo escorregou em City Lights. Assustou-o a luz e lembrou-se do amor e do anjo cego que vendia flores nas hierarquias da plebe. E andarilho gritou: “Há fogo na Praça da República !” Aliás, o país está a arder. Consomem-se cigarrilhas de seiva e clorofila num universo 820 labaredas semanais com asas tamanho de Adamastores escondidos no cabo das chamas. A sangue frio diga-se e alarmam-se as estatísticas da protecção civil. Chegámos à lista negra, senhores, fumam-se histórias da nossa infância, lugares sagrados e de trabalho. Uma fotobiografia planetária chega por satélite a qualquer momento e, aos farrapos, o vestido desta vez é mesmo ás bolinhas amarelas... Alinharam-se oito meses do ano e já 694 inquéritos nos acordes da PJ por suspeita de fogo acrescentado ao mapa. É sazonal , mas nesta altura há quem arranje um trabalhito a acender uns fósforos: há bués de tempo que a malta está desempregada e isto de acender lumes para os santos populares já lá vai.
    Pois quem se lembra do filme de Chaplin recorda-se do seu cárcere e da sua ânsia por dinheiro para pôr fogo nos olhos do anjo cego que vendia flores na rua. O vagabundo até ousou lutar boxe. Acredito que hoje faria luta livre (é mais empolgante e bem encenado) e depois sentaria-se no bar a beber um Red Bull, porque “Red Bull Dá-te asas...” E quando as autoridades aparecerem asas para que te quero, afinal sou um anjo ! O errante foi preso (naquele tempo ainda não havia a milagrosa bebida do bovino vermelho). Os verdadeiros incendiários e autores morais não são!? E eu que não queria cair naquele conformismo social e bárbaro que às vezes anda no ar e contagia-se. Está mal mas vê-se logo, aprisiona-se os Irmãos Metralha e ficamos mais descansados...
    Bem, acho que vou ver o Poseidon. No meio da dor um pouco de água e alguns sobreviventes porque alguém tem que sobreviver para contar a história. Quanto a Angel Chaplin caminha em recta para a praça. Lá, de labaredas nas órbitas, está a menina que vendia flores, recuperou a visão e só o reconhece tocando-o, afinal nunca o tinha visto. O FOGO cega-o a ele, mas quanto a isso não há nada a fazer. Até porque não é necessário tocar-lhe nem vê-lo para saber que ele está lá...

  • Sinopse do filme City Lights



  • Hoje sirvo um Shot Anjos e Demónios
    Ingredientes :
    Blue Coração, Vodka, Groselha, Absinto

    Preparação:
    colocar as bebidas pela ordem indicada, e arder, beber com palhinha

    Domingo, Agosto 20, 2006

    No bar em guerra e nua sentada a beber um Coktail Asas Brancas


    Que o anjo de si é ávido
    De transe e rapidez,
    E é ele que chora
    Nosso chumbo hora a hora
    É ele que não entende
    A nossa estupidez.


    Vitorino Nemésio


    Fernando Pessoa já bebe, sentado na fotogénica calçada, admirando a surprise do ovinho kinder e deitando os búzios no “espelho meu” : Quem foi que ganhou a guerra, Israel, Hezbollah, ou Eu ? É por causa destas coisas sérias que não podemos beber um scocth descansados. Apetece-nos ver o Show dos Marretas e pôr o Coelhinho da Páscoa a pulos desenfreados mas tudo já teve o seu século. Para pelejas há sempre tempo, vou ali e já venho, e quando chego ligo para o 112 internacional porque vejo, em estado atmosférico e de imprensa, um chorrilho de seres com asas a chorar. Sim também palreio com os anjos e por isso esta minha afinidade com o celeste e a inauguração do Angel Bar. Ás vezes, cozinho omeletes sem ovos e distraio-me com os anjos que “são rijos como as pedras” já dizia o Nemésio, mas quando chega a hora ai que é vê-los a derramar ... É por isso, ao sentar-me e plagiar em actos o Pessoa, sou mais fina, e peço um coktail de lágrimas de entes puros e espirituais. Mas diet por causa das moscas. Infelizmente nas guerrilhas, à beira bar sentadas, é importante um copo de cerveja rascunhado de terrorismo particular (tem muitas vitaminas), um copo de whiskie letrado de milícias (próprio para o figado), um copo "on the rocks" de ideologias estranhas (as ideias têm que ser frescas tá claro, faz bem ao corpo) um monstrengo de copo de armaduras lanças e espadas (faz bem à coluna) e muitas coisas bem bonitas para fazer inveja ao bélico, dar umas coceguinhas nos bichos carpinteiros e corda aos sapatos que se faz tarde. Até o Fernando Pessoa poema centros de comando, aponta a infra-estrutura militar e fecha a porta do bunker pois “Senhor, falta cumprir-se Portugal !” Mais tarde dá ordens aos “gigantes da terra [que] suspendem de repente o ódio da sua guerra e pasmam.” Pasmou-se um pedaço de Oriente, mas até quando ?
    Eu pasmada fico-me pelo cálice em formato de balão que é próprio para licor, porto, xerez e coquetéis variados. Não esquecer: todos os copos com uma pequena base que os torna bem leves como os anjos , “leves como as plumas” (esta é do Nemésio). E dispamo-nos de preconceitos porque os reis vão nus e sem donaire. O Fernando já convidado deixa a calçada e vem. Senta-se no balcão e “não dorme (...) pois não há sono no mundo.” E escrevinha num lance de vodka “mas na Estalagem do Assombro, tiram-te os Anjos a capa: segues sem capa no ombro (...)Tens só teu corpo, que és tu (...)Então Arcanjos da Estrada despem-te e deixam-te nu.” Pois é Fernando as guerras deixam-nos sem ornatos e despidos ansiamos um cessar fogo destemido. Por agora foi-nos concedido o desejo, foi a surpresa do ovinho kinder...


    Hoje sirvo Coktail Asas Brancas
    2 doses de gim
    1 dose de licor de menta
    gelo picado

    Preparação:
    Ponha os ingredientes no shaker, com o gelo picado, agite bem e sirva em seguida.

    Domingo, Agosto 13, 2006

    Asas

    U2 - If God Will Send His Angels ( Live from Popmart Las Vegas )

    Sábado, Agosto 12, 2006


    As ondas são anjos que dormem no mar,
    Que tremem, palpitam, banhados de luz...
    São anjos que dormem, a rir e sonhar
    E em leito d'escuma revolvem-se nus!
    E quando de noite vem pálida a luaSeus raios incertos tremer, pratear,(...)
    E quando nas águas os ventos suspiram,
    São puros fervores de ventos e mar:
    São beijos que queimam... e as noites deliram,(...)
    Ai! quando tu sentes dos mares na flor
    Os ventos e vagas gemer, palpitar,
    Por que não consentes, num beijo de amor
    Que eu diga-te os sonhos dos anjos do mar?

    Álvares de Azevedo